terça-feira, março 31, 2026

Terça, 31.

Sinais (perigosos) dos tempos. Não gosto de generalizar, mas que me apetece fazê-lo, lá isso.... Outro dia vi na Internet uma proposta com a sigla da Shtil, que pela módica quantia de pouco mais de cem euros, podia adquirir uma tesoura de poda, uma serra eléctrica, uma vara de corte em altura e ainda a generosa oferta de uma máquina para afiar motosserras. Disse que só pagava por multibanco e esperei uma semana pelo brinde de Páscoa. Que chegou ontem, montado numa instituição que já teve melhores dias, os CTT. Ao portão entrou uma carrinha branca, amachucada, e de dentro saiu uma brasileira escura, cabelo cortado à escovinha, pintado de amarelo, cara redonda e gestos decididos, para me estender um embrulho com pouco mais de 60x30cm, mais leve que um pacote de amêndoas. Perguntei se podia verificar o que continha, respondeu a célere rapariga que não. Insisti: acha que aí está (nomeei o que acima descrevi), ela balbuciou que não tinha nada a ver com a operação, facto que eu sabia. Rodopiou a estafeta sobre os calcanhares da viatura e fui à Net verificar tudo de novo. Procurei a marca e obtive o número de telefone para confirmar o que me parecia óbvio: “Estamos com uma promoção, mas nas nossas lojas”, com o remate: “Essas aldrabices são constantes, meu caro senhor.” Curioso como sou, ainda agora me penalizo por não ter aceitado o volume e certificar-me o que continha. Mas dar 100 euros por um par de botas velhas...  

         - Os criminosos da extrema-direita israelita, com o chefe corrupto e assassino à cabeça, senhor Benjamim Netanyahu, defensores dos primórdios da religião, cuspindo o fel que lhes entope as gargantas, aprovaram no Knesset a pena de morte para os palestinianos que enfrentaram os invasores e agressores na sua pátria soberana. Não contentes com a mortandade que fizeram, com a destruição de um país eternamente subjugado à supremacia de uma raça e religião, enxotados como lixo para fora das portas de Israel, não obstante toda esta desumanidade e tirania, ainda se querem vingar de inocentes que apenas se defenderam de assassinos sem consciência, nem legalidade moral e impedidos de tais actos ao abrigo do direito internacional. 

         - Mais uma vez, glória a Pedro Sánchez. É ele que se distingue da chusma de dirigentes de pacotilha que vegetam pela nossa moribunda e medíocre Europa. Ele e Zelensky. Ao contrário dos nossos governantes humildes, bajuladores e reconhecidos a Trump, oferecendo-lhe de bandeja a base das lajes para prosseguir a guerra sangrenta e incongruente contra o Irão; a Espanha de Sánchez, altiva e civilizada, recusou categoricamente, com voz firme e clara: “Negámos aos EUA o uso das lajes de Rota e Móron para esta guerra ilegal (sic). Todos os planos de voo que contemplem acções relacionadas com a operação do Irão foram rejeitados. Todos incluindo os aviões de reabastecimento.” 

         - Preciso tanto de tempo para me consagrar ao romance. Escolhi viver neste isolamento apenas porque escrever exige tempo e silêncio. Enganei-me. Nunca o trabalho sob vários ângulos nesta quinta deixou de me desafiar. Não tenho tempo para nada e mesmo estes gatafunhos que aqui alinho, levam-me três horas surripiadas ao romance. Que fazer quando isto está a resultar numa obsessão? Vender e fechar-me num apartamento em Lisboa? Esta manhã, na meia hora a passar na piscina, enquanto nadava, não pensei noutra coisa. Por vezes, só para fazer avançar a história de Ana Boavida, vou com o croché sentar num café em Lisboa. Que contradição, santo Deus!