quinta-feira, abril 02, 2026

 Quinta, 2 de Abril. 

Os nossos políticos podem esgrimir todos os contentamentos com a Constituição, enfrentar-se para a manter ou alterar, que ela de nada serve às centenas de utentes do SNS que vão para as filas às quatro da madrugada para conseguir consulta. O entretenimento filosófico de uns, é a maldição da maioria. Os deputados de todas as cores, vivem num mundo só deles onde não há pessoas e as poucas que há, são de nenhuma importância. 

         - Trump falou à nação, a boca cheia de palavras ocas, já desacreditado pelo mundo inteiro que não compreende a razão da guerra no Irão, a incursão na Venezuela, a prisão do seu Presidente, a tortura dos cubanos e por aí fora, sobretudo, a ligação a Netanyahu e aos extremistas de direita que governam Israel e a adoração pelo ditador Putin. 

         - As ameaças de rei soberano, continuam. Segundo o mentecapto americano, o Irão vai ser reduzido “à idade da pedra”. Espero que a história antiga onde nós bebemos ao longo dos séculos, escape à fúria desta choldra de gente ignorante, básica, que tem no poder a justificação e realização das suas loucuras. O tumulo do Grande Ciro, coberto por um véu de ouro, na montanha, em Pasárgada; os gigantescos touros barbudos com caras humanas que guardam o sepulcro de Xerxes, em Persépolis; ou o último Darius e tantas outras obras da história e cultura mundiais como os reis Artaxerxes II e III que repousam nas montanhas sagradas do Irão desde 522 a/C., além das imensas mesquitas. Não é só a cultura e a civilização dos iranianos que vai desaparecer, é também a do Ocidente cuja cultura mergulha as suas raízes naquelas montanhas de memória, tingidas do sangue dos nossos antepassados civilizacionais.  

         - A prova que a crise provocada pelos monstros ameaça estender-se ao mundo global, está no deserto que percorri no Corte Inglês. Quase não se via vivalma, os restaurantes sem ninguém e quando me abeirei do balcão para escolher o almoço, era o único cliente.  

         - Ontem fui ao Centro de Saúde. Fartei-me de andar, calcorreando a Avenida Ávares Cabral até ao Jardim da Estrela e de seguida a pequena rua que desce para a unidade familiar e de novo o regresso para me sentar a almoçar no 1800 - restaurante dos meus tempos de juventude. Mais tarde, desci e subi o Chiado, não falando nas voltas e viravoltas pela cidade e estações do Metro. Tinha atravessado a arrogância de um funcionário ao telefone e fui discutir com a minha competente médica, Dra. Vera Martins, o cruzamento de informação para a consulta do neuro-oftalmologista no Santa Maria.