sexta-feira, abril 17, 2026

 Sexta, 17.

Mais uma vez a CGTP desarranjou a vida a milhares de portugueses, eles que se permitem fazê-lo com apenas um por cento de sindicalizados. Ainda por cima, naquela delícia de ter escolhido a sexta-feira com o grande fim de semana agarrado. Estão contra as alterações à lei laboral, como sempre estão contra tudo o que não nasça da inteligência do PCP e do amor ao “nosso povo”. Espero que a nova lei reveja o direito à greve que é de todos os direitos aquele que se transformou num abuso e na falta de respeito pelos milhares de trabalhadores que querem trabalhar. É muito fácil tudo exigir, quando se sabe que nunca serão eleitos para governar o país. 

         - A pouco e pouco, a democracia vai cedendo. Enquanto por todo o lado os financiamentos aos partidos são públicos e acessíveis a qualquer pessoa, entre nós há quem queira transformá-los em segredo de Estado. E desta vez, ao que parece, não é o senhor Ventura.

         - Eu já estou a fazer a minha parte. Aliás há muitos anos. Ando nos transportes públicos e desde que a taralhoquice de Trump começou, que tento não utilizar o carro dois dias por semana. O presidente da Agência Internacional de Energia, avisou que as reservas de jet fuel só dão para seis semanas. Muitos voos vão ser anulados e a actividade industrial severamente atingida. Tudo isto, devido ao desastre da trupe de Trump que, qual rei absoluto do mundo, se permite ocupar o Estreito de Ormuz com 10 mil tropas, não sei quantos aviões, torpedeiros, etc. Bem sei que o Irão e os seus dirigentes não são gente que se cheire, que o diga o casal Céline e Jacques recentemente libertado do horror das cadeias de Teerão, mas, se Trump fosse honesto, teria de avançar pela Rússia, China ou Coreia do Norte, como herói libertador do povo espezinhado. Para além de que para mim, como decerto para muita outra gente, não vejo que a bomba nuclear americana e daqueles países, seja menos destruidora do que aquela que os iranianos andavam a construir e têm o mesmo direito em possuir.   

         - Mudei de quarto. Desde a chegada do novo colchão que passei a dormir no meu quarto. Durmo é certo, mas com os sentidos no outro em frente. Fechei-me lá uns dois meses, mas foi como se reinventasse o sono, as sensações, os ruídos, os silêncios. Amputado desse mundo, não me encontro neste outro que desde a origem da casa foi o meu. Daí que esta noite não conseguindo adormecer com o pensamento no outro, levantei-me e mudei-me. A cama reconheceu-me, o quarto recebeu-me, os sons do silêncio que vinham de fora chegaram aos meus ouvidos como melodia vinda dos fundos da infância, e o sono desceu das alturas afagando-me docemente.