Segunda, 12.
O país vive “à Ronaldo” como deseja Luís Montenegro. Desse modo, nasceu OE visivelmente pensado nos mais favorecidos, deixando de lado a pobreza que se vem acentuando de ano para ano. Em 50 anos, foram sempre os mesmos a governar-nos salvo no período sinistro da “gerigonça” de tão saudosa memória para o PCP e Bloco de Esquerda, que consagrou António Costa como o homem que conseguiu aglutinar num mesmo Governo a esquerda, mas de olho pesquisando e estudando a personalidade da senhorita que preside à UE com quem acamaradou até ao cargo que hoje ocupa e para o qual não lhe vejo nenhuma aptidão ou conhecimentos.
- Não quero com isto chamar o Chega como faz Passos Coelho. Devia, em abono de Portugal, estar satisfeitíssimo por ver duas eminentes personalidades a disputarem-se para o cargo de chefe do governo: o antigo governante e o ex-governador do Banco de Portugal. Um e outro, quando instados, respondem que não têm ambição política alguma, senão a de ajudar o país a sair da eterna miséria. É o blá blá do costume. Passos Coelho que durante a troika esteve à altura dos acontecimentos, não percebeu ainda o partido Chega que, tal como o PCP, o Livre, os resquícios das senhoritas do BE, vive tão só do desconsolo do povo, das suas legítimas aspirações nunca realizadas, da revolta e do imediato, própria de partidos que tudo podem prometer porque sabem nunca serão poder. É o caso do Chega, vive do tumulto, do oportunismo, do descontentamento nas ruas, não possui programa, não tem dirigentes, técnicos, pessoas com carisma e força de liderança, sendo André Ventura o carismático dirigente de um partido onde só existe ele. Sem que com isto lhe retire valentia. De resto, é graças a pessoas como ele – Marine Le Pen, Jean-Luc Mélenchon – para só citar estes dois, que a direita de Ventura prolifera. Não é tanto por aquilo que apregoa, mas por aquilo que as esquerdas lhe oferecem em promoção gratuita.
- É inevitável falar da França onde a revolta não larga as ruas de Norte e Sul. Aqui como por lá, a governação é rotineira, sem criação, sem pesquisa social, sem pessoas que se lembrem que trabalham não para si, mas para toda a comunidade. Para isso é que há ministros e secretários de Estado, administração pública e gabinetes disto e daquilo, multidões de funcionários que se deviam ocupar das pessoas e da vida prática da nação. Digamos que o dinamismo é o motor impulsionador da vida moderna, impeditivo da ronceirice, da ocupação das horas sonolentas pelos ministérios, do deixa andar. A França é, por assim dizer, um país pobre. Os franceses não querem assumir esta pobreza, deslocam o olhar dos quase 121% de dívida pública em relação ao PIB. Não é ainda a miséria, mas para lá caminha. E isso sentem os cidadãos no dia-a-dia. Mas quando por ciclos a sociedade é sacudida, num ápice aparecem as soluções que todos necessitam. Pergunta-se por que não vieram antes. O Governo francês, de repente, diz que tem mais 3 mil professores em falta nas escolas e universidades, que possui uma verba astronómica para obras nos edifícios públicos, não vai haver mais frio ou calor dentro das salas de aulas, enfim, o paraíso terreal abrir-se-á para as gerações presentes e futuras. Que blá blá monstruoso.
- Somos governados por ditadores, doidos varridos, impotentes, arrogantes, aldrabões, complexadas criaturas que despejam a impotência sobre milhões de seres humanos. Parece que um fosso se abriu por todo o lado depois da chegada de Donald Trump e do fundo subiram à vez dezenas de tarados irmãos gémeos de Hitler. Perdeu-se a dignidade dos cargos públicos, a linguagem da rua subiu aos palácios presidenciais, aos parlamentos, às cadeias de televisão, a essa vala de lixo que é a Internet. Desde aquele pobre coitado, Peter Hegseth, outrora apresentador do canal de televisão Fox, hoje secretário de Defesa dos Estados Unidos, que se apresenta de peito nu, decorado com grandes tatuagens, ter dado permissão para que o fuzilamento do psiquiatra militar que matou 13 soldados numa base americana seja transmitido em directo, temos o regresso ao mundo das trevas, à Idade Média. A estes energúmenos que nos governam, tudo lhes é permitido em nome da “democracia” que convive bem com o poder absoluto de cada qual.
- Estão aí dois homens a arranjar o que o espalha-brasas escaqueirou. Entraram às oito e ao escavarem para encontrar o cano que foi cortado, descobriram outro de onde há muitos anos se evade água para as profundezas da terra. O mais novo andará pelos trinta e poucos anos, o outro pelos cinquenta. O primeiro é magro, corpo inteiro e limpo, um piercing em cada sobrancelha; o mais velho, cabelos brancos, delgado, alto, ambos flutuam num entendimento suave, numa bolha sensível, por onde se escapa um segredo que não ousam expor ao comum dos mortais. Cala-te boca halitosa, cabeça delirante