terça-feira, fevereiro 17, 2026

 Terça, 17. 

Há dias li um artigo de João Miguel Tavares que não apreciei mesmo nada, devido ao tom e ao conteúdo. Insurgia-se ele contra o novo reitor da Universidade Nova de Lisboa, Paulo Pereira, que deu um prazo de trinta dias para que todas as faculdades passassem a ter a designação em português. Esta medida, absolutamente de acordo com a lei, indignou o habitual rabinho liberal do articulista, que apresentou como exemplo de projecção internacional, a universidade Nova School of Business and Economics porque assim designada, trouxe alunos de várias partes do mundo e está cotada entre as melhores do universo universitário. Tavares segue o provincianismo que se instalou por todo o lado, o abandalhamento da nossa língua, e a abusiva introdução não da língua de William Shakespeare, mas a de Donald Trump ou se quisermos ser tipicamente portugueses e desenvoltos no inglês clássico, a de António Costa, na nossa. Não tivesse a universidade de carcavelos professores à altura, não seria a presunção em inglês que lhe daria os méritos de que usufrui. 

         - Eu não tenho uma opinião formada sobre José Luís Carneiro. Contudo, julgo que a “geringonça” não lhe teria agradado muito e, portanto, a sua postura em relação ao PCP e Bloco de Esquerda, que responsabilizou pela queda do Governo, em 2021. Daí ter-se batido para a criação de um “centro de político” que pudesse dar estabilidade ao país – projecto que a maioria dos portugueses aprovaria disso estou convencido. Acontece, que sábado passado, fui ao encontro do João à Brasileira e dali, sendo horas de almoço, ele perguntou-me onde ia almoçar. Respondi que passei a seguir a regra do falecido Sr. Castilho, segundo o qual o melhor é comer uma sandes que nos restaurantes sem fiscalização e de onde quase sempre se sai com problemas de estômago e algum hemorroidal. Eu sei que ele adora comer e coisas pesadas embora o negue. Disse-lhe que ia à FNAC mastigar uma sandes e meia de leite – “comer é em casa”. Fomos. Mal nos sentámos, assomou a política e a minha tradicional oposição a tudo o que ele dizia. Todavia, nesse entretanto, aparece um homem dos seus cinquenta anos, que o cumprimenta e se senta na mesa próxima. Não tardou ambos trocarem palavras, sempre em uníssono, sempre atadas num único raciocínio. Falou-se da Intersindical e João criticou a quantidade de sindicatos que a partir dela se formaram. Eu disse ainda bem, porque a Inter está subordinada ao PCP e, por isso, não é independente e os seus associados fartos de saberem isso, separaram-se. A discussão azedou um tanto. A dada altura, o estranho homem, levantou-se e trocou algumas palavras com o João que eu não detive. Quando nos despedimos, diz-me o João que ele é (ou fora) um dos elementos de direcção do sindicato dos trabalhadores. Esta conversa vem a propósito de quê? Ah, do Secretário-geral do PS. Os dois, por diversas vezes, quase o insultaram, dizendo terem pena que António Costa tenha deixado o Governo e lamentaram também o volte face de Pedro Nuno Santos que se afastou igualmente. 

         - Hoje aqui foi um dia em pleno. O meu vizinho veio ajudar com o tractor e ele e o Sr. José Manuel limparam o grosso que caiu para o seu lado. Admiro a valentia desta gente que já não é jovem, mas desafia os jovens com todo o rigor, competência e generosidade. Pelo que vejo e muito há ainda para cortar, tenho lenha para mais três invernos. O trabalho, porém, vai arrastar-se por muito tempo. 


segunda-feira, fevereiro 16, 2026

 Segunda, 16.

A América é uma no cravo, outra na taralhoquice. Em mais uma reunião sobre Segurança e NATO, Marco Rubio, o ministro dos Negócios Estrangeiros americano, disse em Munique que “os Estados Unidos são filhos da Europa”, e “foram feitos para viverem juntos”. Foi o suficiente para que a plateia se levantasse em louvores às palavras daquele que serve apenas Trump (embora me pareça o mais equilibrado do manicómio da Casa Branca). Depois da sua presença de charme, logo zarpou para uma visita à Hungria e outra à Eslováquia, dois países amigalhaços de Putin. A nossa frágil e humilde União Europeia, o que pretende e ambiciona é viver na paz dos anjos, continuar a não fazer peva, distribuir bênçãos à direita e à esquerda, falar, falar, falar até que o sono e as cordas vocais os levem ao sono da História. Depois, sim, podem gozar em pleno as reformas milionárias e o prestígio que eles pensam imortais. 

         - Se assim não fosse, atente-se naquela reunião tão ao gosto do nosso ex-primeiro-ministro, num belo castelo da Flandres, Bélgica, para parlapatar sobre as reformas necessárias à revitalização da economia europeia. Eu, sem querer ser do contra, acabado o curto descanso dos nossos infatigáveis políticos num fantástico castelo do séc. XVI a que Costa chamou “um retiro informal para discutir reformas económicas, competitividade contra EUA/China e inteligência artificial”, não ouvi uma só palavra dos felizardos que, talvez por se tratar de um retiro que por essência interdita o falatório, saíram sorridentes e felizes daquele descanso entre amigos. António Costa sempre gostou do aparato e de fazer política que os subordinados aplicariam. Assim vai o mundo, arrastado por esta sorte de gente que nos coube na rifa do destino. 

         - Entretanto, por entre as reuniões inúteis e viciadas, corridas em pescadinha, o comandante da corrupção em Israel, prossegue a matança em série. Ontem foram mais de uma dúzia de palestinianos mortos. Ao todo, se este número estiver correpto do que duvido, pereceram sob as bombas dos fanáticos judeus, 72 mil palestinianos.  

         - Volodymyr Zelensky passou na reunião da NATO e aliança com os EUA de Munique. O enérgico político, primus inter pares, voltou a apelar aos pobres pequeno-burgueses dirigentes da União Europeia, que o ajudassem na sua luta contra o ditador de Moscovo. Este, exibindo a cara onde se estatelou o ódio e o cinismo, prossegue as ofensivas a centrais eléctricas, num Inverno particularmente duro para além dos ataques a várias zonas da Ucrânia incluindo Kiev.  

         - A propósito do sinistro pequeno homem, “czar de pacotilha” como lhe chamava Navalny, que submete o povo russo e o esmaga com as suas botas stalinianas, foi descoberto a semana passada algo que ninguém duvidava: Putin mandara assassinar na prisão, para lá do Círculo Polar Ártico, a 16 de Fevereiro de 2024, o seu opositor Alexey Anatolievich  Navalny. Os cientistas europeus acusam o carrasco do Kremlin de ter matado o activista com veneno de rã, uma neurotoxina que dá pelo nome de epibatidina, mais forte que a morfina. Aliás o próprio Navalny previu a sua morte às mãos de tirano. Aconselho vivamente aos meus leitores a leitura das suas memórias (Ed. Porto Editora, colecção Ideias de Ler), onde o combatente pelos direitos humanos, diz que até ao momento em que assistiu ao nascimento do primeiro filho não acreditava em Deus; a partir daí, perante a beleza e o mistério daquele instante único, passou a ser crente. Assim se vê a sensibilidade do homem nascido sob um regime ditatorial feroz. E lembrar-me eu, que foi este regime que os comunistas portugueses defenderam. 


 

        - Voltei ao lavadouro tecnológico. 


domingo, fevereiro 15, 2026

 Domingo, 15.

O bom tempo regressou e logo os rostos dos portugueses aspergiram felicidade. Somos irmãos gémeos e não podemos apartar-nos. Eu, como muitos dos meus compatriotas que viveram algum tempo no estrangeiro, sabemos bem como o astro-rei faz parte do nosso ADN. Assim sendo, por Coimbra e concelhos limítrofes, as águas começaram a descer, as populações regressam às suas casas, a vida experimentou um ar de normalidade, embora a desolação continue por todo o lado. 

         - Por aqui, tendo ontem deixado a quinta a cargo do Sr. José Manuel, quando regressei já noite, encontrei uma certa ordem com os troncos das árvores cerrados, alguns detritos queimados e muita lenha que irá engrandecer o próximo Inverno. Pela minha parte, apesar das dores nas costas, no levantar e agachar, comecei a podar as hortênsias. Trabalho demorado pela sua especificidade e cuidado. Por sobre tanta tristeza, as amendoeiras sorriem em flor. 






sexta-feira, fevereiro 13, 2026

 Sexta, 13.

O Palácio Nacional de Mafra, recentemente intervencionado com milhões do PRR, oferece ao visitante a imagem que a foto documenta. A pergunta que devemos fazer é esta: é aceitável que o monumento sofra estes estragos na sequência da intempérie ou a sua protecção foi umas simples cócegas que nos custaram os olhos da cara? Ao que dizem os jornais, a água escorre pelas paredes, o vento abana janelas e portas, o estuque cai das paredes e tectos. Este é mais um retrato de como está a fiscalização pública onde ninguém é responsável por coisa nenhuma e onde os barões bem pagos se coçam para dentro e cúmplices de muita falcatrua cospem para o lado. 

         - E todavia, a ladainha das rádios, das televisões, dos jornais, dos políticos, dos autarcas, de toda esta gentalha que nos tem governado, passado o perigo logo retorna ao mesmo rame-rame, aos sorrisos cínicos, aos negócios públicos e privados, remetendo para os ouvintes e espectadores as fórmulas precisas e eficazes da governação, como se estes fossem alguém com as suas ideias e comentários na conjuntura nacional. Recorde-se os incêndios, as muitas propostas para os evitar, e como o ano passado voltaram em força provando que nada foi deito. 

         - Disse-me esta manhã o João que é uma espécie de guarda nocturno, que choveu toda a noite em Lisboa. Eu não ouvi nada, dormindo como durmo. Quando acordei e desci, o aspeto que a quinta tinha, a chuva a cair abundante, abria o quadro do que fora a noite. Nunca o país que eu me lembre, sofrera tão prolongada e triste situação. Praticamente, com especial cuidado para a zona centro e a minha insigne Coimbra, os desastres são muitos e vão precisar de assaz de tempo para serem corrigidos. Tempo e dinheiro, sofrimento e revolta das populações, dos portugueses em geral que vêem o seu país a ficar para trás e as suas vidas reduzidas à pobreza da época de Salazar. Mas os ricos, nunca foram tantos e tão prósperos; a corrupção nunca esteve tão assanhada; a impunidade nunca bateu os recordes de hoje. Grande democracia que trouxeste mais horror e desigualdades, fazes vergonha e puseste no horizonte de atalaia a ditadura que espreita pacientemente o momento para se reinstalar. 

         - Porque falei no João, vou contar o que me disse o motorista da Carris Metropolitana. Cito antes a parábola do João que sabe do que fala, porque enquanto deputado em várias legislaturas, percorreu o país de Norte a Sul, de Este a Oeste. “Caro Helder: os portugueses são maus e invejosos.” Eu não posso afirmar que actos como este sejam frequentes, embora o funcionário me tivesse dito que eu não imaginava o que se passa nos transportes públicos. E o que ele me narrou (peço ao leitor que tape o nariz) foi que naquele mesmo carro que ele conduzia e eu ia entrar, não havia duas semanas, um/a utente, despejou os intestinos no banco traseiro corrido e com cortinados nas costas. No dia seguinte, os passageiros que entravam, denunciavam um cheiro horrível, mas ninguém identificou logo a origem nem o local. Só mais tarde um dos motoristas mandou retirar a posta, mas os protestos dos viajantes prosseguiram. Até que entrou um casal que se foi sentar nos últimos lugares e deu com os cortinados sujos que o/a selvagem tinha usado como papel higiénico. Que fizeram eles, arrancaram-nos e atiraram-nos auto-ónibus fora. As meninas do BE, estou certo, defenderiam os energúmenos, com a máxima de que eles não eram culpados, mas sim a sociedade que não os soube educar.


quarta-feira, fevereiro 11, 2026

 Quarta, 11.

Demitiu-se Maria Lúcia Amaral, ministra da Administração Interna, por se sentir incapaz de fazer face à fúria da intempérie e às desgraças que aconteceram por todo o lado. Todavia, é de todo o direito dizer, que ela foi honesta quando falou que estamos todos a fazer um processo de “aprendizagem colectiva”. Os oportunistas, os que querem o poder e a fama a todo o custo, interpretaram à sua maneira algo que a ministra disse com humildade e sapiência, ante um fenómeno natural nunca visto que nos dá a todos a oportunidade de  aprender. 

A verdade, porém, é esta: são culpados do que está a acontecer os que nos governaram nos últimos vinte anos. O país esteve entregue à dupla PS/PSD   que só avançou quando os portugueses se manifestaram nas ruas exigindo trabalho, competência e espírito criativo aos sucessivos governos. A vidinha ronceira, um toque aqui outro acolá, a propaganda ideológica, a corrupção, o compadrio, a falta de fiscalização, o enriquecimento ilícito, as falcatruas disseminaram-se por todo o lado, o poder era exercido quando a população pressionava, os vencimentos muito acima da maioria da população, caíam redondos e chorudos nas suas contas bancárias, a vida estava para quem lhe saísse a grande lotaria do poder. Fazia-se (faz-se) tudo o que as companhias com poder e dinheiro queriam: edifícios sem controlo técnico, postos de alta-tensão junto a propriedades, a pinheiros e a toda a sorte de árvores, gruas cresciam no meio do casario, estradas eram abertas sem nenhuma fiscalização, etc., etc., etc.  Os ministros formam-se nos gabinetes ministeriais, a rua é para o povão. Nas desgraças os lucros crescem, os arruaceiros enriquecem, os políticos demitem-se, a oposição em bicos de pés aproveita as dores e as tristezas para lamber as lágrimas dos infelizes. 

         - Noto que depois de há dois meses ter sofrido dores insuportáveis nas costas que quase me paralisaram, passei a coxear melhor. Daí que, por exemplo, hoje no metro e no autocarro e noutros dias nos mesmos transportes públicos, gente nova me dá o lugar, quer ajudar-me a entrar aqui e acolá. 


terça-feira, fevereiro 10, 2026

 Terça, 10.

Dizem-nos que as receitas fiscais do Estado cresceram mais do que a economia. A isto chamo eu uma economia parasitária. Vivemos continuamente de esmolas, o dinheiro sai e entra dos cofres estatais, mas este movimento não se chama progresso, desenvolvimento, emprego pleno, projectos para o futuro. 

         - Tive uma grande satisfação em saber que o meu amigo de um longo tempo das nossas vidas, apesar dos seus 87 anos, está vivo e continua a fazer longas metragens como director de luz e fotografia em filmes que ficaram para a história: Acácio de Almeida. Privámos muito, almoçávamos com regularidade, e, embora ele não falasse bastante e fosse extremamente discreto, um sorriso pairando sempre no seu rosto sereno, falava eu pelos dois, horas a fio, num ronrom interminável. A vida separou-nos, penso que ele já não vive em Lisboa, mas guardo recordações felizes de um período solto e vivo irmanados pela arte e a amizade. A entrevista que Acácio deu ao Público na edição de domingo, devolveu-me temas e personagens, luares e situações que eu bem conheço. 

         - O affaire Jeffrey Epstein na sequência de milhões de documentos, conversas, fotografias divulgadas pela justiça americana, não chamusca somente Donald Trump, mas todos os grandes vigaristas e pedófilos do mundo moderno. O socialista francês, presidente do Instituto do Mundo Árabe que eu frequento sempre que estou em Paris, Jack Land, apresentou a demissão quando o seu nome engrossou a lista de inúmeros outros, da monarquia inglesa, a Elon Musk, passando por Bill Clinton, Bill Gates, até David Copperfield como o antigo primeiro-ministro de Israel Ehud Barak. A lista é infinda, tudo boa gente, que soube aproveitar-se da fortuna do criminoso em festas galantes, onde o sexo era servido em doses adolescentes.  Como tudo isto vai terminar? Tendo em conta o criminoso máximo, Donald Trump, findará na gaveta funda da história dos tempos presentes. 

         - É curioso analisar as acções dos governantes e como elas os transformam em pessoas diametralmente opostas àquilo que eram quando chegaram ao poder. Dois exemplos: Pedro Sanchéz e Emmanuel Macron. O primeiro não é estimado pelos seus concidadãos; o segundo idem. Os dois têm em comum uma boa imagem do mundo, com diretivas certas sobre os principais assuntos que atormentam o planeta. No caso de Presidente francês, no tocante a Trump, não desarma. As últimas: a Europa não pode “baixar a guarda” face a Donald Trump, que tem uma estratégia “abertamente anti-europeia” e gera “instabilidade permanente”.

         - Dia de uma tristeza sombria. Não pus o nariz de fora, mergulhado na escrita e na leitura, um fundo de música de Vivaldi para alegrar o ambiente, um olhar perdido no destino que me trouxe até aqui. 


segunda-feira, fevereiro 09, 2026

 Segunda, 9.

Como se esperava António José Seguro foi eleito Presidente de Portugal com folga bastante para calar Ventura e poder exercer o cargo com autoridade democrática que os portugueses lhe outorgaram. Foi uma vitória contra a maluqueira do homem do Chega, contra os senis capitães do PS e contra António Costa que o ultrapassou pela esquerda e deixou o país numa rebaldaria. A abstenção e os votos nulos, são inquietantes porque rondam o desinteresse de metade dos portugueses que deixaram de acreditar na democracia. 

         - Esta manhã, continuando sem água, indaguei do Mr. Johnson se havia por aqui uma loja com máquinas automáticas de lavar roupa. O homem sabe tudo e tudo parece corresponder ao que falta a tanta gente. Assim, esta manhã, pelas oito, vi-me numa cena da Aldeia da Roupa Suja na versão tempos modernos. Quando cheguei, observei um punhado de mulheres à roda de umas seis máquinas de lavar e secar, em discussão amena, as vidinhas expostas ao sabor dos sentimentos. Apenas um homem, um rapaz de uns trinta anos, já com pouco cabelo, pró-gordo, olhar vivo, um leve sorriso tímido, também com o seu saco de roupa em fila para vaga de uma máquina. As mulheres falavam pelos cotovelos. O curioso é que eu não entendia nada do que diziam, embora parecessem estar de acordo umas com as outras enquanto o tambor da máquina rodava a bom ritmo. No ecrã ia correndo o tempo, cerca de 30 minutos para lavar e quinze minutos para secar. Eu coloquei-me atrás dele e dele me servi quando chegou a minha veze para tomar contacto com aquela pedra dura dos tempos presentes. Admiro sempre as novas tecnologias que, com efeito, nos facilitam a vida. Os monstros aceitam tudo: cartão bancário, notas, moedas. Nesse entretanto, fomos trocando conhecimento, eu fui tomar café (sem esquecer o registo do tempo no meu telemóvel), ele ficou de vigia aos sacos de roupa e ao términus da lavagem. Como tinha menos roupa, fiquei na máquina mais pequena e mais rápida, coordenada com o peso da roupa que ia lavar. Foi ele mais tarde que me ajudou passar as peças lavadas para a tombola gigante que as ia secar. E deste modo, sob chuva que não parou um segundo, regressei a casa outro solitário mais glorioso de o ser, quando vem em nossa ajuda estas coisas medonhas, modernas e simpáticas que nos emolduram a existência.

         - “Je m´aperçois qu´à mesure que j´avance et que le passé grandit, grandit aussi l´avenir, qui est l´éternité.” Julien Green, pág. 781. Não posso estar mais de acordo.