sexta-feira, outubro 09, 2026

 Sexta, 9.

Portugal, para nossa desgraça, não passa disto: a corrupção devora-nos. Ontem, cerca de mil elementos da Judiciária, andaram por todo o país à cata dos vigaristas que montaram um esquema de tal modo sólido e extensivo ao estrangeiro, de fuga ao IVA. No plano o Estado ficou sem 450 milhões de euros e deteve 39 implicados que faziam vidas de milionários onde os automóveis de 100 mil euros imperavam, a par de vidas airadas de luxo saloio e fantasias sem limite. O submundo dos pobres, dos trabalhadores honestos, esforça-se para manter a dignidade do país – em vão. 

         - Netanyahu e os companheiros ortodoxos, recordaram o terceiro ano do atentado terrorista de há três anos onde morreram mil e poucos israelitas. De então para cá, mataram 75 mil palestinianos inocentes, reduziram a escombros toda a Faixa de Gaza, fizeram um acordo de paz e não cumpriram, associaram-se ao louco Trump no ataque ao Irão, invadiram o Líbano, estão a destruir a Cisjordânia. 

         - O espalha-brasas causou tantos estragos levando a eito tudo sem pensar, que provocou um curto-circuito, a bomba avariou, tive uma inundação na casa das máquinas; para acudir a este desastre chamei o técnico do furo, dois canalizadores e por certo a conta da electricidade vai ser de montante. Até agora já desembolsei 120 euros. 

         Vim no autocarro que me trouxe de Lisboa a pensar no senhor José Manuel e com os meus botões disse: “Não posso desfazer-me de uma pessoa como ele que, quando da tempestade do início do ano, veio aqui numa aflição cortar as árvores tombadas, passou nesse trabalho uma manhã e quando lhe perguntei quanto lhe devia, me respondeu: `Numa aflição não se leva nada.”  


quinta-feira, outubro 08, 2026

 Quinta, 8.

Ontem, quando desci do último andar do C.I. onde estivera a almoçar (os preços estão a galopar), passei na loja Rolex e parei para observar um relógio de pulso. Talvez me tenha demorado um tanto, porque o funcionário aproximou-se a perguntar se queria alguma informação. Contudo, o que me retivera o passo, fora o seu preço: 61 mil euros! Respondi: “Se ao menos este modelo retivesse o tempo!” Ele sorriu e afastou-se, talvez pensado: “Um filósofo a esta hora!” 

         - Uma cientista russa morreu vítima de uma bactéria quando trabalhava no seu laboratório na Sibéria. Logo o mundo se inquietou e informações foram pedidas, mais a mais porque as colegas ficaram de quarentena. Sendo o regime uma ditadura, dali só sai o que o chefe autorizar. A Europa e o mundo, reza para que não tenhamos outro vírus idêntico ao da Covid, uma vez que o retrato parece tirado a papel químico daquele que nos trouxe o SARS-Cov-2. 

         - Há algo de que o país é fértil para além da muita corrupção: a leviandade pública, o salve-se quem puder, que se lixe o cidadão. Exemplo recente: os aposentados da Caixa Geral de Aposentação. Inquiriram do montante mensal que iriam receber por mês, obtiveram a resposta e meteram o requerimento iniciando nova vida. Quatro meses depois, dizem-lhes que o organismo se enganou no cálculo e eles terão de devolver ao Estado o excedente, uns 90 euros, outros cento e tal euros mês e acrescenta: é da lei. O Estado e a sua Administração Pública, incompetente, baldas, nas tintas para os cidadãos, passa incólume sobre tudo e todos. Apurar erros, não é hábito em Portugal. 

         - Morreu Maricarmen Abascal, a senhora que originou o mar de protestos contra os despejos em Espanha. Tinha 87 anos e estava internada num hospital de Madrid desde que foi despejada da casa onde viveu parte da sua vida. Não se conhece o que provocou o seu desaparecimento. Eu, quando a vi na TV, parecia-me uma senhora com vitalidade, estranho a sua morte. Seja como for, os espanhóis erguem-lhe pequenos altares nas ruas com a sua imagem e muitas flores.  

         - O governador do estado norte-americano da Califórnia, proclama a aplicação da 25ª. emenda da Constituição dos Estados Unidos para afastar Donald Trump. Motivo: o homem é “doente mental”. Há quanto tempo venho eu dizendo o mesmo nestas páginas. Se os americanos me lessem... 


terça-feira, outubro 06, 2026

 Terça, 6.

Que desordem vai por aí! Não é ainda a barafunda dos tempos de Costa, mas para lá caminha aos passos trapalhões de Montenegro. Para já, pergunta-se quem não faz greve nestes dias atormentados? Todo o mundo se encolhe porque a revolta atinge sectores tão diversos como: os empregados da easyJet, os professores, os fatigados da ALMA, os tristes dos bancários, os escuros das prisões e estou a esquecer-me de outros mais. 

         - Este desassossego, também acaba por atingir os profissionais da inquietação que comentam o discurso de António José Seguro do palanque da Câmara de Lisboa, no Largo do Município vazio de republicados à parte os profissionais da política obrigados a marcar presença (o povo aproveitou a greve para descansar, ferrar os ouvidos e engordar com dois quilos de torresmos), com as palavras que se lhes adaptem, embora eu continue sem perceber quem é e o que pretende o actual Presidente da República. Até aqui, as suas intervenções foram, de um modo geral, delicodoces. Limpa um pouco o pó que está à superfície, lava daí as mãos e lá vou para Caldas da rainha. Enquanto Marcelo era o trolaró de serviço, este parece ser o da concórdia, um sorriso discreto permanente no rosto, um besoirar de lábios onde se persente “deixem-me em paz”?  

         - Talvez tenha a sua razão ou talvez não tenha razão nenhuma. Socialista do antigamente, rejeitado pela maioria da classe reinante ao tempo de António Costa, ei-lo desimpedido para pensar pela sua própria cabeça. Daí ter louvado o acordo entre PSD e PS para o Orçamento de Estado. Até aqui... acontece que toda a esquerda, cavalgando o risível, saltou em cima de um e outro afirmando que ambos deixam passar um documento fundamental... sem ainda o haverem conhecido. Todavia, o PCP e acólitos já disseram, preto no branco, que votam contra OE que me conste sem o... conhecerem. 

         - Quer-me parecer que a França vai renovar o Maio de 68. 

         - Fui à piscina. Lá encontrei os mesmos velhotes, um ou outro desconhecido, dois, nus, a untarem o corpo minuciosamente, sobretudo as partes íntimas (o “termómetro” e o resto) com um creme hidratante, enquanto discutiam a novela Ronaldo vs Jesus. 


segunda-feira, outubro 05, 2026

 Segunda, 5.

Pedro Sánchez, na sequência do escândalo Maricarme, decidiu chamar os espanhóis às urnas. Não sei se foi a melhor medida, sei que os socialistas vão ser corridos por corrupção onde estão chafurdados da cabeça aos pés. Ao querer modificar a lei da habitação que, de resto, vigora há imensos anos, afundou-se utilizando politicamente a senhora de 87 anos, presa a uma cadeira de rodas, e atirada porta fora da sua residência para um hospital. O problema dos socialistas é sempre o mesmo: são ou não social-democratas? Que tipo de ideologia os sustenta? Adoram a riqueza em pé de igual com a direita ou fazem dela o instrumento social capaz de incitar a igualdade? Sánchez, como Macron, internacionalmente fazem a diferença numa Europa rendida e bajuladora de Trump; internamente são incapazes de pôr de lado as ideologias e trabalhar em prol de uma sociedade mais justa e equilibrada. 

         - Eu, como os meus leitores se recordarão, fui sempre defensor de Rui Pinto. Entre os “crimes” que ele praticou ao assaltar certas páginas transaccionadas na Internet - esse alçapão de misérias e vigaristas da pior espécie -, pondo a descoberto crimes de lesa-majestade que fulanos do futebol e não só praticam atrás do tapume da impunidade tecnológica, esses crimes, comparados com aqueles que ele pôs a nu, não passam de adendas morais que outros países aproveitam para caçar tubarões humanoides. Veja-se o caso do Manchester City, tão bem aproveitado pela justiça do Reino Unido, que acusou a instituição de 114 casos de corrupção ou a França que tão grata ficou ao hacker, para não falar no (entre nós misterioso) caso Benfica e por aí fora. Em Portugal, com a rama de advogados que conseguem dar várias voltas às leis até as corromperem, abusando do calvário de prescrições, os crimes acabam mortos por nunca terem existido. 

         - O funcionários públicos, estão muito agradecidos à CGTP pelo fim-de-semana duplo. 

domingo, outubro 04, 2026

Domingo, 4.

A parte de o Pentateuco consagrada ao Êxodo, é sem dúvida a mais fascinante, não obstante as imensas contradições. Ocupa-se da adopção dos filhos de Israel e da construção da Casa Comum. Depois de a rebelião dos israelitas, YHWH, todo misericordioso, revela-se o único e verdadeiro Deus. Conduz Moisés e seu irmão Aarão através do deserto, com muitas privações pelo caminho e descrença do povo, sacrifícios e desistências, montanhas, mares e nesse longo caminho, vai construindo as bases que hoje sustentam não só o judaísmo, como o cristianismo. É certo que com a vinda de Jesus Cristo, alguns fundamentos foram abalroados e daí, talvez, as muitas perseguições dos judeus até à crucificação na cruz. Os ortodoxos judeus, não aceitam o Novo Testamento, porque rejeitam Jesus. Segundo eles, Deus tal qual o imaginam e crêem, não podia descer entre nós para morrer numa cruz como tantos humanos (dois dos quais de cada lado) às ordens de Pôncio Pilatos que, de resto, lavou as mãos da condenação farto das insistências falsas dos judeus. Seja como for, a verdade é que é na junção do Antigo Testamento com o Novo Testamento, estão as bases onde assentam muitas religiões emanadas de um Deus único. Aliás, há muita coerência, entre um e outro, apesar de distarem séculos. O Messias sabe-se que viveu na Palestina no reinado de Tibério é, portanto, uma verdade irrefutável. E também é histórica a Grande Revolta Judaica de 66-71; nessa altura Roma destruiu Jerusalém e o seu Templo, assim como uma grande parte da Judeia.    

         - Liguei a televisão. De repente vejo-me na Sé da Madeira, sendo dia da Armada, cheia de militares de farda branca, oficiais de condecorações ao peito, e o seu bispo Nuno, de rosto gorducho e feliz, tecendo panegíricos a suas “excelências” a maior parte de uma mediocridade confrangedora. Desliguei. Não suporto ver e ouvir o despautério sacerdotal, na casa de Deus, eleger cristãos de primeira e de segunda, os primeiros instalados junto ao altar-mor, os outros na rectaguarda perto da porta da rua. Imagino a almoçarada que se segue com os funcionários eclesiásticos.  

         - Este mundo está metamorfoseado no inferno. A semana que findou, trouxe-nos mais um atentado terrorista. O avião da companhia Flydubai com destino a Telavive, tinha como co-piloto, um radical que possuía a intenção de o estatelar no solo e, para isso, desatou a golpear com um canivete o comandante. O alarde chegou aos passageiros que se precipitaram para a cabine. Por sorte, entre eles, seguiam dois pilotos de carreira que prontamente se ocuparam do aparelho, e quando este estava perto do solo, conseguiram orientá-lo para o aeroporto da Arábia Saudita onde aterrou sem problemas. Ao que parece, o assassino tinha ordens criminosas do Irão.  

         - Alinho estas linhas apenas para não me sentir só. Teresa de Sousa que o Torquato da Luz me apresentou (julgo) no Jornal Novo, escreve hoje no Público sobre a situação complexa do mundo, com a guerra quase instalada na Europa, enquanto “nós, por cá, passamos a semana a debater freneticamente o assunto Cristiano Ronaldo” e conclui: “Estamos todos bem.” 

         - Troveja, está escuro, chove.

 

sexta-feira, outubro 02, 2026

 Sexta, 2.

Ontem, depois de ter posto on-line o que me ocorreu, subi para tomar um duche. No quarto tenho um pequeno aparelho que está sempre conectado com a TSF. Eis se não quando, uma voz feminina, firme, incisiva que fala do que eu tinha escrito – a comentadora Margarida Davin. Que disse ela que me honrou por pensar como eu e dando-me a satisfação de não ser nenhum chico esperto original. Disse a jornalista: "É, no mínimo, bizarro que um primeiro-ministro, um chefe de Governo, perca o seu tempo a tentar interceder numa questão que poderá ser muito importante para quem gosta muito de futebol e para quem segue a seleção, mas que, para lhe chamarmos crise, só com muita boa vontade, porque, efetivamente, crise é aquilo que se vive quando não se tem acesso à habitação, quando não se tem acesso à saúde, quando há cada vez mais dificuldades no acesso à educação”, acrescentando: "só pode ser considerada normal num país em que, efetivamente, o futebol transforma-se num ativo político". E ao finalizar: "No gabinete do primeiro-ministro, já há muito tempo que se percebeu, até através das publicações nas redes sociais, que o futebol rende e que torna o primeiro-ministro alguém popular e simpático (...) preferia que Luís Montenegro gastasse energia noutros problemas: Isso, sim, são crises, quando tentamos fazer face ao custo de vida e cada vez o mês é mais longo do que o salário. Isto são as verdadeiras crises nas quais é suposto um Governo se concentrar, nas quais é suposto um primeiro-ministro gastar todas as suas energias e não propriamente acorrer a um pequeno drama na seleção, que é muito importante, lá está, para a Federação, para a Seleção e para todos os adeptos, mas que está muito longe de constituir uma crise nacional." Enfim. não estou. 

         - Cedendo aos apelos do João, fui hoje à Brasileira e encontrei-me com o Paulo Santos, Alexandre, Virgílio. Bons momentos, nada de politiquice, apenas a vida a estender-se ao correr da conversa. Recusei ir almoçar com eles. 

         - Paulo Santos, lê-me um pequeno fragmento do que enviou, em francês, para o editor. No livro ele decidiu citar-me numa nota que acima escrevi sobre a Saudade. A eternidade está-me garantida. Vergílio Ferreira cita-me no seu Diário, agora o Paulo eterniza-me no seu livro sobre Lisboa. 


quinta-feira, outubro 01, 2026

 Quinta, 1 de Outubro.

O país parece um território de moribundos a carpir desgostos de séculos. Tudo porque um tipo arrogante, convencido, deselegante decidiu deixar os campos de futebol, tomar o seu jacto particular e regressar ao leito materno. Fica-me de tudo isto, a personalidade forte do homem que, sem o sacudir, pô-lo a andar. O primeiro-ministro de Portugal, telefonou às personagens a tentar remediar a pieguice do dito “maior jogador do mundo”, mas não me lembro do ver acercar-se dos que precisam de um lar, saúde, educação e uma vida digna. Que pobreza! Que ridículo! Que imagem de país do terceiro mundo!  

         - A habitação como tanta, tanta coisa não foi sendo resolvida ao longo de 50 anos de democracia, ao ponto de tantos seres humanos, dignos, trabalhadores, honestos e activos não terem uma casa para morar e, alguns, nem ganharem para um mísero quarto com uma cama. Na origem desta desgraça, está uma tal Assunção Cristas, decerto ela e os seus com apartamentos a necessitar de impulsos financeiros, que lançara a desordem, atirara para a rua velhos e novos, impulsionara o aumento desnorteado dos alugueres com ainda hoje apelidada de “lei Cristas”. A criatura, como ministra, era um desastre, uma espécie de pacóvia deslumbrada, que soprava horrorosos sermões que nunca me convenceram e só alimentaram a lei do mais forte, fosse ele governante ou fundo de investimento imobiliário. De seguida, veio António Costa e o seu amor aos pobrezinhos, aos deserdados da sorte, que nunca cuidou do direito à habitação plasmado na Constituição e deixou proliferar a moda AL prontamente apanhada pelos gananciosos de riqueza fácil e nenhum trabalho. Em desespero, milhares de jovens saíram à rua. Foi quando aquele que se governa junto dos corruptos em Bruxelas, acordou da longa letargia do poder e olhou, ainda que timidamente, para as novas gerações que dormiam ao relento ou em tendas nas ruas. Pobre país que tão insignificantes políticos possui comparado com a riqueza de povo digno e humilde que possui. 

         - Grande tristeza o falecimento da Piedade. Só não me derrotou, porque há mais de dois anos ela tinha deixado de cuidar desta casa e do seu residente. Grande amiga que a Annie era, quando cá vinha trazia sempre uma lembrança para a “que tão bem trata de ti”. Foram mais de trinta e cinco anos de amizade e respeito mútuos. Repousa em paz terna amiga, que Deus te compense pelo muito que sofrestes.