quinta-feira, agosto 20, 2026

 Quinta, 20.

Aqui fiquei mais de um mês refém das dores, de alguma fome, sem poder conduzir, à mercê da caridade de vizinhos e amigos quase todos de férias. Quem surgiu do céu, foi Jacquis e a mulher que prontamente se dispuseram a ir ao supermercado comprar o necessário, assim como, ele, se prestou a levar o meu carro à inspecção, depois de eu dias antes do acidente ter ido ao ACP renovar a respectiva carta de condução. Habitando em França, tinham chegado para vender a casa paterna e um terreno, operações realizadas em dez dias, tal o interesse por tudo quanto está a venda nesta zona. Depois, pela forma mais expedita, começaram a brotar os telefonemas, as promessas, a deixas de “se precisares de alguma coisa, apita”, “olha, estou longe, de contrário iria aí ajudar no que precisasses”, “espero que recuperes rápido”, e, por fim, aquela do Corregedor antes de partir para férias, Caminha, para a tal “casa de campo com piscina”, contactou, condoído, conhecidos comuns para que não deixassem de me telefonar. Esta trágico-comédia, ficou em cena cinco semanas e a personagem principal ia decorando - conforme lhe permitia o pouco juízo que lhe restava - , os tons magoados que lhe chegavam aos ouvidos e ecoavam na solidão imensa que se tinha aberto em seu torno, enquanto na prática, apenas contou com os franceses, o Sr. Gaspar e, quase no fim, a Maria José regressada de Salamanca com três ovos, um pudim flan e uma caixa de figos tendo eu as figueiras a abarrotar... Teria a cortina do proscénio desci aí? 

         Quem iluminou este espaço, encheu a casa de alegria, movimento, simpatia, entrega e no pouco tempo que aí estiveram melhoraram visivelmente o paciente-impaciente, foram os meus sobrinhos: Gi e Nuno. Que surpresa encantadora! Eles não pararam, regaram as árvores, o moribundo jardim, levaram-me ao super, cozinharam deliciosos pratos que foram arquivados no congelador e ainda hoje me alimentam, levaram toneladas de roupa às máquinas malucas do Continente, refizeram-me a cama, varreram todo o rés-do-chão, encheram os serões de conversa ora solta, ora teclada no piano doce da ternura familiar que é sempre para mim estupefacção e surpresa. Quando eles me viram à chegada, ficaram impressionados com o aspecto do tio bizarro e solitário – magro, olheiras fundas, rosto fechado de sofrimento. Que fora feito daquele tio airoso, belo, sem idade, sempre divertido e afável, questionavam-se. Quando eles partiram depois de um almoço lá fora, caiu aqui um medonho silêncio, a casa fechou-se sobre si própria e o portão que sempre esteve aberto dia e noite, oscilou na espessura das horas que a solidão abraça e toma conta de tudo. 

         Todavia, senti amparo nos telefonemas diários da Alice (Caldas da Rainha), do Alexandre que vive lá para Oeiras, na atitude do meu querido vigilante Filipe que um dia, tendo eu ido ao curativo a Lisboa e deixado para trás o telemóvel, assustado, telefonou para a minha vizinha da frente, uma senhora africana com quem falei uma só vez, e tem negócio de casamentos e batizados que o Filipe contratou para celebrar o seu casamento com a mulher com quem vive há anos e têm dois filhos. Ela falou-me à noite e in petto queria cá vir trazer-me uma sopa acabada de fazer... 

         Eu que sempre vivi só e adorei esta dádiva dos céus, oscilei e repensei a vida a partir de um acidente que, em verdade, não seria diferente se vivesse num tabuleiro em Lisboa ou Paris. A humanidade, hoje, vive franzida de afectos, de solidariedade, de humanidade. A hipocrisia tomou conta de tudo e a estupidez serve-se em doses compactas nos ecrãs das televisões. A (des)cultura com que os programas embriagam as pessoas e exibem propagandistas ignorantes, é, com efeito, imoral e vazia de tudo. Ao tema voltarei, até porque não podendo ler ou escrever, estando a maior parte do tempo deitado, percorri todos os canais e descobri coisas que não imaginava possível num país civilizado.  


quarta-feira, agosto 19, 2026

 Quarta, 19.

... trágico porque ao chegar ao quarto, depois do esforço de subir as escadas de pedra em caracol, tremendo da cabeça aos pés, caí redondo no soalho. Levei para cima de quinze minutos para me atirar à cama, a transpirar, num desespero e esforço hércules para me erguer. Pensei passar a noite no chão, mas o candeeiro aceso não era boa companhia. Arrastei-me para entrar pelos pés da cama, mas fui duas vezes cuspido. À terceira fui capaz de chegar aos lençóis e arrastei o corpo para a cabeça do leito, exausto. Tomei então um comprimido para dormir e adormeci num tremor estúpido que não me largava. Bref. Acordei no dia seguinte completamente num traste: doía-me o corpo, qualquer gesto me anunciava a morte. Quando pus os pés no chão, olhei o pé e a perna marota e vi manchas negras por todo o lado: veios vermelhos que subiam até ao joelho, o tornozelo como uma batata, a anca negra, os cotovelos dos braços escuros. Mesmo assim não me rendi. Ir ao hospital estava fora de questão depois da última experiência no S. José. Acontece que daí a dois dias tinha consulta com a minha médica de família para lhe apresentar o exame às caróticas e, não obstante o extremo sofrimento, continuei a conduzir e na tarde aprazada estava na frente da boa doutora. Quando ela viu o meu membro inferior, estarreceu e num protesto quis saber por que não fui às urgências. Depois chamou uma enfermeira e esta prontamente começou a extrair com uma seringa o muito pus da perna e pé. Os que vinham de outros gabinetes, emitiam um ai de espanto – de facto eu estava numa miséria, as alpargatas de quarto ensopadas do líquido que parecia vir de todo o lado, dores insuportáveis. A Dra. Vera disse-me que o que via só um antibiótico podia curar, a enfermeira de acordo com ela acrescentou que eu tinha ali para um mês. O bom do Sr. Gaspar que me tem socorrido sempre, amparou-me da saída ao táxi. Chegados a Palmela, fomos à farmácia aviar o veneno e mais um outro para as dores e um terceiro para os possíveis desarranjos de estômago. Aqui estive cinco semanas, com duas idas ao centro de saúde, terças e sextas-feiras, dores insuportáveis, sempre deitado porque nem um ovo podia estrelar de pé. No frigorífico não havia mantimentos para mais de três dias. E esse foi o drama que me levou a ter dias em que quase não comia – emagreci cinco quilos. Mas foi também um tempo de aprendizagem, de conhecimento humano, de teste aos ditos amigos, de confronto com a realidade e recrudescimento dos valores que me têm orientado ao longo da vida. Eu já tinha poucas ilusões, estas eclipsaram-se, é tempo de encarar o futuro sob outros auspícios. Assim Deus me ajude. Quanto ao período imobilizado, aos “amigos” e amigos, falarei mais tarde. Seja como for, o dia é para mim hoje de regozijo – pela primeira vez peguei no carro e fui ao supermercado e passei uma boa meia-hora no café a meditar.  


terça-feira, agosto 18, 2026

 Terça, 18.

... Depois, quando uma tarde cheguei a casa após consulta oftalmológica no Pulido Valente e sentia o estômago num rebulício, não propriamente com dores, mas um mal-estar que antes de me deitar decidi acalmar com meio copo de Água das Pedras. A causa não fora o almoço no Corte Inglês, de resto muito simples (arroz com peito de frango), que me causara o incómodo. O que sei, logo que a água entrou no meu corpo, desatei a tremer como se estivesse nos invernos frios do Alasca. Subi a procurar uma camisola grossa, desci com ela vestida, e sentei-me no sofá do salão em tremuras bizarras. Daí a um tempo, voltei ao meu quarto, pus um cobertor sobre o lençol, tomei um comprimido para dormir e daí a bocado adormecia. Senti-me bem no dia seguinte, tinha descansado o suficiente, estava restabelecido. Mas da cabeça não me saía a garrafa da água que dizem fazer milagres nos problemas gástricos. Antes de me deitar, fui à cozinha testar o produto. Mal tinha engolido um pouco do seu conteúdo, desatei num tremor medonho, idêntico ao da noite anterior – a causa estava encontrada, o que se seguiu foi trágico... (suspendido para dizer que acabei de chegar de Lisboa aonde fora para o curativo, ao todo já dez viagens).  


segunda-feira, agosto 17, 2026

 Segunda, 17 de Agosto.

Há um mês que aqui não venho molhar o entusiasmo e celebrar a vida. Muitos são decerto os leitores que se interrogaram que será feito do genial diarista ou do viperino autor de descrenças? Ele aqui está inteiro e necessitado de, pelo interior de si próprio, explanar as circunstâncias de uma tal ausência, visivelmente reconfortante quando, não obstante, o número de leitores não cessou de subir. Começo por dizer que neste tempo atravessei o deserto da dor, da solidão e da fragilidade humana. Venci? Não sei, quando estamos presos à vida por cordões sensíveis que nos permitem atravessar o espaço minúsculo, por onde ela corre sem nos oferecer certezas nenhumas, nem segurança total, nada de substancial se retém em nós. Talvez apenas a fé, enquanto mensageira do incógnito, mistério de uma presença serena que persiste em se impor no segredo de tudo o que não se conhece e solidifica em nós um destino, que só conheceremos quando esquecermos a vida que vivemos e gozámos na plenitude da esperança... (interrompido, vamos com calma). 


quinta-feira, julho 16, 2026

Quinta, 16.

Decidi não deixar estes claustros hoje. Quando acordei a abri as janelas de cima, pus-me a admirar a quinta que adquiriu outra beleza com o trabalho do Luís Correia. Parece maior, e as poucas árvores que restam de várias dezenas, compõem com encanto o espaço trazendo-me à memória loucuras do passado quando aqui cheguei cheio de energia, criatividade e treslouquices de braço dado com o João seu anterior proprietário. Só a luz e o silêncio parecem os mesmos, uma e outro irmanados num estrondo de magia que se repercute no ar e afaga num ápice todos os temores e rumores da minha futura existência fora desta liberdade, deste recanto isolado, pouso de pássaros vadios, de cobras, de rãs, de todos os répteis que entram e saem sem pedir autorização. Tomado o pequeno almoço, fui vadiar por este hectare de terra a apalpar, a escutar a palpitação das figueiras, romãzeiras, pereiras, macieiras, marmeleiros colher o resto de pêssegos que a passarada não quis e uma tigela de amoras, enfim, parando demoradamente para reter este espaço sagrado, o convento recuado no tempo, o deslumbre de verde que compõe a pauta musical de uma canção que os pássaros e o cuco de vez em quando ecoam com suas vozes melodiosas, por onde esbanjam a juventude que a mim me vai faltando não obstante os exames que me dão na pré-adolescência... 

         - Ao que leio são já 12 mil as mortes em toda a Europa devido ao calor que não nos larga. Para cúmulo, em Fontainebleau, nos arredores de Paris, a célebre floresta que eu tantas vezes percorri e onde se passa tanta coisa pela noite dentro, está a arder. A França não estava habituada à canícula e agora vai ter que pensar nela, substituir os telhados de ardosa, instalar aparelhos de ar condicionado e por aí fora. 

         - Sinto especial encanto pelos fins de tarde sentado no pátio, um ligeiro vento fresco a cirandar em torno de mim, debruçado sobre os meus autores. Tento sempre reservar uma hora para me dedicar ao supremo prazer das leituras. Nesta altura o fim da Encíclica de Leão XIV e o Géneses, sem negligenciar a passagem pelos jornais, sobretudo o Público. O Black que é a paz em pessoa, adora esses momentos e aproveita-os para se deitar ao meu lado, bem colado a mim.  

         - Enquanto a gritaria campeia na Assembleia, eu registo o país real nestes dados: 615 inquéritos abertos por ofensas à integridade física em 2024 nas forças policiais; “quem me dá uma chapada na cara (diz um agente da autoridade), em função do meu serviço, vai ter que se embrulhar comigo até lhe meter as algemas. Se é homem para me bater, vai ser homem para levar”; “não posso bater (diz outro polícia), mas depois eu é que levo no focinho? Jesus Cristo veio à terra, deu uma face, deu a outra. Eu sou abençoado, mas não sou Jesus Cristo”; outro agente afirma “natural ou, às vezes normal, um agente da autoridade vir a “apertar”: berros e torturas. Algumas agressões vieram a acontecer, até alguns actos de tortura”. Quanto às célebres e sinistras acções da PSP no Largo do Rato e Bairro Alto, entre 2023 e 2025, alguns polícias foram acusados de falsificação de autos de notícia, suspeitos de tortura, abuso de poder, abuso sexual, ofensas à integridade física e roubo em mais de uma dezena abusos aos detidos naquelas esquadras. 

 

quarta-feira, julho 15, 2026

 Quarta, 15.

Sebastião Bugalho está em todas. Continua deputado europeu, ganhando daí os milhares que trará de Bruxelas no fim do mandato e porta-voz do PSD além de seu vice-presidente, que até dará para adquirir um cavalo Lusitano. Bravo Bugalhito. És o maior. Um dos anúncios que sua excelência nos trouxe, foi a decisão do Governo em pagar horas extraordinárias aos professores que estão a classificar digitalmente a pouca vergonha dos exames nacionais. Era o que mais nos faltava, que os professores num trabalho hercúleo que buliu com as suas vidas, não fossem pagos! Todavia, o à vontade do sujeito que sonha estar um dia na cadeira do seu benfeitor Luís Montenegro, foi tal que parecia estar a dar notícia que aos docentes lhes tinha saído a lotaria. O presidente do PSD e do Governo fez-lhe a vontade, pois o homem andava desgostosíssimo por não ser reconhecido nas ruas de Bruxelas e no restaurante Aux Armes de Bruxelles onde ele e os seus camaradas ricos abancam. Eu sempre que a Annie me convidava para lá almoçar, via-os felizes a coçar qualquer coisa debaixo da mesa e em coscuvilhices sem fim. 

         - O homem que parecia estar banhado de moralidade da cabeça aos pés, afinal veio rubricar o provérbio como muitos outros políticos: no melhor pano cai a nódoa. Luís Neves, é dele que se fala, fez contratos com um empreiteiro amigo, para obras num monte que possui em Odemira. Este construtor tinha assinado contratos com a Polícia Judiciária quando ele era seu director entre 2020 e 2025. O agora ministro da Administração Interna, ao que parece, nem pedido de licenciamento de obras pediu à Câmara de Odemira. Esta diz que vai fiscalizar e que se assim for vai mandar demolir o que foi feito. Pergunto: algum leitor acredita que a autarquia o faça? Esta obsessão à Trump pelo imobiliário, atravessa a sociedade política: Luís Montenegro, José Aguiar Branco, Nuno Santos e passo. 

         - O Alexandre telefonou-me de Frankfurt onde estava em trânsito para Atenas a saber do resultado do exame às coronárias, ante a reposta debitou: “Pois, tu não comes, não bebes, não fumas por isso estás impecável.” Com efeito. O relatório do doppler é aquilo que eu senti quando do encontro com a médica que o fez. À mon âge! 




terça-feira, julho 14, 2026

 Terça, 14.

A comédia partidária nacional é um mundo diametralmente oposto ao do país, das pessoas, da realidade nacional. Aquela gente vive de fantasias, de recordações cívicas do tempo do fascismo, e em certo sentido nunca dele se apartaram e até gostariam de nele continuar para que as suas ideias e projectos tivessem absoluta concretização. Repare-se no Livre agora liberto do historiador, o simpático que assumiu o seu posto, proclama o poder como se este estivesse na ponta da bandeira ideológica que é idêntica ao do BE de má memória e à do PCP de histórica recordação. Uma utopia para quem nunca alcançou mais que quatro por cento de votos! O que eu vejo nestes congressos, é uma festa da juventude retardada, uma dinâmica de camaradas que se conhecem de longa data, comungam de um programa que andaram a beber nos intervalos das aulas, nas patuscadas nocturnas, e consideram ser seu direito proclamá-lo ao povo inocente, “escravo do capitalismo”, com perspectivas muito limitadas que não vão além da urgência de uma vida digna alicerçada no trabalho honesto. Mas para isto, eles têm uma ideologia e sem ela não é possível estruturar um país. Basta-lhes injectar doses massivas de futebol, concertos de Norte a Sul que outro dia o maestro Vitorino de Almeida nos dizia serem puro barulho, religião qb e concursos (muitos) e programas de entretenimento áridos, coscuvilhando a vida das ditas figuras públicas. Enfim, a TV ao serviço da mentecapta realidade nacional. 

         - Há, todavia, outra realidade que eles nunca compreenderão porque vivem naquilo a que Marx classificava de classe privilegiada. Por exemplo. A daqueles dois irmãos brasileiros, um deles que conheço bem, 22 anos, que se vê obrigado a trabalhar sete horas num café de dia, as noites num bar até às duas da madrugada. Tudo isto para pagar a renda de um apartamento em Benfica, água, luz, uma sobrevivência desgraçada que nunca os nossos políticos burgueses podem algum dia chegar a endireitar, porque isso implicaria pensar fora da caixa partidária, descer ao mundo sofredor daqueles que não vivem, sobrevivem e são aos milhões, uns de cara descoberta, a maioria de rosto escondido do destino que os fez nascer no Portugal de coração escancarado ao coitadinho, mas cheio de esquemas onde só vinga quem correr a alistar-se num qualquer partido (ia a dizer seita). Propus aos rapazes guarida cá em casa enquanto a vida não se organiza de outra forma. Sou extremamente sensível a quem trabalha honestamente e com o seu trabalho não almeja a felicidade de uma vida digna e equilibrada. 

         - Anda aí o senhor Luís a gradar a terra. O terreno mesmo em frente que é maior do que este, está à venda. A pouco e pouco, o mundo que conheci quando aqui cheguei há quase quarenta anos, está a desaparecer. Vão uns, instalam-se outros, mas nada se assemelha àquele universo de sombras e dias florescentes, espaços abertos, manhãs desanuviadas, dias claros e frios, fumo a sair das chaminés, duas ou três famílias, caminhos de terra batida onde só passava o meu carro e os tractores do meu vizinho. Só o silêncio me parece intacto e é nele que repouso a memória e me apetrecho do que há de mais valioso na vida: a presença divina que na vastidão do silêncio desenroupa a resplandecência das horas e dos dias. 

         - Fui à piscina. Também hoje tive uma faixa só para mim. A um canto, contudo, um feixe de mulheres enormes, grandes rabos, coxas gordas, mamas que chegam aos joelhos, quase não se moviam pese embora os gritos da técnica. Como será aquele pagode todo nu nos balneários?! Um pesadelo, um divertimento ou um susto? Não quero saber.