quarta-feira, fevereiro 25, 2026

 Quarta, 25.

Com a idade estreitam-se não só as paixões como se restringe quase tudo o que nos maça. Ver o estado em que se encontra a quinta desgosta-me e apetecia-me chamar uma dessas empresas que num só dia abatem as árvores, serram os trocos para a lareira, queimam os ramos e arrumam a lenha. Por outro, assim pensando, tenho que tomar uma decisão drástica e cortar o mal pela raiz, isto é, vou ter que cortar pelo meio os cedros que cresceram em trinta anos uns vinte metros e são hoje uma ameaça à casa em caso de repetição do vendaval. Dito isto, ontem, ao fim do dia o Nilton restituiu-me a água de que tanto necessitava. Enfim, uma coisa resolvida por sessenta euros (toma e embrulha). 

         - Outro dia quando entrei na Versalhes, deparei-me com o homem do leme em que eu me recusara votar para as presidenciais e julgava que os portugueses, fartos dos políticos de meia-tigela, iriam entregar-lhe de mão beijada a direcção do país. O almirante estava estrategicamente sentado à escotilha de forma a que quem entrasse ou saísse o visse. Abancava com uma personagem sólida de corpo, olhar matreiro, vestido a rigor (fato completo, gravata, camisa impecável) e ambos cochichavam olhos nos olhos, sem que ao militar escapassem os olhares que os clientes depositavam (talvez por estranheza) nele. Mantinha o mesmo sorriso enigmático, mas todo ele estava trajado da farpela idêntica à dos políticos que com ele concorreram a Belém. Muito cedo despiu a farda imaculada da Marinha e afundou-se ao vestir a albarda, com a sua linguagem, o seu desprezo pela verdade, a sua ganância de poder, a sua incompetência, o espírito de manada, a falta de rigor, o desdém pelo indivíduo e tudo o mais que eles dizem ser a condicionalidade da democracia e não passa de lodaçal sujo da política. Foi esse estreitar de ombros com os demais, que o impediu de ser hoje aclamado Presidente da República.

         - É um insulto à democracia e aos portugueses aquele ar triunfante, acentuado por uma barriga proeminente, um caminhar seguro de quem sabe que não vai para o cadafalso, antes cada vez se encobre sob o guarda-chuva do cargo de primeiro-ministro com os muitos escudos que a função lhe deu e a corrupção solidificou. Falo do ladrão José Sócrates. 

         - A mim sempre me fez muita confusão e sempre me interroguei, que têm de bélico os mísseis nucleares do Irão ou de outros países quando comparados com os dos EUA, Federação Russa, China, Coreia do Norte, França, Inglaterra ou outros. Sobretudo porque se evoca, como no caso do Irão, o seu regime totalitário e repressivo. Bah! Mas afinal não foi o regime democrático americano o primeiro e até hoje o único que utilizou uma tal arma dizimadora da humanidade?! 


terça-feira, fevereiro 24, 2026

 Terça, 24.

Relendo o que para trás ficou, sublinhados e notas de rodapé, dou com este destaque, pág. 925, de Toute Ma Vie: On n´échappe au cauchemar du temps qu´en vivant dans le présent éternel de Dieu qui dévore passé comme avenir.” Oh, cher Green! 

         - Ontem fui ao oftalmologista buscar os óculos que sofreram a melhoria que ele entendeu fazer. O Carlos que mo apresentou, compareceu na loja e os três fizemos a festa do milagre da boa visão. Outro dia, tocado pelo entusiasmo de ficar a ver como antes, disse ao médico que iria convidar o meu amigo para um almoço. Ele aconselhou-me a fazê-lo depois de ter a certeza que curei os estragos do Gama Pinto. Ri-me, rimo-nos. O facto, mesmo sem saber que tudo iria ficar nos conformes, lá fomos ao Corte Inglês almoçar no toutiço do edifício. Passámos umas horas agradáveis, em conversa amena e divertida, como é nosso hábito sempre que estamos juntos. Separámo-nos pelas cinco da tarde. Regressei ao presbitério de autocarro amarelo que é a cor de todas as minhas fantasias. O mestre Nilton tinha tirado o dia para me devolver a água de que careço há duas semanas. A coisa quase ficou nos conformes, não fora o facto de por aqui ele não ter encontrado o cano galvanizado para unir as duas partes separadas pela tempestade. Talvez hoje tudo fique em ordem. 

         - Por falar na víbora. O Rui, querido amigo com quem viajei pela Turquia, tendo-se separado da mulher, abandonado o banco onde tinha um alto posto bem remunerado, vendido a vivenda da Aroeira, na reviravolta que deu à vida, deixando tudo para trás, para se ir meter em Idanha-a-Nova onde começou por adquirir algumas casas abandonadas para as reconstruir, comprado de seguida uma quinta onde vive com a segunda mulher, contou-me dos enormes estragos que teve com o temporal e da saúde fragilizada que o levou a uma complicada operação à coluna que o deixou de cama dois meses e duas anestesias gerais. Recentemente, sem saber como, numa volta do corpo, caiu e fraturou a omoplata e de novo encontra-se deitado a contar as moscas que se sobrevoam o quarto. Tinha muitos amigos e amigas quando ocupava o cargo bancário, mas apenas eu e mais dois se preocuparam em telefonar para saber se tinha tido muitos estragos e como ia a sua saúde. Da primeira mulher já nem o número de telefone possui, a filha vai aparecendo quando pode com a amiga com quem vive; o filho não pára de viajar estando a maior parte do tempo fora do país. Por sorte, a mulher com quem vive, tem sido inexcedível de cuidados e carinho. Haja Deus! 

         - Outro amigo a quem telefonei, o João Biancard. Ele vive numa quinta com vários hectares para os lados de Torres Vedras. Levei duas semanas a encontrá-lo convencido que teria falecido. Em casa não atendia, o portátil tinha-o perdido e foi preciso muita pertinácia da minha parte para o encontrar. Enfim, uma noite, ele respondeu ao telefone e ficámos que tempos a pôr a vida em dia. A quinta foi de tal modo atingida, que ele teve de ir viver para casa do irmão e por fim da irmã de onde me falava. A enorme casa, tão grande que só a sala de jantar tem uma área duas vezes superior a esta onde vivo, felizmente, não sofreu nenhum abalo. Os problemas são nos acessos, serra acima, todos obstruídos por grandes árvores tombadas. Do alto dos seus 86 anos, João que teve sempre uma vida agitada na política ocupando vários cargos de grande responsabilidade, vive de pé, hirto, disponível, com um humor corrosivo contra os falsos grandes deste pobre país de analfabetos e gentinha medíocre. Disse-me que temos de nos encontrar breve, disponibilizando-se a vir a Lisboa ao meu encontro. 

         - Faz hoje quatro anos que o ditador russo invadiu a Ucrânia convencido que aquilo era trabalho para três dias, o máximo uma semana. Glorioso país, glorioso Presidente que tem conseguido fazer face a um tipo corrupto, sem escrúpulos, egocêntrico, inumano. Ele e o alcoólico Medvedev. Na pág. 273 das suas Memórias, Alexei Navalny, já no primeiro mandato de Trump, explica o envolvimento de Putin na campanha do tresloucado. Através da conversa registada entre o oligarca Deripaska e Prikhodko (na altura vice-primeiro-ministro), referindo as relações entre a Rússia e os Estados Unidos, soube-se que Paul Manafort recebera milhões de dólares das mãos de Deripaska em troca de lhe contar o que ia acontecendo na campanha de Trump.  Hoje sabe-se bem mais, que desde o pai ao filho, a família Trump sempre teve negócios com Putin e daí a simpatia que os une e a pancada idiota de Trump ao querer subjugar Zelensky às exigências de Moscovo. Acrescento que o par de peregrinos, von der Leyen e António Costa, rumaram a Kiev. Olha que dois! 


domingo, fevereiro 22, 2026

 Domingo, 22.

Belo dia de sol e um silêncio levíssimo a estender-se no campo agasalho das desgraças que o atingiram. Nada está solucionado, nada se abandonou à sua sorte. O Johnson esteve aí de manhã a ver e a dar pareceres sobre o muito que há a fazer para que este espaço volte a ter dignidade e beleza. Pela minha parte continuei a poda das hortênsias que terminei ao fim da tarde. Trabalho durantes anos feito pela pobre Piedade que está num estado horrível. A ver vamos se a arte do podador se iguala à dela. 

         - Cheguei à página 1000 do diário de Green. Muito haveria a dizer do que diz o escritor, sobretudo quando os campos entre o diarista, o seu “Robert, mon amour” e MM (Éric) se extremam. E por sobre a sua vida dividida entre o prazer, a escrita, o teatro e a presença de Deus a par do pecado como afastamento divino, Green, o espiritual sofre por não conseguir resistir ao sexo que ele considera (sob a moral da época) um pecado maior. Éric não quer trabalhar, vive sob a protecção do escritor que acaba por alimentar os amantes que o amante não cessa de acumular com as suas necessidades de sexo três vez ao dia. Robert sente ciúme e adverte o seu amor de uma vida, mas Julien diz-lhe que nada poderá dividi-los. A narrativa acaba por ser igualmente o diário deste trio que sendo tão desigual e, do lado do autor de Moira, tão profundamente perturbador quando no final de todos os seus dias está invariavelmente a pedir perdão a Deus para no dia seguinte tudo recomeçar. 


sexta-feira, fevereiro 20, 2026

 Sexta, 20.

Ontem, quando deixei a loja Lentes de Contacto, observado por um dos oftalmologistas associado, exultei de contentamento e segurança de que em breve não terei de trabalhar com apenas um dos olhos. O Dr. Bruno, detectou o erro devido ao facto de no Gama Pinto a coisa ser feita em cadeia de produção e não terem dado o tempo necessário à adaptação da cirurgia da catarata que é de dois meses. Conclusão: os exames posteriores no olho esquerdo deram 0,25 dioptrias quando ele, Dr. Bruno, disse ser de 1,45. A diferença é substancial e é nela que espero voltar a utilizar o olho esquerdo.  

          - Saí levitando, tomado por uma energia imprevista, a manhã linda ajudando, e caminhei por ali avante até à Gulbenkian não distante. Como eram horas de almoço, fui abancar no restaurante do lado chinês para uma refeição à maneira, quero dizer, sem olhar à despesa. Antes, porém, passei de raspão na exposição Xerazade por conhecer a maior parte do que ali estava exposto. Na minha frente tinha o esplendor na natureza toda emoldurada da frescura que pingava de cada ramo, de um verde intenso, como se a Primavera se tivesse adiantado somente para mim que extasiado a admirava sob o manto de paz e sossego que me trouxe a perspectiva de voltar a ver como antes. 

         - No carro, fui ouvindo o debate na Assembleia da República. O secretário-geral do PS falava num português de chinelo impróprio para um senhor doutor...

         - Alinho estas linhas na Fnac depois de ter deixado o João com quem estive esta manhã na Brasileira. Por vezes, um leitor ou amigo, inquieta-se como posso eu continuar a suportar ideias políticas diametralmente opostas às minhas, respondo que estimo a amizade antes das preferências ideológicas dos meus amigos. No caso do João, ele é duplo de Janus o deus da mitologia romana, com duas faces opostas. Ele professa uma coisa e vive outra. Pertence a uma geração que combateu ferozmente a ditadura de Salazar e posteriormente teve apoio e existência em todos aqueles que no seu tempo lutaram a seu lado. Daí não muda, as raízes adquiridas ficaram, a doutrina é imutável e soberana enquanto essência de uma filosofia completamente ultrapassada, mas que ele não tem liberdade para encaixar, prosseguindo um quotidiano quase isolado porque os da sua geração foram juncando o chão de imortais figuras do inconformismo. 


terça-feira, fevereiro 17, 2026

 Terça, 17. 

Há dias li um artigo de João Miguel Tavares que não apreciei mesmo nada, devido ao tom e ao conteúdo. Insurgia-se ele contra o novo reitor da Universidade Nova de Lisboa, Paulo Pereira, que deu um prazo de trinta dias para que todas as faculdades passassem a ter a designação em português. Esta medida, absolutamente de acordo com a lei, indignou o habitual rabinho liberal do articulista, que apresentou como exemplo de projecção internacional, a universidade Nova School of Business and Economics porque assim designada, trouxe alunos de várias partes do mundo e está cotada entre as melhores do universo universitário. Tavares segue o provincianismo que se instalou por todo o lado, o abandalhamento da nossa língua, e a abusiva introdução não da língua de William Shakespeare, mas a de Donald Trump ou se quisermos ser tipicamente portugueses e desenvoltos no inglês clássico, a de António Costa, na nossa. Não tivesse a universidade de carcavelos professores à altura, não seria a presunção em inglês que lhe daria os méritos de que usufrui. 

         - Eu não tenho uma opinião formada sobre José Luís Carneiro. Contudo, julgo que a “geringonça” não lhe teria agradado muito e, portanto, a sua postura em relação ao PCP e Bloco de Esquerda, que responsabilizou pela queda do Governo, em 2021. Daí ter-se batido para a criação de um “centro de político” que pudesse dar estabilidade ao país – projecto que a maioria dos portugueses aprovaria disso estou convencido. Acontece, que sábado passado, fui ao encontro do João à Brasileira e dali, sendo horas de almoço, ele perguntou-me onde ia almoçar. Respondi que passei a seguir a regra do falecido Sr. Castilho, segundo o qual o melhor é comer uma sandes que nos restaurantes sem fiscalização e de onde quase sempre se sai com problemas de estômago e algum hemorroidal. Eu sei que ele adora comer e coisas pesadas embora o negue. Disse-lhe que ia à FNAC mastigar uma sandes e meia de leite – “comer é em casa”. Fomos. Mal nos sentámos, assomou a política e a minha tradicional oposição a tudo o que ele dizia. Todavia, nesse entretanto, aparece um homem dos seus cinquenta anos, que o cumprimenta e se senta na mesa próxima. Não tardou ambos trocarem palavras, sempre em uníssono, sempre atadas num único raciocínio. Falou-se da Intersindical e João criticou a quantidade de sindicatos que a partir dela se formaram. Eu disse ainda bem, porque a Inter está subordinada ao PCP e, por isso, não é independente e os seus associados fartos de saberem isso, separaram-se. A discussão azedou um tanto. A dada altura, o estranho homem, levantou-se e trocou algumas palavras com o João que eu não detive. Quando nos despedimos, diz-me o João que ele é (ou fora) um dos elementos de direcção do sindicato dos trabalhadores. Esta conversa vem a propósito de quê? Ah, do Secretário-geral do PS. Os dois, por diversas vezes, quase o insultaram, dizendo terem pena que António Costa tenha deixado o Governo e lamentaram também o volte face de Pedro Nuno Santos que se afastou igualmente. 

         - Hoje aqui foi um dia em pleno. O meu vizinho veio ajudar com o tractor e ele e o Sr. José Manuel limparam o grosso que caiu para o seu lado. Admiro a valentia desta gente que já não é jovem, mas desafia os jovens com todo o rigor, competência e generosidade. Pelo que vejo e muito há ainda para cortar, tenho lenha para mais três invernos. O trabalho, porém, vai arrastar-se por muito tempo. 


segunda-feira, fevereiro 16, 2026

 Segunda, 16.

A América é uma no cravo, outra na taralhoquice. Em mais uma reunião sobre Segurança e NATO, Marco Rubio, o ministro dos Negócios Estrangeiros americano, disse em Munique que “os Estados Unidos são filhos da Europa”, e “foram feitos para viverem juntos”. Foi o suficiente para que a plateia se levantasse em louvores às palavras daquele que serve apenas Trump (embora me pareça o mais equilibrado do manicómio da Casa Branca). Depois da sua presença de charme, logo zarpou para uma visita à Hungria e outra à Eslováquia, dois países amigalhaços de Putin. A nossa frágil e humilde União Europeia, o que pretende e ambiciona é viver na paz dos anjos, continuar a não fazer peva, distribuir bênçãos à direita e à esquerda, falar, falar, falar até que o sono e as cordas vocais os levem ao sono da História. Depois, sim, podem gozar em pleno as reformas milionárias e o prestígio que eles pensam imortais. 

         - Se assim não fosse, atente-se naquela reunião tão ao gosto do nosso ex-primeiro-ministro, num belo castelo da Flandres, Bélgica, para parlapatar sobre as reformas necessárias à revitalização da economia europeia. Eu, sem querer ser do contra, acabado o curto descanso dos nossos infatigáveis políticos num fantástico castelo do séc. XVI a que Costa chamou “um retiro informal para discutir reformas económicas, competitividade contra EUA/China e inteligência artificial”, não ouvi uma só palavra dos felizardos que, talvez por se tratar de um retiro que por essência interdita o falatório, saíram sorridentes e felizes daquele descanso entre amigos. António Costa sempre gostou do aparato e de fazer política que os subordinados aplicariam. Assim vai o mundo, arrastado por esta sorte de gente que nos coube na rifa do destino. 

         - Entretanto, por entre as reuniões inúteis e viciadas, corridas em pescadinha, o comandante da corrupção em Israel, prossegue a matança em série. Ontem foram mais de uma dúzia de palestinianos mortos. Ao todo, se este número estiver correpto do que duvido, pereceram sob as bombas dos fanáticos judeus, 72 mil palestinianos.  

         - Volodymyr Zelensky passou na reunião da NATO e aliança com os EUA de Munique. O enérgico político, primus inter pares, voltou a apelar aos pobres pequeno-burgueses dirigentes da União Europeia, que o ajudassem na sua luta contra o ditador de Moscovo. Este, exibindo a cara onde se estatelou o ódio e o cinismo, prossegue as ofensivas a centrais eléctricas, num Inverno particularmente duro para além dos ataques a várias zonas da Ucrânia incluindo Kiev.  

         - A propósito do sinistro pequeno homem, “czar de pacotilha” como lhe chamava Navalny, que submete o povo russo e o esmaga com as suas botas stalinianas, foi descoberto a semana passada algo que ninguém duvidava: Putin mandara assassinar na prisão, para lá do Círculo Polar Ártico, a 16 de Fevereiro de 2024, o seu opositor Alexey Anatolievich  Navalny. Os cientistas europeus acusam o carrasco do Kremlin de ter matado o activista com veneno de rã, uma neurotoxina que dá pelo nome de epibatidina, mais forte que a morfina. Aliás o próprio Navalny previu a sua morte às mãos de tirano. Aconselho vivamente aos meus leitores a leitura das suas memórias (Ed. Porto Editora, colecção Ideias de Ler), onde o combatente pelos direitos humanos, diz que até ao momento em que assistiu ao nascimento do primeiro filho não acreditava em Deus; a partir daí, perante a beleza e o mistério daquele instante único, passou a ser crente. Assim se vê a sensibilidade do homem nascido sob um regime ditatorial feroz. E lembrar-me eu, que foi este regime que os comunistas portugueses defenderam. 


 

        - Voltei ao lavadouro tecnológico. 


domingo, fevereiro 15, 2026

 Domingo, 15.

O bom tempo regressou e logo os rostos dos portugueses aspergiram felicidade. Somos irmãos gémeos e não podemos apartar-nos. Eu, como muitos dos meus compatriotas que viveram algum tempo no estrangeiro, sabemos bem como o astro-rei faz parte do nosso ADN. Assim sendo, por Coimbra e concelhos limítrofes, as águas começaram a descer, as populações regressam às suas casas, a vida experimentou um ar de normalidade, embora a desolação continue por todo o lado. 

         - Por aqui, tendo ontem deixado a quinta a cargo do Sr. José Manuel, quando regressei já noite, encontrei uma certa ordem com os troncos das árvores cerrados, alguns detritos queimados e muita lenha que irá engrandecer o próximo Inverno. Pela minha parte, apesar das dores nas costas, no levantar e agachar, comecei a podar as hortênsias. Trabalho demorado pela sua especificidade e cuidado. Por sobre tanta tristeza, as amendoeiras sorriem em flor.