Terça, 2 de Junho.
Ontem passei todo o santo dia em Lisboa. Comecei no Centro de Saúde apresentando à Dra. Vera Martins a talega de exames para apurar o que me aconteceu, dia 21, do mês de Abril. Como eu previra, o coração está intacto, o cérebro não tem um beliscão, nas análises não há uma que mostre desvios ao corpo são e immaculatus. Foi o que eu sempre imaginei e atribui o sucedido a problemas de estômago pois uma semana antes andei cheio de flatulências e incómodos. Todavia, para apurar um pouco mais, a minha ilustre médica quer que eu faça uma radiografia às carótidas na sua função de levar o sangue do coração ao cérebro. Assim farei. Entretanto, vou ouvir o Dr. Octávio Simões que passou a ser o meu clínico contra os desvios sumptuosos do SNS.
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| Esta imagem parece uma pauta musical, uma sinfonia onde não há um acorde dessincronizado. Mas não é - não passa de um simples ECG do meu bravo coração. |
- Almocei no meu saudoso 1900 e daí desci ao Chiado para cumprimentar os rapazes da Brasileira. Detive-me pouco tempo naquela catedral de encher os bolsos, numa tarde de calor abafado, com grande azáfama para acudir aos infelizes turistas esmifrados até ao tutano. Continuando a descer, detive-me um pouco antes do centro comercial, diante de um prédio onde funciona uma loja de inutilidades, devido a multidão de gente que com os seus telemóveis filmava uns tipos que apareciam às varandas do edifício. Perguntei a um transeunte o que se passava, ele informou-me que eram os jogadores da selecção que estavam no interior. Respondi in petto: “Horror, horror.” Depois percebi que toda aquela patetice era uma acção de propaganda ao estabelecimento tendo por engodo os heróis nacionais. Bref. Que país!
- Para amanhã anuncia-se uma grande greve nacional. A ver vamos. O que se nota é que o PCP apostou todos os seus três por cento no acontecimento. Os trabalhadores e o povo, parecem absortos aos jogos de poder, embora eu ache que Montenegro anda a medir forças com a oposição, em vez de governar. De qualquer modo, a coisa até vem a calhar com o feriado de quinta-feira e o Verão a brilhar de Norte a Sul.
- Fui à natação. A par daquela outra que julgo ser ucraniana e põe sempre músicas de Carlos Paião durante a hidro-ginástica dos velhinhos coitadinhos, existe uma portuguesa de gema. Esta controla-me. Da última vez, quando ia a sair, diz-me: “Hoje sai muito mais cedo.” Esta manhã, voltou a abordar-me: “Chega mais tarde que de costume.” Sorri-me com os dentes que possui e eu contraponho: “Anda a controlar-me.” “Eu sou uma grande controladora.” Que quererá dizer este charabiá?

