quarta-feira, outubro 28, 2026

 Quarta, 28,

Ainda a propósito do que disse ontem sobre o meu romance O Vazadouro dos Deuses, como se tudo voltasse à estaca zero, não resisto a transcrever a nota de apresentação do meu (mais um, céus!) saudoso amigo Alexandre Ribeirinho, que possuía uma imensa cultura, não só teatral, como em muitos outros domínios artísticos. “Quando me canso de escritores que sobram em erudição o que lhes falta em invenção – e eu sempre me canso – recordo a autores como o Helder de Sousa. Que regalo: ele inventa tudo! E tão bem, que as suas narrativas de pessoas, coisas e situações, têm a feição da realidade. Realidade pungente, quase marginal, aonde se chega através de um sorriso, tantas vezes. Todo este contorno foi para chegar a O Vazadouro dos Deuses. Quanto ao valor da obra em si, a Crítica se prenunciará. Agora quanto a Gabriel, que dizer?! Este seu “Primeiro Caderno” respeita apenas – e não poderia ser de outro modo – aos seus primeiros passos a caminho do seu pequeno Góngota de feição profana, a maneira de “estações”. Anjo exterminador ou anjo caído? Ou pelo contrário, anjo-passa-culpas ou anjo que em vez de cair, faz cair quem tropece no fascínio do seu encanto... Ocorre-me perguntar: serei eu o Fagulhas? Será você, leitor, o Zé Cerejas? Ou vice-versa? É que de Fagulhas e Zé Cerejas temos todos um pouco: é apenas questão de procurarmos bem dentro de nós, com discernimento, com inteligência. Onde iremos ser vazados?! O autor no-lo dirá, com extrema originalidade. Para tanto, os deuses estão com ele.” Alexandre, como todas as pessoas inteligentes, tinha um humor refinado. Quando eu escrevia O Rés-do-Chão de Madame Juju e ele me visitava no apartamento de uma vida ao Príncipe Real, assim que entrava, disparava: “A Madame Juju já recebe senhores de posição?”

         - Voltando ao meu encontro com o Simão e à pergunta que me faço com frequência: onde estarei eu daqui a meio ano? Simão aconselha-me a não deixar Lisboa por ali ter nascido e poder continuar a jardinar pelos locais da minha vida e a frequentar os amigos que não estiveram quando deles precisei. Depois, a Conceição que teve uma péssima impressão da Remax que lhe cobrou cinco por cento do valor que atribuíram ao seu andar na Graça, e logo desapareceram deixando-a com tantos problemas que ainda hoje vai a tribunal saber o veredicto do juiz; Simão propôs-se ir comigo e um amigo que aí habita, visitar a zona ao correr do Tejo, entre a Praça do Comércio e a Expo, onde cresce um ambiente urbano simpático e civilizado, na maioria habitada por estrangeiros, Marvila, em tempos terra a evitar. Por outro lado, sensível ao que os meus sobrinhos fizeram por mim em Agosto, tenho tendência a escutá-los quando me dizem que é melhor ficar perto deles. Que fazer? Espero com tempo e calma, poder optar pelo melhor: apoio familiar com regresso à Foz do Douro ou sentimentalismos de uma cidade que em nada se assemelha ao que fora na minha juventude. Simão acaba de me telefonar - o amigo que lá vive quer agendar visita na próxima semana. Ao que parece possui dois apartamentos e quer desfazer-se de um. 

         - Luís Montenegro é uma espécie de Trump na sua obsessão pelo progresso económico, mas em pobre, em miserável. 

         - Flávio Bolsonaro, que pertence à clique da nova geração de políticos que têm em Trump o modelo, logo que soube que perdeu as eleições, não obstante terem-lhe confiscados os passaportes – o dele e o diplomático – pôs pés ao caminho, quero dizer alugou um avião e desceu sobre os EUA onde o Presidente o acolheu de braços abertos. É a política nojenta da mentira e do abalroamento da dignidade, dos valores e dos que votaram nele.  

         - Israel foi às urnas. Ao que tudo indica, o corrupto trumpista Netanyahu, embora o seu partido Likud tenha a maioria de votos, vai ser difícil voltar a ser primeiro-ministro devido ao número de votos das outras forças políticas, incluindo a árabe, que estão em posição para formar Governo.  Assim vai este mundo abandonado por Deus. 


terça-feira, outubro 27, 2026

Terça, 27.

A luta dos jovens pelo direito a habitação condigna, não sai da actualidade. O chefão da Polícia, senhor Luís Neves, diz que só viu – provavelmente via televisão – uma cacetada de um polícia sobre um manifestante, mas a verdade é que mais de uma dezena foram receber tratamento ao hospital e um está mesmo em dificuldade. Neste entretanto, nem o Presidente da República nem o primeiro-ministro, se dignaram vir a terreiro encarar os rapazes e raparigas que não largam o Rossio. Estão dois afónicos. Um porque lhe estragam os dias e as noites calmas; o outro dependente do seu homem forte que o tem na mão, a ele e a uns quantos mais, não ousa infringir as directivas por Neves traçadas. Curiosamente, os polícias marcaram protesto em frente à Assembleia Nacional, pensando-se que desta vez sem tendas nem sacos-cama. Que país burlesco este. 

         - “Nós não temos delegados mandatados e revogáveis, temos representantes inamovíveis durante quatro anos, e eles próprios são manietados por uma série de dispositivos institucionais.” É deste modo que alude Miguel Serras Pereira, referindo-se aos representantes do povo, perdão dos partidos, no Parlamento, e com prazer volto a citar. São eles que deviam inscrever na ordem do dia, os protestos da juventude de sacos-cama e quartos a preço de aluguer de um apartamento. Não o fazem porque esta tragédia é culpa deles, dos dois partidos que tão mal têm governado Portugal e chamados à responsabilidade, atiram com estatísticas que ninguém conhece nem podem ser confrontadas. 

         - Os brasileiros foram às urnas e votaram contra Trump. Lula da Silva ganhou o quarto mandato aos 81 anos provando que essa história da idade é um pretexto para correr com os velhos. É facto que os nossos fraternos irmãos não tinham grandes alternativas, entre um e outro o diabo que escolha. Mesmo assim, nesta circunstância, foram inteligentes e deram a maioria ao menos dependente de Donald Trump, e em simultâneo defendem com o seu acto a Europa do perigo da extrema-direita em Espanha, Alemanha, França, com eleições para breve. 

         - Ontem fui a Lisboa para estar com o Simão. Ele acabou de deixar o hospital onde fora operado a hidrocele testicular. Abancámos no Celeiro, ele que sempre conheci com imensos cuidados alimentares. Ali estivemos uma hora à conversa, lamentando-se ele de não ter sabido da minha desgraça em Agosto de contrário viria em meu auxílio. Falámos muito de literatura e de autores, tendo ele reduzido a zero a maioria dos que se ufanam e agitam a carteira profissional de escritores. Mesmo Valter Hugo Mãe que eu tinha trazido à conversa por haver lido o seu último romance, “esse pertence ao sistema”. Do que eu não estava à espera, era de ser endeusado acima da maioria dos autores de hoje, isto porque lhe disse que recentemente, mexendo nos milhares de livros que esta casa alberga, me deparei com um de um modesto autor chamado Helder de Sousa. Eu conto. Nuns quantos que desloquei, veio o meu primeiro volume dos Cadernos de Gabriel, O Vazadouro dos Deuses que eu tinha dedicado ao ilustrador da capa, e me apareceria de repente nas mãos, muitos anos depois de o ter publicado. Sentei-me no salão, e li estupefacto as páginas finais do romance. Disse para mim mesmo: “Possa, isto é muito bom, profundo, misterioso e bem escrito.” Mas quem assim falava não era eu, era um tipo que tinha o meu nome, pois tantos anos depois li aquilo com os olhos de um leitor qualquer a quem ofereceram o exemplar. Contei o que acabo de narrar ao Simão e ele “tu és muito melhor que toda essa carrada de gente que se intitula escritor”, e depois por outras palavras, espera, deixa o tempo passar...  

         - Quando a minha saudosa Annie era viva, por esta altura, eu acabava de chegar de Paris. A casa estava fria, bem cheirosa da cera que a Piedade na minha ausência tinha dado nas madeiras do chão, havia no seu interior uma espécie de expectativa, de alguém que se detinha à minha espera, um sopro de murmúrio que se despegava dos livros, espécie de personagens pacientes que aguardavam pelo seu proprietário, um silêncio que se expandia em boas-vindas que estralejavam no ar enchendo a pacatez do interior. À noite inaugurava a lareira e a casa, a pouco e pouco, criava a atmosfera de intimidade que me é cara. Hoje, apesar de sentir as divisões frias, não ouso acender a lareira para não trazer o sofrimento da saudade da Annie, como da Piedade, ambas abrigadas no manto largo de luz do bom Deus, para o meu coração. 

 

domingo, outubro 25, 2026

 Domingo, 25.

Ontem houve uma enorme manifestação em Lisboa e Porto. Ao Rossio voltaram as tendas e os jovens que lutam por eles e por outra metade da população que são os velhos. Estão ambos no mesmo barco que ameaça afundar-se se os políticos manhosos nada fizerem. E nada farão a não ser atiçar os agentes da polícia contra os que na rua imploram justiça e equilíbrio. O Bugalhito, veio de Bruxelas onde ninguém sabe quem a criatura é, para defender, como diz, a integridade física da Polícia, ele que arreava nas mulheres infelizes que gostaram do espécime. Às ordens de Montenegro e de Luís Neves, os polícias carregaram forte sobre os manifestantes indefesos, alguns tiveram de receber tratamento no Santa Maria. 

         - Terminei Êxodos. Deve ser talvez o livro mais fascinante dentro do Pentateuco. YHWH, é minucioso no programa que dita a Moisés, indo ao ponto de indicar as medidas para os objectos de culto, exige tudo feito em ouro e prata, madeiras sem bicho, dá a dimensão do sacrário, quer material de primeira, hoje diríamos estilista na maneira como indica o corte e confecção das peças eclesiásticas, é exigentíssimo, impõe, ameaça, e, embora Moisés lhe pedisse “revela-Te a mim” (33-13), Ele responde: “Ninguém verá a Minha cara e viverá (33-20). A Minha cara não te aparecerá.”(33-23) São 39 capítulos onde Deus encaminha os filhos israelitas para a terra de destino e pelo caminho, através de nuvens abertas nas montanhas, faz subir o Profeta que anotará ao pormenor as bases judaicas, pensamento e acção. Ao ler o Êxodo, compreendi melhor a mentalidade dos judeus – muito do que eles são hoje, já desde a sua saída do Egipto está traçado. Jesus e os seus Evangelhos, contrariam muito do que ali está constituído, disso me ocuparei quando entrar em Levítico. 


sábado, outubro 24, 2026

 Sábado, 24.

A Europa da União Europeia parece moribunda, afogada nas suas contradições e incapacidade de sobreviver às frustrações populares sem cair num regime totalitário. As novas gerações estão fartas de ficar para trás, de ver avançar uma classe de oportunistas, de gente a quem não interessa o bem comum, antes os esquemas partidários, as lutas ideológicas, os arranjos pessoais, o compadrio e o panache de uma vida de luxo paga pelos impostos dos cidadãos cada vez mais pesados. Uma reviravolta anuncia-se com a juventude a tomar a dianteira em manifestações de descontentamento: Portugal, França, Espanha, Itália, Grécia, Bélgica e passo. Alguns dirigentes, em desespero para enfrentarem as mais que justas reivindicações, ensaiam atitudes drásticas próximas de regimes onde a ditadura impera. O jogo poderoso do capital como meio único de desenvolvimento, nas mãos de gente gananciosa e desumana que só vê cifrões e tem manietado os países em seu proveito próprio, a pouco e pouco, erigiu pequenos impérios de influência, ginástica financeira, poder e redução de milhões a tarefeiros pagos como escravos, sem que os Estados pouco possam fazer. A dimensão ética da política está manietada por grupos económicos que governam o mundo e minam os dispositivos institucionais, os governos, e fazem tiro ao alvo a este ou aquele governante corrupto que se deixa arrastar por somas astronómicas. Esta Europa tem os dias contados, os extremos vão devorá-la e os povos traídos estão já a sofrer por destinados. 

         - “A perspectiva mais assustadora é saber aquilo que perdemos quando perdemos a leitura. Perdemos muito mais que este livro ou aquele, perdemos uma dimensão do pensamento e de relação com a própria linguagem.” O dono deste texto é Miguel Serras Pereira e foi nele que pensei quando ontem, no Corte Inglês, peguei no último volume do diário publicado há dias de Marcelo Mathias. Depois, quando subi para dormir, peguei no Dom Quixote por ele traduzido e levei-o comigo para o quarto demorando-me a reler passagens e, sobretudo, a deliciar-me com as notas de rodapé do ilustre tradutor, não fora os meus olhinhos e iria pela noite adentro embalado por Cervantes. O Miguel Serras Pereira encontrei-o eu no jornal A Capital e sempre apreciei a sua notável capacidade de trabalho e inteligência. Perdi-o de vista quando deixou o jornalismo para se dedicar à tradução e à poesia. Um dia, em Lisboa, dou de caras com a Cetinha e, ou me engano, ou ela disse-me que estava a viver em Leiria com ele. Como não sei onde meti o número de telefone que ela me deu... 


sexta-feira, outubro 23, 2026

 Sexta, 23.

Putin e Trump, por interposto especulador imobiliário seu assessor, trocaram salamaleques de humanismo, disputando qual deles seria o mais humano. Isto aconteceu nos salões de ouro do Kremlin pela tarde; à noite o primeiro despejou uns quantos mísseis sobre Kiev matando crianças, destruindo edifícios, semeando a destruição. Quanto ao segundo, cogitando com Netanyahu, preparam ambos uma ofensiva que o louco varrido promete ser definitiva. É o humanismo da guerra. 

         - O nosso Bugalhito, ficou excluído de vice-presidente do grupo parlamentar do Partido Popular Europeu por uma mulher na troca de cadeiras entre machos e fêmeas. É a vingança delas contra um tipo que arreia a eito nas indefesas criaturas que caiam pelo beicinho aos seus pés. O pequerrucho, ao jeito do seu congénere Jordan Bardella, muito apinocado à moda antiga, hirto, um sorriso de vitória que aprendeu em Santarém quando catrapiscava o miudame à saída da escola, e depois utilizou nas suas homilias televisivas, muito antes da definitiva e hipnótica mirada a Luís Montenegro, tem vindo a segurar-se pelos fios mágicos da partidarite como aconteceu a José Sócrates com António Guterres. O final só conheceremos se virmos o filme até ao fim. 

         - Os epopeicos miúdos levantaram as tendas onde dormiam, no Rossio. O tempo mudou, as noites são mais frias, húmidas e dentro de uma tenda difíceis de suportar. O pior é que não temos gente com competência para mudar o país e fazer as reformas que os dois partidos, ronceiros e cúmplices, nunca conseguiram. Um porque deposita na iniciativa privada toda a dinâmica; o outro porque malbarata o tesouro público em ajudas imediatas aos pobrezinhos que tanto jeito dão às ideologias, mas não equilibram as contas públicas, nem criam riqueza. 

         - Voltando ao louco americano de seu nome Donald Trump (os italianos dizem Donald Trampa, terão as suas razões). Há uma parte de loucura no homem que até podia animar o mundo, porque o desarrumo do apuro presidencial é tal, que seria útil ao contrabalanço da hipocrisia e importância da maioria das excelências dos nossos dirigentes. Outro dia, a criatura, depois de ter versado sobre a dimensão dos pés dos seus acólitos em ligação com o que cada um tem entre as pernas, falou agora do traseiro de um dos seus próximos na Presidência. Acha-o demasiado grande e isso desagradou-o ao ponto de falar do assunto mais do que uma vez. Certa imprenssa americana dúvida que com a idade não espreite ali a homossexualidade. 


quarta-feira, outubro 21, 2026

Quarta, 21.

Em França muitas cidades, incluindo Paris, estão sob recolher obrigatório a partir de certa hora. Foi a fórmula encontrada pelo Governo para conter a intromissão da extrema-esquerda que tomou conta das arrudas estudantis e deixou o país num caos. Entre nós temos a sorte de ter um ministro do calibre de Luís Neves que tem às suas ordens não só a Polícia como o seu subalterno primeiro-ministro. 

         - Entretanto, está a crescer por todo o lado, a luta dos deserdados ao direito a habitação condigna. Porto, Lisboa, Évora, Algarve, estão nas ruas a chocalhar a vidinha cambapé dos nossos políticos que só trabalham quando se vêem confrontados pelo povo nas praças e ruas. A tragédia a que se chegou com o aumento de casas contentores marítimos, tendas, automóveis transformados em habitação, caravanas, quartos miseráveis alugados ao preço de uma casa com três divisões, é obra exclusiva dos partidos que desde o 25 de Abril tiveram o poder. A mediocridade raramente andou afastada do poder, os esquemas foram trampolim para chegar a empresas públicas, cargos criados a pedido, cunhas, estratégicas partidárias, enriquecimento indevido, ideologias ultrapassadas sem qualquer ligação com a realidade actual, para não esquecer a napa de corrupção que se instalou como uma aranha gigante.

         - Assim, Luís Neves, manda a polícia atacar os infelizes da sorte obrigando-os, como diz, a cumprir a lei; ele que fintou a mesma lei que os outros são forçados a observar. Fê-lo para proteger antes de mais o seu subordinado, chefe do Governo, mas igualmente para sobressair como ministro com autoridade e poder. Não apreciei as palavras que utilizou para se afirmar, arrogantes, mandonas, autoritárias, que não utilizou quando os polícias montaram quartel em frente à Assembleia da República, e noutras ocasiões por outros lados. É forte com os fracos, é cínico com todos quantos desprezam o seu poder. A verdade é, contudo, esta: se os jovens se revoltam, é porque a montante ninguém se importou com eles como seria sua obrigação. Quem deveria ser julgado, era a catrefa de homens e mulheres que ocuparam S. Bento durante os últimos 30 anos de democracia. Estas kafkianas criaturas que nos governam, têm apenas um fito: fazer crescer as fortunas dos que as têm não se sabe como e reduzir milhões a assalariados mal pagos à pobreza extrema. Depois daquela sujeita de nome Cristas, nenhum inquilino teve mais sossego, como não temos na saúde, na educação, na vida do dia-a-dia transformada numa luta permanente pela nossa dignidade e sobrevivência.  

 

terça-feira, outubro 20, 2026

Terça, 20.

Podem os jovens reivindicar o justíssimo direito à habitação, a Polícia carregar sobre eles, os partidos escaparem às responsabilidades do que está a acontecer, o custo de vida ficar insuportável, as escolas estarem enxameadas de bullying, a pobreza continuar a crescer, os velhos definharem de solidão e tristeza, que nada me entristece mais, nada me revolta tanto, indigna, deprime até às lágrimas que ver o maior dos portugueses, até o maior do mundo, que Montenegro venera e quer transformar cada português à sua imagem e semelhança, ser multado em 255 euros por se ter eclipsado no seu jacto privado das responsabilidades nacionais a que estava obrigado e deste modo cair na indigência. Isto não se faz à nossa bandeira nacional.