Quarta, 21.
Em França muitas cidades, incluindo Paris, estão sob recolher obrigatório a partir de certa hora. Foi a fórmula encontrada pelo Governo para conter a intromissão da extrema-esquerda que tomou conta das arrudas estudantis e deixou o país num caos. Entre nós temos a sorte de ter um ministro do calibre de Luís Neves que tem às suas ordens não só a Polícia como o seu subalterno primeiro-ministro.
- Entretanto, está a crescer por todo o lado, a luta dos deserdados ao direito a habitação condigna. Porto, Lisboa, Évora, Algarve, estão nas ruas a chocalhar a vidinha cambapé dos nossos políticos que só trabalham quando se vêem confrontados pelo povo nas praças e ruas. A tragédia a que se chegou com o aumento de casas contentores marítimos, tendas, automóveis transformados em habitação, caravanas, quartos miseráveis alugados ao preço de uma casa com três divisões, é obra exclusiva dos partidos que desde o 25 de Abril tiveram o poder. A mediocridade raramente andou afastada do poder, os esquemas foram trampolim para chegar a empresas públicas, cargos criados a pedido, cunhas, estratégicas partidárias, enriquecimento indevido, ideologias ultrapassadas sem qualquer ligação com a realidade actual, para não esquecer a napa de corrupção que se instalou como uma aranha gigante.
- Assim, Luís Neves, manda a polícia atacar os infelizes da sorte obrigando-os, como diz, a cumprir a lei; ele que fintou a mesma lei que os outros são forçados a observar. Fê-lo para proteger antes de mais o seu subordinado, chefe do Governo, mas igualmente para sobressair como ministro com autoridade e poder. Não apreciei as palavras que utilizou para se afirmar, arrogantes, mandonas, autoritárias, que não utilizou quando os polícias montaram quartel em frente à Assembleia da República, e noutras ocasiões por outros lados. É forte com os fracos, é cínico com todos quantos desprezam o seu poder. A verdade é, contudo, esta: se os jovens se revoltam, é porque a montante ninguém se importou com eles como seria sua obrigação. Quem deveria ser julgado, era a catrefa de homens e mulheres que ocuparam S. Bento durante os últimos 30 anos de democracia. Estas kafkianas criaturas que nos governam, têm apenas um fito: fazer crescer as fortunas dos que as têm não se sabe como e reduzir milhões a assalariados mal pagos à pobreza extrema. Depois daquela sujeita de nome Cristas, nenhum inquilino teve mais sossego, como não temos na saúde, na educação, na vida do dia-a-dia transformada numa luta permanente pela nossa dignidade e sobrevivência.
