Quarta, 8.
O mundo regozijou-se com a suspensão da guerra sob a batuta do primeiro-ministro do Paquistão na base do programa posposto pelo Irão. Trump, o Hitler dos tempos modernos, vingativo e ignorante, chamou a si esta como todas as restantes vitórias que o mundo nunca teve nem virá a alcançar. Por duas semanas, dizem, vai haver tréguas, pelo Estreito de Ormuz irá passar o querido petróleo tão indispensável ao mundo civilizado e desenvolvido, os mísseis que arrasarão o Irão e o deixarão na “idade da pedra” ficarão suspensos, não haverá ameaças de Israel sobre o Irão como sobre o Líbano. Esta paz aldrabada, está explícita no comunicado do governo de Netanyahu: “The two-weeks ceasefire does not include Lebanon.”
- Anda aí o espalha brasas. Desta vez, decidiu acolher o que lhe pedia e se resumia a duas coisas: aproveitar o tempo para queimar os mortos da intempérie e começar a cortar a erva ruim em volta da casa. Deste modo, quando pelo meio-dia olhei através da janela, já o espaço me pareceu digno de um príncipe esquecido nos subúrbios do tempo.
- Francis foi a enterrar ontem no cemitério de Saint-Denis. Os amigos mais chegados, conseguiram através do notário, chegar a uma conta bancária que permitiu pagar a estada na câmara frigorífica do hospital e haver um enterro condigno. Diz-me o Robert que esteve presente, uma dúzia de pessoas compareceram e um dos mais próximos do defunto, fez o elogio fúnebre realçando a sua imensa cultura em vários domínios, sobretudo em História de que era um ilustre conhecedor. Que eu posso testemunhar, pois chegava a estar uma hora ao telemóvel comigo, desenvolvendo teses que eu contrariava como podia ou ele me deixava. Que Deus o tenha.
- O português de hoje surpreende-me e revolta-me. Os nossos políticos chegados de urgência após-25 de Abril, trataram (e muito bem) da iliteracia do povo, varrendo da sociedade o analfabetismo. Mas descuidaram a educação e deixaram através dos anos de incutir a Cultura. O futebol, os concursos, os concertos estivais, são suficientes para dar resposta a esse incómodo que é o conhecimento. A nossa língua, que alguns cultores dizem ser a nossa pátria, anda pelas ruas da amargura. A começar pelos políticos que falam um português de ralé e aquelas jornalistas que inundaram as estações de TV, e comunicam por monossílabos desajeitados. Um exemplo muito frequente: “O porquê de tudo isto que vai ser impactante para o futuro...” Horror, Horror!