terça-feira, junho 30, 2026

 Terça, 30.

José Sócrates a quem não falta dinheiro aos milhões, ele que disse que é pobre e vive do montante de 2200 euros de aposentação, não se sabe bem (ou sabe-se) onde vai arranjar tanto dinheiro para recursos, processos contra os tribunais que o julgam por gatuno e outros desvarios. Anda louco de contentamento porque o processo que interpôs contra o Estado por violação do segredo de justiça no processo Operação Marquês, deu-lhe razão.  Assim o Estado foi condenado a pagar-lhe 15 mil euros “por má administração da justiça”. Este homem é uma personagem romanesca num país de fadas, criado por ele, e que ele manobra a seu belo prazer. E dizer-se que este socialista de gema, foi primeiro-ministro deste pobre país com séculos de história! Dá para acreditar? 

         - Quem se agiganta e não me digam porque razão eu o agrego ao socialista Sócrates, é o nosso aperaltado Bugalhito. Luís Montenegro pediu-lhe que subisse mais uns quantos degraus, e o lustroso aí vai até aos píncaros de primeiro-ministro. Sem mulheres que o afrontem por medo dos enxovalhos físicos, com a palavra salmodiada na ponta da língua, a vaidade estampada no rosto duro, traçado a cremes e pomadas que dão brilho à pele, os memes aprendidos quando palestrou nas televisões, sem conteúdo cimentado, aí vai ele todo laricas. Bugalhito não tem ideias - tem pressupostos. 

         - Calor. Fui à piscina, estava vazia. Eu era o único nos 25 metros de betão, se tivermos em conta as madames medonhas que ocupavam com o seu peso uma outra parte, ninguém mais aproveitou para se refrescar e ginasticar. De facto, esteve uma brasa. Todavia, é em casa que estou bem, porque a construi com sabedoria e arte. Aqui está sempre fresco (no Inverno acolhedora), com as portadas encostadas, as janelas abertas quando acordo, todo este espaço é um oásis de bem-estar. Começa porque ergui em toda a moradia duas paredes paralelas, com uma caixa de ar de 6 cm, um produto isolante de baixo a cima, o que não permite deixar entrar o frio como a humidade, mantendo uma temperatura constante. É nesta semi-obscuridade abraçada ao silêncio igual quando há frio ou calor, que as horas deslizam nos braços eternos da felicidade. 

         - Vou ter de me acautelar, diminui de peso para 62 kg. O problema é que detesto comer e com calor tenho tendência a comer menos. Depois do desastre de Abril que o estômago esteve no centro, evito restaurantes, comida cozinhada a granel, acepipes, etc. Há só um lugar que o meu estômago não barafusta: o restaurante do Corte Inglês.  


segunda-feira, junho 29, 2026

Segunda, 29.

Interrogo-me e peço a Deus que nos poupe a tragédias como a que ocorreu na Venezuela. Se lá é o que se vê, aqui seria bem pior porque os que passaram pelo poder, PSD e PS, nunca se importaram com o nosso futuro, antes os animou e anima o poder pelo poder, a importância de suas excelências, a gestão do dia a dia. Estratégias e planos nunca foram o seu forte. Costa costumava dizer que ele fazia política - os outros executavam-na. Esperto, aproveitou e hoje está sem preparação nenhuma no lugar que os confrades lhe ofereceram. Nós ainda não nos vimos livres do caos em que ele deixou o país. Entretanto, o número de mortos e feridos não pára de aumentar: 1450 falecidos, 3158 feridos, 12760 desalojados.  

         - Confesso que tenho pena dos meus amigos que se submetem a uma vida fininha, sem nervos, sem vontade própria, rendidos ao deixa andar como se já não vivessem e tudo o que ainda usufruem lhes é completamente indiferente. Eles não têm uma companheira em casa - têm uma oficial do exército, uma comandante das forças vivas de terra, mar e ar. 

         - O conflito entre Irão e EUA recomeçou (se é que tenha alguma vez acabado). Os bombardeamentos e bloqueios no Estreito de Ormuz estão como sempre estiveram salvo em momentos idílicos, festejados pelos pobres políticos europeus, quando da cimeira na Suíça e França. Está tudo louco e ninguém compreendeu ainda que se encena uma guerra de largas proporções. Nunca o mundo esteve como está hoje, com tantos déspotas a vigiarem-se, a estudarem-se, a ensaiarem a saída mais oportuna para a terceira guerra mundial.

         - Prometem-nos para toda a semana temperaturas a rondar os 40 graus centígrados. Por aqui, as alvoradas começaram para regas e pequenos trabalhos exteriores. Ontem, fiz quatro frascos de compota de ameixa e um bolo de noz. Dono de casa e proprietário de quinta, não tem vida fácil. Mais a mais o que se acrescenta nos próximos dias: piscina amanhã, quarta renovação da carta de condução, quinta espalha brasas, sexta de novo em Lisboa ao encontro de Fr. Hélcio, e a escrita, a leitura, etc. Para uma vida assim, exige-se disciplina, força de vontade, prazer de viver.

         - Justamente, enquanto o calor não começar a chamuscar as pétalas delicadas das hortênsias, eis como o eu as trato e elas me devolvem a serenidade quando nelas pouso o olhar ao entardecer e ao amanhecer.  

 




domingo, junho 28, 2026

 Domingo, 28.

Estive a ler uma série de cartas que Charles De Gaulle escreveu aos filhos durante o rude período da II Grande Guerra. Vou transcrever para aqui duas delas, porque revelam o contraste existente entre os políticos de hoje e os de então, o imenso abismo cultural, civilizacional, a perspectiva do futuro, a identidade nacional que coexistia neles com a religiosa, a familiar, os valores, isto é, a fabulosa dimensão dos políticos e da política, grandes obreiros da Europa que perspectivaram o futuro como sentimento de identidade histórica, quando comparados com esta esventre de governantes de um vazio, de uma vacuidade impressionantes, de um analfabetismo, sem ideias, centrados na oportunidade pessoal, na vaidade, na propaganda, no poder pelo poder, transformando a política numa batalha de idiotas sedentos de brilho e ódio. 




sábado, junho 27, 2026

Sábado, 27.

Estamos sempre a aprender. Ontem, pelas dez da manhã, entrei no autocarro com destino a Oriente. Ao todo os passageiros para Lisboa, seriam uma dúzia. Ainda o veículo não tinha arrancado, entra um controlador. Pede-me o passe e eu digo-lhe que tem um trabalho inútil, porque todos os passageiros ao entrar são obrigados a apresentar o bilhete ao condutor. Ele ri-se, saca do bolso dois passes e diz-me: “Estes dois são desta manhã, acrescentando: "o número de famílias que só compra um passe social e depois é com ele que todos se deslocam à vez, não pára de aumentar.” Ante a minha surpresa: “E agora os filhos, como estão de férias, os pais passam-lhes o passe e eles divertem-se deslocando-se de Palmela para Lisboa ou outros sítios da margem sul.” Foi ao fundo o carro e quando voltou, continuou: “Ainda se compreendia quando os passes eram caros, mas ao preço que eles estão...” Respondo: “Não diga isso pela sua rica saúde. Olhe que ainda o tomam por um tipo de direita. O trabalhador tem sempre razão e se não a tiver a esquerda que temos encarrega-se de o defender.” Riu-se, ele e o condutor.  

         - As ajudas à Venezuela chegam a conta-gotas devido à imensa dificuldade de transportes. As imagens que nos chegam do norte de Caracas, são impressionantes, acompanhadas dos números que não param de crescer: 188 mortos, 1530 feridos. Mas também a surpresa que a vida nunca deixa de nos encantar. No meio dos escombros, saiu uma mulher que estava em trabalho de parto e o bebé nasceu nas mãos dos socorristas.  


         - Starmer, o primeiro-ministro britânico, abandonou o cargo. Tinha simpatia pelo homem e achava-o competente. Mas os comentadores dizem que ele foi péssimo na política interna e óptimo na política externa. Como Sanchéz, Macron e passo. 

         - Ontem passei na Brasileira. Fui recebido como se fosse o rei de Portugal. Todos me vieram cumprimentar e com todos travei pequenos diálogos e ouvi grandes discursos acerca do que resta dos tertulianos. Um destes, travou-se de razões com o pintor de um dos quadros premiados pelo conhecido café. O escândalo foi tal, que turistas e nacionais, assistiram, estupefactos aos conhecimentos técnicos e artísticos retratados aos berros, como se ele fosse a sumidade nacional na matéria. Que ridículo! Céus, do que eu me livrei!  

 

quinta-feira, junho 25, 2026

 Quinta, 25.

Há um advogado estrangeiro de seu nome Christophe Marchand (o apelido assenta-lhe como uma luva) que cobra fortunas a descobrir na lei os alçapões por onde iça os criminosos directamente para os altares das catedrais nacionais. Recentemente um que está preso, em breve será libertado. O outro, que anda há mais de dez anos a ser julgado, também é cliente do tal causídico que lhe cobrou para cima de meio milhões de euros, falo de José Sócrates, pagos pelo primo ou amigo empresário de Leiria, porque o homem, coitado, com 2.200 euros de aposentação, não pode, naturalmente, dar-se a tais ousadias. O tribunal, devia antes ouvir o João Corregedor e colher dele os motivos da inocência do socialista ladrão. Numa única sessão, ficava o assunto encerrado e para a conta bancária do ex-deputado do PCP, entraria o suficiente saído da conta do velho amigo Carlos Santos Silva, empresário do Grupo Lena. Que país! Que justiça! Que democracia! Tomam-nos por idiotas e mentecaptos, enquanto o carrocel de gente a enriquecer à custa daqueles que não podem aceder à justiça, não pára de crescer e as cadeias abrem-se de par em par para deixar sair os injustiçados. 

         - Pelo menos dois sismos de magnitude 7 na escala de Richter, abalaram a Venezuela. Caracas e La Guaira foram as cidades mais atingidas, onde vários edifícios colapsaram, e estima-se terem feito muitos mortos e milhares de feridos. Por agora estão confirmados 164 mortos e para cima de mil feridos. O mundo mobiliza-se para ajudar a Venezuela onde a vida já não era confortável, mas que agora ficará muito pior.   

         - Apanhei dois cabazes de ameixas pretas: um para fazer compota, outro para o espalha brasas senhor José Manuel.

         - Black, embalado pelo tempo chuvoso, dormiu toda a manhã no sofá do salão. Fui à piscina e voltei e ele nem deu pela minha saída, nem pela minha chegada. 


quarta-feira, junho 24, 2026

 Quarta, 24.

As temperaturas não param de subir. Toda a Europa sofre horrores com os termómetros a aumentar em flecha: Londres, Amesterdão, Paris com 40 graus e várias mortes por afogamento no Sena de quem queria escapar ao sufoco, Madrid, Roma, Viena. As noites aqui são particularmente difíceis obrigando-me a dormir de janelas escancaradas e colónias de mosquitos de atalaia. Esta noite, tendo-me esquecido de levar para o quarto a garrafa com água congelada, desci para a retirar do congelador. A noite estava serena, como se o calor se tivesse ausentado para deixar passar um fino assobio de ar fresco que se insinuava no vasto espaço. Quedei-me a ouvi-lo, a perscrutar o que me contava a noite naquele resto de horas antes da alvorada. Mas o silêncio era pesado, cirandava pelas divisões, povoando os muros, enchendo os minutos de um mundo que não se dá a conhecer ao dia. 

         - Posso dar a minha opinião sobre a Selecção Nacional e o resultado diametralmente oposto à última partida no Mundial de Futebol? Posso? Aqui vai. Do pouco que vi, do pouquíssimo que percebo de futebol, acho que foi fácil vencer os fracos. A equipa era muito fraquinha, fez o que pôde, e o brilho que levou o avô Ronaldo e os seus pupilos a enobrecerem-se, não me convenceu. A hora da verdade ainda está para vir. Tenho razão? 

         - Estou a ler a encíclica Magnifica Humanitas de Leão XIV. O exemplar foi-me emprestado e eu não sei ler sem anotar, sublinhar, folhear várias vezes um livro facultado. Todavia, do que tenho lido, incentiva-me a parar e ir à livraria comprá-lo. A incidência vai para a Inteligência Artificial e a sua aplicação (ou desumanização) no nosso quotidiano colectivo. 


terça-feira, junho 23, 2026

 Terça. 23.

Estive a tomar café com a Maria José durante o qual pusemos a conversa em dia. Ela foi operada a uma catarata do olho direito há três dias, mas já retomou o trabalho. Corajosa. Sobretudo quando, sendo escultora, tem de lidar com gesso, pedra, madeira na construção das suas obras. Não conheço ninguém tão activo como ela. Os seus oitenta anos, não a deixam descansar e trabalho não lhe falta. Perdeu o atelier que tinha numa quinta um pouco longe daqui, e pensou instalar-se aqui comigo. Eu não fiz nenhuma pressão nesse sentido e ela acabou por perceber e encontrou poiso em Quinta do Anjo. 

         - A ladroagem está por todo o lado. Quando é a direita a roubar, a esquerda desce à rua e julga-a na praça pública; mas quando é a esquerda protesta que é invenção do fascismo, das forças da reacção. Outro dia, no término relacional com o João Corregedor, quando eu disse que José Sócrates era o maior ladrão de todos os tempos ele, irado, mandou-me na linguagem própria dos camaradas proletários básicos àquele sítio. Mas os factos falam por si. Portugal tem sido governado por cliques sucessivas de corruptos, esquemas, ligações a máfias escondidas, compadrios, dinheiro a rodos passado por debaixo da mesa, ou escondido em offshores e até em gabinetes governamentais como aconteceu com o amigalhaço de António Costa que o abafou no seu gabinete ministerial de S. Bento. Eu costumo dizer que praticamente os tribunais só julgam a classe política e empresarial, são elas associadas que movimentam esforços e somas astronómicas de dinheiro e investigação à justiça. Os ladrõezinhos de pouca coisa, desapareceram. Em Portugal os dois partidos que têm tido o poder, também se têm governado à vez. 

         - Vem isto a propósito do que se passa em Espanha. Os socialistas por lá não são muito diferentes dos de cá. Assim, o braço direito de Pedro Sanchéz, foi condenado a 24 anos de prisão por esquemas fraudulentos quando da Covid-19. 24 anos! Os nossos tribunais são mais brandos, todo o mundo se conhece e, portanto, a actividade humanitária dos advogados faz de criminosos santos de altar. Num país de terceiro mundo, é assim que as coisas funcionam e ponto final. 

         - Calor abrasador. Fui ao tanque electrónico lavar a roupa de duas semanas. Lá encontrei um rapaz de vinte anos que vive só e tem que se ocupar de si; uma estrangeira que antes de meter a roupa na roda da fortuna, munida de uma data de produtos com esguiches, borrifava as peças antes de as pôr na máquina; e um homem à moda antiga, muito cuidadoso, dobrando cada peça como se fosse definitiva e guardando-a muito direita no cesto. Que mundo!