segunda-feira, abril 06, 2026

 Segunda, 6.

Lasso. Ontem tive que interromper o ritmo da minha vida para me consagrar ao repouso absoluto. Com tonturas que há muitos anos não me desnorteavam, esmagado por elas, vegetei entre livros e TV, a maior parte do tempo espojado na chaise longue. Para a noite já me sentia melhor e hoje estou como novo. Todavia, forçado a abrandar, dei-me conta de como os dias e os anos têm sido preenchidos na azáfama do quotidiano. Tenho mesmo a impressão que nunca tinha feito uma desaceleração como esta. Senti-me um felizardo, um tipo cercado de criados silenciosos, que me vigiavam sem que eu desse por isso, soba refratário que observa do alto do seu trono, um sorriso macaco traçado no rosto contente, a orla das horas desfiando para si as memórias de outros tempos fixadas na lisura dos instantes subitamente presentes. Pela tarde, em sopros claros, chegavam os aromas da minha estadia em Coimbra. Não sei explicar. Era como se a minha mente voltasse ao Colégio Camões, aos meus colegas, àquele lar que dava para o campo de futebol, o meu quarto virado para o terreno que vinha lá de cima do edifício central, amparado por um muro alto, rente à estrada alcatroada do bairro social, com vivendas de dois andares, onde vivia uma mistura incrível de classes: professores universitários, polícias, empregados bancários, etc. À entrada, vencidos os dois degraus de mármore, virando à esquerda ficava a sala comum onde nas tardes soalheiras se discutia futebol e gajas boas. Depois, mais adiante, pelo corredor em face, ladeado de quartos individuais dormiam e estudavam muitos dos meus camaradas, filhos da elite endinheirada no Norte. Um deles, de nome Zamite, filho de um médico de Mira, com quem jogava bilhar às três tabelas no café do Manel, na Cumeada, e onde muitas vezes se juntavam o Rui e o irmão, filhos de um comandante da Polícia, que viviam na rua de cima em frente ao lar. Eram momentos divertidos, abastecidos do imediato debitado pelo instante, mas igualmente da excitação do que surge do fundo dos sentimentos ou no espanto que ilumina para sempre a vida. Na juventude, mesmo os mais feios, são bonitos. Era o caso dos manos Cardoso de uma beleza sólida, servidos por um corpo abandonado, sem certeza de coisa nenhuma, rude, os rostos emoldurados de um sorriso leve, natural, que deixava sobressair duas fiadas de dentes imaculadamente brancos; quanto ao meu colega, pára, não entres pelos labirintos que dão forma e consistência ao que jaze na vala comum da dissimulação e nunca perde a forma que os olhos oferecem sem nada em troca ao coração...  

         - Alexandra Lucas Coelho: “Depois de séculos a perseguir judeus, culminando no Holocausto, a Europa fez a Palestina pagar as culpas europeias. Limpeza étnica em 1948, ocupação com colunatos em 1947, genocídio desde 2023, pena capital na Páscoa de 2026, Jerusalém é hoje uma cidade refém de Israel, como toda a Palestina (e em breve todo o Líbano acrescento eu), onde nenhum cidadão do mundo pode pisar se Israel não quiser.”

         - Comigo é sempre uma questão de excitação. Entusiasmo-me por tudo e por nada e o resultado sai sempre nulo quando não enfio a armadura da calma. Hoje, contudo, pela primeira vez, dispus-me a preencher o IRS sem ajuda de ninguém – e consegui! O meu IRS não obedece aos parâmetros do pré-preenchido, ficando a faltar o mod. 3 da coxearia. Munido de toda a calma e atenção, fui desbravando página a página o modelo das despesas e dos ganhos. Demorei um nico, mas rejubilei quando o sistema me disse, cara a cara, que estou cada vez mais inteligente. Agora é só esperar pelos carcanhóis que me fazem muita falta. Consignei o meu IRS à Fundação Salvador.   


sábado, abril 04, 2026

 Sábado, 4.

Ontem assisti pela TV à Via-Sacra transmitida de Roma e presidida pelo Papa Leão XIV. Momentos inesquecíveis a tal ponto que adormeci mais tarde com a imagem interior de Jesus Cristo na cruz. Os textos que acompanharam cada estação, eram de S. Francisco de Assis decerto em memória do Papa Francisco. Il poverello acompanha-me desde tenra idade. 

         - Acerca da morte de Jesus Cristo, estou a ler um ensaio curioso de James Lacey. Segundo o historiador, se Sejano não tivesse sido assassinado, na desordem e traições que acompanharam Lívia, Germânico, Agripina, Druso,  

Caio (Calígula), nos anos de 32 e 33, nunca Pôncio Pilatos, nomeado pelo centurião para governar a Judeia, teria cedido aos interesses dos judeus – um povo em constante desordem. Tibério tinha depositado total confiança naquele que desde sempre o apoiou, mas perante a carta que recebeu de Apicata ex-mulher de Sejano, de Capri onde se havia refugiado farto das querelas e interesses de Roma, Tíbério manda assassinar toda aquela gente, incluindo parentes próximos. Pôncio Pilatos, apressa a morte na cruz de Jesus porque os acontecimentos, em certa medida, iam também recair sobre os seus ombros enquanto íntimo de Sejano. A desenvolver. 

         - Os dois assanhados ditadores, Trump e Netanyahu, andaram dias a afirmar que o Irão estava reduzido do ponto de vista bélico e eis que ontem um caça e mais outro e ainda dois helicópteros do Exército americano, foram abatidos pelos mísseis de iranianos. Os EUA procuram o piloto-norte-americano desaparecido; o Irão oferece recompensa a quem o encontrar. Assim vai o mundo. 

         - Veio aí esta manhã o espalha brasas, mais conhecido por senhor José Manuel. Adoro o homem. Chega cedo, pelas oito da manhã, e não pára um minuto. É uma figura seca, em constante movimento, que pega nisto e logo larga para se enfiar naquilo. Queria queimar alguns montes de vegetação, mas eu tive de o impedir devido ao muito calor que aqui faz. Assim, optou por serrar a lenha saída do abate das árvores tombadas e nas idas e vindas entre o telheiro onde a guardava, falava-me da família, dos mortos, e daqueles que não guardam os dias feriados e o chamam para trabalhos. É uma pessoa solidária, que gosta de ser útil, e sofre quando não consegue satisfazer os seus compromissos. Há poucos assim. Este é de ouro. 

         - Acaba de chegar o Mr. Jonhson. Vem desafiar-me para ir ao café e por aqui me quedo. Boa Páscoa para todos os que me acompanham nestas passadas titubeantes, onde para uns me exponho em demasia e para outros nunca me dou conhecer. É isto. 


sexta-feira, abril 03, 2026

 Sexta, 3.

Se não soubéssemos que Trump é para além de egocêntrico rasca, bastou aquela tirada do aprendiz a presidente para vermos que espécie de gajo ocupa o alto cargo de uma nação que pretende liderar o mundo. Referindo-se às imagens do casal presidencial francês à chegada de avião, gozou: “Brigitte Macron trata o marido extremamente mal, e ele ainda está a recuperar do murro que levou no queixo.” Nem todos podem medir a sua masculinidade pelo tamanho dos pés, isso é reservado unicamente a um -  Donald Jonh Trump. Que de resto o utilizou durante anos a violar miúdas de tenra idade e devido aos oitenta está inoperacional. Seria interessante saber de Melania a este propósito que tem para nos contar. A menos que as caixas do célebre comprimido azul sejam feitas especialmente para o monstro em dose dupla, por exemplo, 1000 gramas. E mesmo assim...

         - O porte é de um canalha e não honra a confiança do cargo. O povo americano não merece um tipo destes à frente dos seus destinos. Atente-se naquela ridícula adoração que a sua entourage lhe fez ao elegê-lo cristo pela sacerdotisa que veio expressamente à Casa Branca deificá-lo. Estará o homem no seu perfeito juízo? Ou a decadência é tal que o aproxima da loucura!


quinta-feira, abril 02, 2026

 Quinta, 2 de Abril. 

Os nossos políticos podem esgrimir todos os contentamentos com a Constituição, enfrentar-se para a manter ou alterar, que ela de nada serve às centenas de utentes do SNS que vão para as filas às quatro da madrugada para conseguir consulta. O entretenimento filosófico de uns, é a maldição da maioria. Os deputados de todas as cores, vivem num mundo só deles onde não há pessoas e as poucas que há, são de nenhuma importância. 

         - Trump falou à nação, a boca cheia de palavras ocas, já desacreditado pelo mundo inteiro que não compreende a razão da guerra no Irão, a incursão na Venezuela, a prisão do seu Presidente, a tortura dos cubanos e por aí fora, sobretudo, a ligação a Netanyahu e aos extremistas de direita que governam Israel e a adoração pelo ditador Putin. 

         - As ameaças de rei soberano, continuam. Segundo o mentecapto americano, o Irão vai ser reduzido “à idade da pedra”. Espero que a história antiga onde nós bebemos ao longo dos séculos, escape à fúria desta choldra de gente ignorante, básica, que tem no poder a justificação e realização das suas loucuras. O tumulo do Grande Ciro, coberto por um véu de ouro, na montanha, em Pasárgada; os gigantescos touros barbudos com caras humanas que guardam o sepulcro de Xerxes, em Persépolis; ou o último Darius e tantas outras obras da história e cultura mundiais como os reis Artaxerxes II e III que repousam nas montanhas sagradas do Irão desde 522 a/C., além das imensas mesquitas. Não é só a cultura e a civilização dos iranianos que vai desaparecer, é também a do Ocidente cuja cultura mergulha as suas raízes naquelas montanhas de memória, tingidas do sangue dos nossos antepassados civilizacionais.  

         - A prova que a crise provocada pelos monstros ameaça estender-se ao mundo global, está no deserto que percorri no Corte Inglês. Quase não se via vivalma, os restaurantes sem ninguém e quando me abeirei do balcão para escolher o almoço, era o único cliente.  

         - Ontem fui ao Centro de Saúde. Fartei-me de andar, calcorreando a Avenida Ávares Cabral até ao Jardim da Estrela e de seguida a pequena rua que desce para a unidade familiar e de novo o regresso para me sentar a almoçar no 1800 - restaurante dos meus tempos de juventude. Mais tarde, desci e subi o Chiado, não falando nas voltas e viravoltas pela cidade e estações do Metro. Tinha atravessado a arrogância de um funcionário ao telefone e fui discutir com a minha competente médica, Dra. Vera Martins, o cruzamento de informação para a consulta do neuro-oftalmologista no Santa Maria. 


terça-feira, março 31, 2026

Terça, 31.

Sinais (perigosos) dos tempos. Não gosto de generalizar, mas que me apetece fazê-lo, lá isso.... Outro dia vi na Internet uma proposta com a sigla da Shtil, que pela módica quantia de pouco mais de cem euros, podia adquirir uma tesoura de poda, uma serra eléctrica, uma vara de corte em altura e ainda a generosa oferta de uma máquina para afiar motosserras. Disse que só pagava por multibanco e esperei uma semana pelo brinde de Páscoa. Que chegou ontem, montado numa instituição que já teve melhores dias, os CTT. Ao portão entrou uma carrinha branca, amachucada, e de dentro saiu uma brasileira escura, cabelo cortado à escovinha, pintado de amarelo, cara redonda e gestos decididos, para me estender um embrulho com pouco mais de 60x30cm, mais leve que um pacote de amêndoas. Perguntei se podia verificar o que continha, respondeu a célere rapariga que não. Insisti: acha que aí está (nomeei o que acima descrevi), ela balbuciou que não tinha nada a ver com a operação, facto que eu sabia. Rodopiou a estafeta sobre os calcanhares da viatura e fui à Net verificar tudo de novo. Procurei a marca e obtive o número de telefone para confirmar o que me parecia óbvio: “Estamos com uma promoção, mas nas nossas lojas”, com o remate: “Essas aldrabices são constantes, meu caro senhor.” Curioso como sou, ainda agora me penalizo por não ter aceitado o volume e certificar-me o que continha. Mas dar 100 euros por um par de botas velhas...  

         - Os criminosos da extrema-direita israelita, com o chefe corrupto e assassino à cabeça, senhor Benjamim Netanyahu, defensores dos primórdios da religião, cuspindo o fel que lhes entope as gargantas, aprovaram no Knesset a pena de morte para os palestinianos que enfrentaram os invasores e agressores na sua pátria soberana. Não contentes com a mortandade que fizeram, com a destruição de um país eternamente subjugado à supremacia de uma raça e religião, enxotados como lixo para fora das portas de Israel, não obstante toda esta desumanidade e tirania, ainda se querem vingar de inocentes que apenas se defenderam de assassinos sem consciência, nem legalidade moral e impedidos de tais actos ao abrigo do direito internacional. 

         - Mais uma vez, glória a Pedro Sánchez. É ele que se distingue da chusma de dirigentes de pacotilha que vegetam pela nossa moribunda e medíocre Europa. Ele e Zelensky. Ao contrário dos nossos governantes humildes, bajuladores e reconhecidos a Trump, oferecendo-lhe de bandeja a base das lajes para prosseguir a guerra sangrenta e incongruente contra o Irão; a Espanha de Sánchez, altiva e civilizada, recusou categoricamente, com voz firme e clara: “Negámos aos EUA o uso das lajes de Rota e Móron para esta guerra ilegal (sic). Todos os planos de voo que contemplem acções relacionadas com a operação do Irão foram rejeitados. Todos incluindo os aviões de reabastecimento.” 

         - Preciso tanto de tempo para me consagrar ao romance. Escolhi viver neste isolamento apenas porque escrever exige tempo e silêncio. Enganei-me. Nunca o trabalho sob vários ângulos nesta quinta deixou de me desafiar. Não tenho tempo para nada e mesmo estes gatafunhos que aqui alinho, levam-me três horas surripiadas ao romance. Que fazer quando isto está a resultar numa obsessão? Vender e fechar-me num apartamento em Lisboa? Esta manhã, na meia hora a passar na piscina, enquanto nadava, não pensei noutra coisa. Por vezes, só para fazer avançar a história de Ana Boavida, vou com o croché sentar-me num café em Lisboa. Que contradição, santo Deus!


segunda-feira, março 30, 2026

 Segunda, 30.

Daqui a duas semanas a Hungria vai a votos. Esperemos que vença Péter Magyar fartos como estamos da prepotência e conluio de Viktor Orbán e do seu partido Fidesz com o nepotista Vladimir Putin. Ao que parece, a interferência do ditador russo está por todo o lado, manobrando a província paupérrima com esmolas, comida e assim. A Hungria! E lembrar-me eu que estive nas vésperas de o visitar, quando a entrada de turistas foi proibida devido à Covid-19! Ainda hoje estou à espera que a nossa bandeira, tão querida da esquerda, me devolva o dinheiro da viagem.  

         - Quem é que acredita nesta gente hipócrita e cínica! Refiro-me à reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros do G7 realizada na sexta-feira passada em França, da qual saiu o pedido imediato dos ataques contra civis e infra-estruturas civis no Irão. Sabem quem estava presente? O Secretário de Estado norte-americano (entre nós ministro dos Negócios Estrageiros), senhor Marco Rubio! Irão onde já morreram 1900 pessoas e 20 mil ficaram feridas, segundo a Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. 

         - Entretanto, Israel prossegue a invasão do Sul do Líbano. António Guterres e Pedro Sánchez, alertam para a possibilidade dessa ocupação redundar no mesmo destino do enclave palestiniano. Netanyahu e seus apaniguados, não se resignam ao seu pequeno território (do tamanho do Alentejo) e pretendem estendê-lo no sentido da Faixa de Gaza e para o Líbano, fazem-no protegidos pelo louco da América danadinho por ir a banhos na Riviera palestina. Tudo isto seria cómico, não fora os crimes hediondos praticados por ambos. 

         - Dito isto, também não aprovo de maneira nenhuma, os actos terroristas contra os israelitas que um documentário da SIC, sexta-feira, nos mostrou. Aquilo é horror impossível de aceitar, de uma crueldade assustadora. No entanto, pergunto-me como foi possível o HAMAS crescer daquele modo, sem que os serviços secretos do Estado, reputados como um dos mais eficazes do mundo, soubessem. Frente a frente com Netanyahu, perguntar-lhe-ia. Um povo que durante quase um século sofreu humilhações e torturas sob a pata dos vizinhos déspotas e militarmente abastecidos, tratados como lixo, sem forças anímicas para repudiar o HAMAS, que se permitiu fazer tuneis e preparar-se para enfrentar o pior. 

         - “A pior e mais bestial atrocidade cometida pelos seus exploradores foi a seguinte: penduraram nuas as mulheres mais nobres e distintas e depois cortaram-lhes os seios e coseram-lhos na boca, para parecer que as vítimas os estavam a comer; de seguida, empalaram-nas em paus afiados. E fizeram tudo isto no meio de sacríficos, banquetes e crueldades.” Este acontecimento é narrado por Dião Cássio, em História de Roma e se o trago aqui, é para comparar com as crueldades de Netanyahu, Putin e Trump – estes são tão cruéis como os bretões conduzidos pela rainha Boadiceia, mas não observam, in loco, as barbaridades que cometem. Como em Nagasaki e Hiroxima.


domingo, março 29, 2026

 Domingo, 29.

A guerra dos dois tresloucados déspotas, alastra por todo o Médio Oriente. Os houthis do Iémen acabam de entrar no conflito ao lado do Irão, lançando o primeiro míssil sobre o sul de Israel. Trump, contudo, vendo escapar-se-lhe o Nobel da Paz, encosta-se um pouco mais aos homens judeus dos negócios americanos e ao seu camarada Putin que parece ser o único que tem beneficiado com a desgraça que ainda vai no adro. A propósito, se me permitem, transcrevo este naco de boa prosa e melhor análise de Fr. Bento Domingues há uma semana no jornal Público, servindo-se do texto de Rafael Rabona,. “As guerras de Putin, Trump e Netanyahu não são guerras justas, que não existem. São guerras inspiradas pela antiga mentalidade colonial, segundo a qual é legítimo saquear a riqueza alheia. Por trás de todas as guerras em curso, existe apenas um desejo obsceno de controlar petróleo, gás, minerais e rotas comerciais.”  

         - Portugal parece alheado de tudo isto. Os socialistas fazem o seu congresso pós-José Luís Carneiro, mapeado dos anteriores, tentando “furar a bolha”, mostrando que pouco aprenderam com o passado, ignorando a sensibilidade dos portugueses, a vida apertada que levam, a descrença nos políticos, detendo-se nos pequenos-nadas como a identidade de género, o susto do Chega, o folclore da esquerda do partido liderada por um tal Ricardo Gonçalves encostado ao defunto Pedro Nuno Santos, enfim, a política à portuguesa. Bom entretenimento, sim senhor. 

         - Enquanto isto, como se fossem alheios ao destino dos seus concidadãos, não reparam como são vãs as palavras, os actos e omissões que os democratas imprimiram ao longo dos 50 anos de democracia. As últimas estatísticas, dizem que estamos como estávamos em 1995, a pobreza continua a proliferar e o emprego é cada vez mais mal remunerado e sem estabilidade. Para não falar no reinado de António Costa que tenho atravessado na garganta pelo que foi de ilusório, rastejante, ideologicamente fracassado, a par da desordem, dos gritos de uns e outros nos órgãos de comunicação social, do abandono do investimento na saúde, na habitação, na valorização dos jovens, mesmo quando a “geringonça” que a esquerda laureou e continua a laurear, apesar da desgraça que ainda hoje rasteja pelas ruas da amargura nacional ter sido varrida. Os que nos (des)governam, como antes os socialistas com as suas “contas certas”, ufanam-se com a ilusória riqueza do “excedente histórico de 0,7%” mas, em simultâneo, os velhos vadiam pelas ruas da amargura, os jovens fogem do país, os prejudicados pelo temporal ainda não foram compensados, os sucessivos governos desprezam esta massa humana de dez milhões de almas entregues à sua sorte. A imperial governação de uns e outros, trabalha para a pobreza e indiferença do povo cordeiro sofredor, pondo em primeiro as ideologias aqueles, os cifrões estes. Macaca sorte a nossa. 

         - Fim de semana brilhante. Não só pelos dias ajoujados de sol, como pela placidez das horas preenchidas pelo trabalho intelectual e laboral.