domingo, abril 12, 2026

Domingo, 12.

Ia-me a esquecer de informar que o ditador Kim Jong-un, foi reeleito para o mais rentável cargo político da Coreia do Norte. Eles chamam àquilo República Popular Democrática! Este “democrata” junto com os camaradas da Rússia, China, Israel, Irão, etc. têm um alto sentido de humor ou tomam-nos por idiotas?  

         - As eleições que hoje têm lugar na Hungria, são fundamentais para o destino do país como da União Europeia. O sinistro J. D. Vance, capitão de brega, esteve lá a apoiar o amigalhaço de Putin. Tanto ele como o patrão Trump, estão em campanha para destruir a União Europeia. Os ditadores, de direita ou esquerda, entendem-se às mil maravilhas. Tomando o povo húngaro por lorpa, num comício, em Budapeste, apelou ao voto em Orbán contra Péter Magyar. Mas disse ainda que a sua visita era um sinal de apoio “especialmente aos burocratas de Bruxelas” que acusou de serem “um dos piores exemplos de interferência eleitoral” – ele que veio dos confins do globo intrometer-se nas eleições presentes! A esta tropa fandanga que nos governa, lata não falta e bom senso muito menos. 

         - A polémica miserável que por aí vai, a propósito do nome e da obra de José Saramago, discutida como plataforma de aprendizagem do português nas escolas. Uns são contra porque o homem distribuía sabedoria de esquerda; outros porque a sua forma de escrever o português é demasiado complexa para os conhecimentos (e cabecinhas) dos alunos. Então, a dada altura, alguém aventou (dentro dos esquemas mesquinhos e pequeninos dos que ensinam e governam) que não estava em causa a ideologia do romancista, tanto assim que para o substituir vinha outro, Mário Cláudio, alinhado politicamente com o nosso Nobel. A pergunta que faço é esta: “Vocês os que possuem teorias literárias, leram porventura algum livro do autor que propõem?” É que se Saramago vos é inacessível, Cláudio eu vou ali e já venho...   

         - Soubemos no final da semana, que a Santa Casa teve lucros no montante de 43,6 milhões de euros! O que se pergunta é quem ficou sem assistência, quem morreu de fome durante o ano passado, quem vive na rua ou em condições inumanas.  

          - Estou de lareira acesa. O vento aqui anda e ciranda em torno da casa, o frio acompanha-o e para não morrer regelado, voltei ao conforto do Inverno. 




sábado, abril 11, 2026

 Sábado, 11.

O ladrão da corte, José Sócrates, é notícia por andar a fugir à cadeia. Na mente deste génio, com diploma tirado ao domingo, e que se integra no feliz acrónimo criado pelo eminente professor jubilado da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto TACO (Trump always chikens out), a sua inocência só é provada por um núcleo de portugueses onde se integra a esquerda extremamente bem representada pelo João Corregedor. A esta esquerda sectária não bastam os anos e a quantidade de processos, as provas provadas pelas escutas, o modus operandi da personagem, a sua ligação a este e àquele, os milhões que tudo compravam dizendo-se pobre e a viver dos dois mil e poucos euros da reforma do Estado, as juras que esses milhões lhe foram emprestados pelo empresário de Leiria com a garantia de lhe devolver até ao cêntimo. Como é possível que esta palhaçada convença o comum dos portugueses, que seja uma manobra política como a criatura quer fazer querer? O homem, com aquela barriga proeminente, aquele ar desafiador, que menospreza a justiça e os seus agentes, deixa todas as semanas o seu refúgio na Ericeira e surge nos ecrãs da televisão numa guerra que só tem um objectivo: atrasar e remeter os prazos de forma a prescreverem e ele sair inocente de todas as falcatruas que praticou. Para isso pergunta-se de onde lhe vem tanto dinheiro para pagar a advogados durante estes últimos dez anos!? Se se diz pobre...  

         - Ontem tinha, enfim, aprazado um almoço com a Alzira. Todavia, ao meio-dia, telefonei a desmarcar porque estava em guerra com o banco e as suas complicações de acesso à conta. Eles, todos, dizem que é para nos defender de intrusos, mas eu respondi ao funcionário brasileiro que me recebeu que os vigaristas, com ou sem excesso de zelo, fraqueiam tudo e são eles que devem milhões aos bancos forrados de segurança. 

         - Como estava perto do Corte Inglês, dei um salto ao último andar para almoçar. Aquela gente sabe do negócio. Como a razia de clientela é notória, reparei que os pratos tinham descido 2-3 euros. Não será muito, mas o suficiente para recolher a simpatia e forçar a tentação de novas idas ao restaurante. Por todo o lado, é visível o abandono dos clientes com todos os andares vazios, os restaurantes sem filas, um movimento escasso e as chegadas ao telemóvel dos descontos para esta e aquela secção. E ainda a procissão vai no adro. 

         - Aquela ideia maluca de que eu sou bonito, desinquieta-me. Esta semana, pelo menos duas pessoas mo assinalaram. A última foi hoje de manhã o barbeiro. Encontrei o brasileiro que me rapou todo e um outro (português) que me tinha cortado o cabelo há uns meses. Digo a este: “Outro dia um tipo brasileiro que não percebia o que eu dizia, dizimou-me a cabeça onde já pouco cabelo existe.” E ele olhando-me, responde: “Ficou mais bonito.” Aí aquele que me causou os estragos para além de se identificar, disse concordar com o parecer do companheiro. E eu para rematar a conversa: “Não fiquei - sou bonito.” À mon âge! Gargalhada geral. 


quarta-feira, abril 08, 2026

 Quarta, 8.

O mundo regozijou-se com a suspensão da guerra sob a batuta do primeiro-ministro do Paquistão na base do programa posposto pelo Irão. Trump, o Hitler dos tempos modernos, vingativo e ignorante, chamou a si esta como todas as restantes vitórias que o mundo nunca teve nem virá a alcançar. Por duas semanas, dizem, vai haver tréguas, pelo Estreito de Ormuz irá passar o querido petróleo tão indispensável ao mundo civilizado e desenvolvido, os mísseis que arrasarão o Irão e o deixarão na “idade da pedra” ficarão suspensos, não haverá ameaças de Israel sobre o Irão como sobre o Líbano. Esta paz aldrabada, está explícita no comunicado do governo de Netanyahu:  “The two-weeks ceasefire does not include Lebanon.”

         - Anda aí o espalha brasas. Desta vez, decidiu acolher o que lhe pedia e se resumia a duas coisas: aproveitar o tempo para queimar os mortos da intempérie e começar a cortar a erva ruim em volta da casa. Deste modo, quando pelo meio-dia olhei através da janela, já o espaço me pareceu digno de um príncipe esquecido nos subúrbios do tempo. 

         - Francis foi a enterrar ontem no cemitério de Saint-Denis. Os amigos mais chegados, conseguiram através do notário, chegar a uma conta bancária que permitiu pagar a estada na câmara frigorífica do hospital e haver um enterro condigno. Diz-me o Robert que esteve presente, uma dúzia de pessoas compareceram e um dos mais próximos do defunto, fez o elogio fúnebre realçando a sua imensa cultura em vários domínios, sobretudo em História de que era um ilustre conhecedor. Que eu posso testemunhar, pois chegava a estar uma hora ao telemóvel comigo, desenvolvendo teses que eu contrariava como podia ou ele me deixava. Que Deus o tenha. 

         - O português de hoje surpreende-me e revolta-me. Os nossos políticos chegados de urgência após-25 de Abril, trataram (e muito bem) da iliteracia do povo, varrendo da sociedade o analfabetismo. Mas descuidaram a educação e deixaram através dos anos de incutir a Cultura. O futebol, os concursos, os concertos estivais, são suficientes para dar resposta a esse incómodo que é o conhecimento. A nossa língua, que alguns cultores dizem ser a nossa pátria, anda pelas ruas da amargura. A começar pelos políticos que falam um português de ralé e aquelas jornalistas que inundaram as estações de TV, e comunicam por monossílabos desajeitados. Um exemplo muito frequente: “O porquê de tudo isto que vai ser impactante para o futuro...” Horror, Horror! 


segunda-feira, abril 06, 2026

 Segunda, 6.

Lasso. Ontem tive que interromper o ritmo da minha vida para me consagrar ao repouso absoluto. Com tonturas que há muitos anos não me desnorteavam, esmagado por elas, vegetei entre livros e TV, a maior parte do tempo espojado na chaise longue. Para a noite já me sentia melhor e hoje estou como novo. Todavia, forçado a abrandar, dei-me conta de como os dias e os anos têm sido preenchidos na azáfama do quotidiano. Tenho mesmo a impressão que nunca tinha feito uma desaceleração como esta. Senti-me um felizardo, um tipo cercado de criados silenciosos, que me vigiavam sem que eu desse por isso, soba refratário que observa do alto do seu trono, um sorriso macaco traçado no rosto contente, a orla das horas desfiando para si as memórias de outros tempos fixadas na lisura dos instantes subitamente presentes. Pela tarde, em sopros claros, chegavam os aromas da minha estadia em Coimbra. Não sei explicar. Era como se a minha mente voltasse ao Colégio Camões, aos meus colegas, àquele lar que dava para o campo de futebol, o meu quarto virado para o terreno que vinha lá de cima do edifício central, amparado por um muro alto, rente à estrada alcatroada do bairro social, com vivendas de dois andares, onde vivia uma mistura incrível de classes: professores universitários, polícias, empregados bancários, etc. À entrada, vencidos os dois degraus de mármore, virando à esquerda ficava a sala comum onde nas tardes soalheiras se discutia futebol e gajas boas. Depois, mais adiante, pelo corredor em face, ladeado de quartos individuais dormiam e estudavam muitos dos meus camaradas, filhos da elite endinheirada no Norte. Um deles, de nome Zamite, filho de um médico de Mira, com quem jogava bilhar às três tabelas no café do Manel, na Cumeada, e onde muitas vezes se juntavam o Rui e o irmão, filhos de um comandante da Polícia, que viviam na rua de cima em frente ao lar. Eram momentos divertidos, abastecidos do imediato debitado pelo instante, mas igualmente da excitação do que surge do fundo dos sentimentos ou no espanto que ilumina para sempre a vida. Na juventude, mesmo os mais feios, são bonitos. Era o caso dos manos Cardoso de uma beleza sólida, servidos por um corpo abandonado, sem certeza de coisa nenhuma, rude, os rostos emoldurados de um sorriso leve, natural, que deixava sobressair duas fiadas de dentes imaculadamente brancos; quanto ao meu colega, pára, não entres pelos labirintos que dão forma e consistência ao que jaze na vala comum da dissimulação e nunca perde a forma que os olhos oferecem sem nada em troca ao coração...  

         - Alexandra Lucas Coelho: “Depois de séculos a perseguir judeus, culminando no Holocausto, a Europa fez a Palestina pagar as culpas europeias. Limpeza étnica em 1948, ocupação com colunatos em 1947, genocídio desde 2023, pena capital na Páscoa de 2026, Jerusalém é hoje uma cidade refém de Israel, como toda a Palestina (e em breve todo o Líbano acrescento eu), onde nenhum cidadão do mundo pode pisar se Israel não quiser.”

         - Comigo é sempre uma questão de excitação. Entusiasmo-me por tudo e por nada e o resultado sai sempre nulo quando não enfio a armadura da calma. Hoje, contudo, pela primeira vez, dispus-me a preencher o IRS sem ajuda de ninguém – e consegui! O meu IRS não obedece aos parâmetros do pré-preenchido, ficando a faltar o mod. 3 da coxearia. Munido de toda a calma e atenção, fui desbravando página a página o modelo das despesas e dos ganhos. Demorei um nico, mas rejubilei quando o sistema me disse, cara a cara, que estou cada vez mais inteligente. Agora é só esperar pelos carcanhóis que me fazem muita falta. Consignei o meu IRS à Fundação Salvador.   


sábado, abril 04, 2026

 Sábado, 4.

Ontem assisti pela TV à Via-Sacra transmitida de Roma e presidida pelo Papa Leão XIV. Momentos inesquecíveis a tal ponto que adormeci mais tarde com a imagem interior de Jesus Cristo na cruz. Os textos que acompanharam cada estação, eram de S. Francisco de Assis decerto em memória do Papa Francisco. Il poverello acompanha-me desde tenra idade. 

         - Acerca da morte de Jesus Cristo, estou a ler um ensaio curioso de James Lacey. Segundo o historiador, se Sejano não tivesse sido assassinado, na desordem e traições que acompanharam Lívia, Germânico, Agripina, Druso,  

Caio (Calígula), nos anos de 32 e 33, nunca Pôncio Pilatos, nomeado pelo centurião para governar a Judeia, teria cedido aos interesses dos judeus – um povo em constante desordem. Tibério tinha depositado total confiança naquele que desde sempre o apoiou, mas perante a carta que recebeu de Apicata ex-mulher de Sejano, de Capri onde se havia refugiado farto das querelas e interesses de Roma, Tíbério manda assassinar toda aquela gente, incluindo parentes próximos. Pôncio Pilatos, apressa a morte na cruz de Jesus porque os acontecimentos, em certa medida, iam também recair sobre os seus ombros enquanto íntimo de Sejano. A desenvolver. 

         - Os dois assanhados ditadores, Trump e Netanyahu, andaram dias a afirmar que o Irão estava reduzido do ponto de vista bélico e eis que ontem um caça e mais outro e ainda dois helicópteros do Exército americano, foram abatidos pelos mísseis de iranianos. Os EUA procuram o piloto-norte-americano desaparecido; o Irão oferece recompensa a quem o encontrar. Assim vai o mundo. 

         - Veio aí esta manhã o espalha brasas, mais conhecido por senhor José Manuel. Adoro o homem. Chega cedo, pelas oito da manhã, e não pára um minuto. É uma figura seca, em constante movimento, que pega nisto e logo larga para se enfiar naquilo. Queria queimar alguns montes de vegetação, mas eu tive de o impedir devido ao muito calor que aqui faz. Assim, optou por serrar a lenha saída do abate das árvores tombadas e nas idas e vindas entre o telheiro onde a guardava, falava-me da família, dos mortos, e daqueles que não guardam os dias feriados e o chamam para trabalhos. É uma pessoa solidária, que gosta de ser útil, e sofre quando não consegue satisfazer os seus compromissos. Há poucos assim. Este é de ouro. 

         - Acaba de chegar o Mr. Jonhson. Vem desafiar-me para ir ao café e por aqui me quedo. Boa Páscoa para todos os que me acompanham nestas passadas titubeantes, onde para uns me exponho em demasia e para outros nunca me dou conhecer. É isto. 


sexta-feira, abril 03, 2026

 Sexta, 3.

Se não soubéssemos que Trump é para além de egocêntrico rasca, bastou aquela tirada do aprendiz a presidente para vermos que espécie de gajo ocupa o alto cargo de uma nação que pretende liderar o mundo. Referindo-se às imagens do casal presidencial francês à chegada de avião, gozou: “Brigitte Macron trata o marido extremamente mal, e ele ainda está a recuperar do murro que levou no queixo.” Nem todos podem medir a sua masculinidade pelo tamanho dos pés, isso é reservado unicamente a um -  Donald Jonh Trump. Que de resto o utilizou durante anos a violar miúdas de tenra idade e devido aos oitenta está inoperacional. Seria interessante saber de Melania a este propósito que tem para nos contar. A menos que as caixas do célebre comprimido azul sejam feitas especialmente para o monstro em dose dupla, por exemplo, 1000 gramas. E mesmo assim...

         - O porte é de um canalha e não honra a confiança do cargo. O povo americano não merece um tipo destes à frente dos seus destinos. Atente-se naquela ridícula adoração que a sua entourage lhe fez ao elegê-lo cristo pela sacerdotisa que veio expressamente à Casa Branca deificá-lo. Estará o homem no seu perfeito juízo? Ou a decadência é tal que o aproxima da loucura!


quinta-feira, abril 02, 2026

 Quinta, 2 de Abril. 

Os nossos políticos podem esgrimir todos os contentamentos com a Constituição, enfrentar-se para a manter ou alterar, que ela de nada serve às centenas de utentes do SNS que vão para as filas às quatro da madrugada para conseguir consulta. O entretenimento filosófico de uns, é a maldição da maioria. Os deputados de todas as cores, vivem num mundo só deles onde não há pessoas e as poucas que há, são de nenhuma importância. 

         - Trump falou à nação, a boca cheia de palavras ocas, já desacreditado pelo mundo inteiro que não compreende a razão da guerra no Irão, a incursão na Venezuela, a prisão do seu Presidente, a tortura dos cubanos e por aí fora, sobretudo, a ligação a Netanyahu e aos extremistas de direita que governam Israel e a adoração pelo ditador Putin. 

         - As ameaças de rei soberano, continuam. Segundo o mentecapto americano, o Irão vai ser reduzido “à idade da pedra”. Espero que a história antiga onde nós bebemos ao longo dos séculos, escape à fúria desta choldra de gente ignorante, básica, que tem no poder a justificação e realização das suas loucuras. O tumulo do Grande Ciro, coberto por um véu de ouro, na montanha, em Pasárgada; os gigantescos touros barbudos com caras humanas que guardam o sepulcro de Xerxes, em Persépolis; ou o último Darius e tantas outras obras da história e cultura mundiais como os reis Artaxerxes II e III que repousam nas montanhas sagradas do Irão desde 522 a/C., além das imensas mesquitas. Não é só a cultura e a civilização dos iranianos que vai desaparecer, é também a do Ocidente cuja cultura mergulha as suas raízes naquelas montanhas de memória, tingidas do sangue dos nossos antepassados civilizacionais.  

         - A prova que a crise provocada pelos monstros ameaça estender-se ao mundo global, está no deserto que percorri no Corte Inglês. Quase não se via vivalma, os restaurantes sem ninguém e quando me abeirei do balcão para escolher o almoço, era o único cliente.  

         - Ontem fui ao Centro de Saúde. Fartei-me de andar, calcorreando a Avenida Ávares Cabral até ao Jardim da Estrela e de seguida a pequena rua que desce para a unidade familiar e de novo o regresso para me sentar a almoçar no 1800 - restaurante dos meus tempos de juventude. Mais tarde, desci e subi o Chiado, não falando nas voltas e viravoltas pela cidade e estações do Metro. Tinha atravessado a arrogância de um funcionário ao telefone e fui discutir com a minha competente médica, Dra. Vera Martins, o cruzamento de informação para a consulta do neuro-oftalmologista no Santa Maria.