quinta-feira, outubro 15, 2026

Quinta, 15.

Na trapalhada Trump, um tipo impreparado, inculto, um desastre para a humanidade, veio agora - dizem os entendidos para evitar a derrota humilhante nas eleições intercalares de Novembro -, a ideia de aceitar a proposta do ditador russo de utilizar os activos russos congelados nos Estados Unidos, avaliados em mil milhões de dólares, após acordo de paz com a Ucrânia, para reconstruir Palestina. Que idiotice! Os EUA que desde remota idade tinham a Rússia por inimiga, vê agora, de repente, uma aliada com quem se pode fazer todo o tipo de negócios.   

         - Eu tenho em conta a economia não só por educação, como por vantagem de dignidade que ela me proporciona. Hoje, utilizando o benefício que me dá o cartão do ACP, fui atestar o depósito. A última vez que o havia feito, foi em Julho (tendo em conta que no mês de Agosto não pude utilizar o veículo), mesmo assim posso-me felicitar. Só uso o carro quando por aqui me desloco e não sinto nenhuma ambição em fazer dele o trono de importância absolutamente ridícula que ele representa para certa classe de portugueses. 

         - A pressão dos meus sobrinhos para deixar este convento, é imensa. Todas as semanas ouço um chorrilho de argumentos, todos eles válidos e lúcidos, mas o silêncio que aqui reina, a luz que se espraie por entre as árvores, a quietude dos dias onde do firmamento desce o espanto divino do céu azul em permanência, percorrido por nuvens que desenham formas humanas e animais, o sibilar dos pássaros à desgarrada, o ténue manto que cobre a casa num mistério que se foi adensando com o correr dos anos, este sossego diria quase sobrenatural que me paralisa, me encanta, me absorve as horas, me deixa petrificado ante algo que não vejo, mas sinto em pleno em todo o meu ser, o rastejar das sombras a esgueirarem-se do dia, e quando este declina, a mancheia de perfumes que se impregna na minha pele, desliza no ar, estaca em pequenas manchas que os meus olhos identificam como presenças de algo que não ouso soletrar, talvez o anúncio da noite, fechadas as portadas e janelas, o interior habitado dos livros, companheiros seguros de uma vida, agrupados como sentinelas nas prateleiras, forrando as paredes de expectantes criaturas que sabendo tudo, ignoram o essencial que se desdobra das doutrinas e das filosofias, umas e outras, ultrapassadas pelos diálogos murmurados no fio tangível das madrugadas, na solidão edificante que cresce do chão, sobe os andares, e volta a sair pelas janelas abertas com o fim de refrescar as divisões seguido do murmúrio do vento lá fora, na noite estrelada de mil cintilações, que os meus olhos admiram, sempre originais, meses e anos, para meu gozo e interpenetração dos sentidos, sob a magia da Lua que me parece sorrir todas as noites quando antes de me deitar com ela travo uma oração de alegria e bem-estar, espécie de reconhecimento por habitar este lugar solitário, esta planície sonolenta, estes caminhos de terra batida onde raramente se afoita um carro, uma presença humana, uma sombra batida pelo segredo que reside na noite sossegada, antes das madrugadas abençoarem este espaço fresco, este momento sublime, traçado a esquadro para nele reinar omnipresente um bouquet de saudades, de vidas vividas, agasalhadas no amor vadio, colhido dos minutos amplos e em breve transformados em horas, dias, meses, anos, cerradas janelas e portas, sobre camas desfeitas, pensamentos eternos, imagens, sentimentos etéreos, tudo no chão enrolado numa eternidade cujo traço se perdeu em rolos de glória ou empecilhos de derrotas, porque por aqui tudo chegou no imprevisto das noites, das auroras, ou das tardes abafadas de recordações que não me largam e são o suporte de uma felicidade nua, crua, irrecusável, em cujos pilares assenta a casa, o seu proprietário, o silêncio, a magia de um não sei quê de algo que não ouso traduzir, mas encontro palavras para adiar ou recusar, ou suspender ou parar o tempo, imobilizá-lo algures dentro de mim, com este solo que cuidei, esta casa que levantei, este mundo que só eu sei abreviar num sentimento que os meus sobrinhos nunca perceberão, porque desconhecem o maravilhoso que há na persistência da solidão, do fecho para dentro de nós, como se a morte se harmonizasse com a vida que se lhe segue, onde, estou certo, encontrarei um naco de terra para voltar a erguer a arte de viver em consonância com a minha identidade, verticalidade, sentido vivido na irmandade sagrada, na consubstanciação da alegria, no lugar onde reina até ao infinito mil recordações...  

 

quarta-feira, outubro 14, 2026

 Quinta, 14.

Paris continua a ferro e fogo. Pelas imagens televisivas, reconheço os meus lugares de eleição, vejo a selvajaria que tudo destrói à boa maneira dos franceses, habituados a terem tudo e a serem os reis do mundo, como se ainda estivessem nos séculos XVIII e XIX. Por este caminhar, não obstante as razões que assistem aos estudantes, as ruas estão a empurrar o país para os braços dos extremistas de direita e esquerda. Macron devia dizer, preto no branco, que não há dinheiro para satisfazer tanta gente ao mesmo tempo. Por paradoxal que pareça, é a democracia que traz de volta toda a sorte de ditadores. Em breve contar-se-ão pelos dedos de uma mão, as nações sob o maravilhoso mundo da democracia e da liberdade. 

         - Restando em França. Ontem centenas de supermercados e sistemas de refrigeração em todo o país, foram alvo de um ciberataque. Julgo que é a primeira vez que tal acontece e esta deve ser mais uma das vigilâncias que devemos passar a ter como parte integrante do nosso viver. Toneladas de alimentos ficaram destruídos. Eu não me esqueço que Emmanuel Macron há um mês ordenou a implementação de medidas para as infra-estruturas francesas contra ataques híbridos da Rússia. Parece que a força do crime, também atingiu alguns supermercados em Portugal.  

         - Pinto Luz, o ministro dos comboios e do TGV, no seu modo de falar com 15 cafés no bucho, afirmou no encontro com os autarcas do Norte que não parecem estar de acordo com o traçado, que os comboios não podem andar mancos (foi qualquer coisa assim). Ora sua excelência fala do que não sabe, talvez por nunca tenha mancado. Aviso-o que não se meta com os coxinhos, coitadinhos. E também lhe digo, que não é em linha recta que se alcança o objectivo – é na (palavra tão ao gosto dos novos jornalistas e locutores) resiliência. Desiste mais facilmente vossa excelência das suas convicções, que um coxinho, coitadinho, habituado ao esforço de uma vida inteira a calcorrear ministros... 


terça-feira, outubro 13, 2026

 Terça 13.

Tenho muita pena que não tivesse conhecido a Bíblia pelos quinze anos, porque passaria o resto da vida a ler e a estudar o que nela hoje me surpreende e por vezes revolta. Não leria provavelmente nenhum outro livro e mesmo assim decerto chegaria ao fim sem solidificar o que hoje me inquieta e me afasta dela. Sobretudo todo o Pentateuco, em particular o Génese, que desenvolve a criação de Israel e as bases, práticas e teológicas, da religião cristã. As acções que são atribuídas a Deus, pesam tanto no contraste do que hoje pensamos de Ele, que dir-se-ia que a humanidade se aperfeiçoou não com os livros sagrados, mas com o humanismo, a cultura tout court, a filosofia, a sociologia, o Direito, a Matemática, a obrigação social da interacção dos valores do outro enquanto imagem e semelhança de Deus. O nosso Deus, este que veio até nós enriquecendo a nossa cultura humanista, está tão distante de Aquele outro que tomou Moisés como seu mensageiro nas coisas práticas da vida, da criação de uma religião com códigos e regras, minudências religiosas práticas, mas igualmente desumaníssimo ao ponto de arrasar multidões, destruir cidades, matar e reduzir a nada a Terra dos que no início dos inícios não O aceitaram. A ideia que nós hoje temos do Senhor, falo por mim, leva-me a descrer de um Deus tão bárbaro, tão obsessivo e tão desumano como o Deus que o Judaísmo toma como seu, um Deus de origem abraâmica, como dizer, étnica, que parece ter estabelecido uma aliança, um pacto e sendo monoteísta, também de base racial. Jesus Cristo veio de certo modo restabelecer o sagrado do Pai, modificando, inclusivamente, algumas raízes estabelecidas milhares de anos antes. A nós cristãos, que colhemos do Antigo Testamento e do Novo as bases do cristianismo é, todavia, no NT que melhor reconhecemos o Pai e o Filho, e com os dois numa mesma majestade divina, convivemos e nos irmanamos como irmãos. É muito bela esta imagem, este sentir colectivo, ao mesmo tempo fraterno, sem exclusividades, acolhendo com imensa liberdade outras religiões, porque não somos uma seita, somos de tempero cultural e humanista, uma grande nação de fiéis que acolhe o outro independentemente da religião, do sexo e das origens sociais. É por isso, que temos Deus no centro das nossas vidas. 

         - Mudemos de assunto que este é demasiado sério e não sei se consegui exprimir-me como gostava e devia. O Ministro da Administração Interna, que chegou sorridente, ajoujado de competências, honestidade e profissionalismo, que durante meses não saía dos ecrãs de televisão e das primeiras páginas dos jornais, perseguido pelo jornalismo indecente que hoje se pratica (eu era despedido por muitíssimo menos do que vejo e ouço, corrido pelo chefe de redacção a pontapé). Estes doutores da mula ruça, saídos das universidades onde aprendem o jornalismo de beicinho, sabichão, provocador, vazio, vedeta que os leva do elogio vibrante ao vexame ridículo, com o mesmo à vontade do grande senhor (nem falo das pobres senhoras) do pensamento e da notícia que incendeia razões, despacha políticos, cria intriga, encosta-se a facção partidária e triunfa do interior da massa amorfa dos portugueses interessados apenas no futebol. Quanto a Luís Neves, está de novo atulhado na porcaria da seriedade que esbanjou e agora o aprisiona. 

         - Bem dizia eu ontem: cala-te, boca suja. Os dois canalizadores acabaram esta manhã o trabalho. O mais velho saiu-se com esta: “Eu conheço-o há muitos anos.” Assim que ele falou no Sebastião Fortuna, e nomeou o seu próprio nome, luzes e luzes acenderam-se no meu cérebro e reconstrui logo um mundo feliz e fabuloso que ficou no passado. Ele esteve aqui com o Mestre para tentarem arranjar a bomba da piscina e nós vimo-nos vezes sem conta no vasto atelier do fortuna. Quando lhe disse que tinha ido à piscina esta manhã, ele perguntou-me se não tinha visto a sua mulher “que tem o hábito de ir à hidro- ginástica”. Está tudo esclarecido? Talvez. 

         - Dia abençoado o de hoje. 


segunda-feira, outubro 12, 2026

 Segunda, 12.

O país vive “à Ronaldo” como deseja Luís Montenegro. Desse modo, nasceu OE visivelmente pensado nos mais favorecidos, deixando de lado a pobreza que se vem acentuando de ano para ano. Em 50 anos, foram sempre os mesmos a governar-nos salvo no período sinistro da “gerigonça” de tão saudosa memória para o PCP e Bloco de Esquerda, que consagrou António Costa como o homem que conseguiu aglutinar num mesmo Governo a esquerda, mas de olho pesquisando e estudando a personalidade da senhorita que preside à UE com quem acamaradou até ao cargo que hoje ocupa e para o qual não lhe vejo nenhuma aptidão ou conhecimentos. 

         - Não quero com isto chamar o Chega como faz Passos Coelho. Devia, em abono de Portugal, estar satisfeitíssimo por ver duas eminentes personalidades a disputarem-se para o cargo de chefe do governo: o antigo governante e o ex-governador do Banco de Portugal. Um e outro, quando instados, respondem que não têm ambição política alguma, senão a de ajudar o país a sair da eterna miséria. É o blá blá do costume. Passos Coelho que durante a troika esteve à altura dos acontecimentos, não percebeu ainda o partido Chega que, tal como o PCP, o Livre, os resquícios das senhoritas do BE, vive tão só do desconsolo do povo, das suas legítimas aspirações nunca realizadas, da revolta e do imediato, própria de partidos que tudo podem prometer porque sabem nunca serão poder. É o caso do Chega, vive do tumulto, do oportunismo, do descontentamento nas ruas, não possui programa, não tem dirigentes, técnicos, pessoas com carisma e força de liderança, sendo André Ventura o carismático dirigente de um partido onde só existe ele. Sem que com isto lhe retire valentia. De resto, é graças a pessoas como ele – Marine Le Pen, Jean-Luc Mélenchon – para só citar estes dois, que a direita de Ventura prolifera. Não é tanto por aquilo que apregoa, mas por aquilo que as esquerdas lhe oferecem em promoção gratuita. 

         - É inevitável falar da França onde a revolta não larga as ruas de Norte e Sul. Aqui como por lá, a governação é rotineira, sem criação, sem pesquisa social, sem pessoas que se lembrem que trabalham não para si, mas para toda a comunidade. Para isso é que há ministros e secretários de Estado, administração pública e gabinetes disto e daquilo, multidões de funcionários que se deviam ocupar das pessoas e da vida prática da nação. Digamos que o dinamismo é o motor impulsionador da vida moderna, impeditivo da ronceirice, da ocupação das horas sonolentas pelos ministérios, do deixa andar. A França é, por assim dizer, um país pobre. Os franceses não querem assumir esta pobreza, deslocam o olhar dos quase 121% de dívida pública em relação ao PIB. Não é ainda a miséria, mas para lá caminha. E isso sentem os cidadãos no dia-a-dia. Mas quando por ciclos a sociedade é sacudida, num ápice aparecem as soluções que todos necessitam. Pergunta-se por que não vieram antes. O Governo francês, de repente, diz que tem mais 3 mil professores em falta nas escolas e universidades, que possui uma verba astronómica para obras nos edifícios públicos, não vai haver mais frio ou calor dentro das salas de aulas, enfim, o paraíso terreal abrir-se-á para as gerações presentes e futuras. Que blá blá monstruoso. 

         - Somos governados por ditadores, doidos varridos, impotentes, arrogantes, aldrabões, complexadas criaturas que despejam a impotência sobre milhões de seres humanos. Parece que um fosso se abriu por todo o lado depois da chegada de Donald Trump e do fundo subiram à vez dezenas de tarados irmãos gémeos de Hitler. Perdeu-se a dignidade dos cargos públicos, a linguagem da rua subiu aos palácios presidenciais, aos parlamentos, às cadeias de televisão, a essa vala de lixo que é a Internet. Desde aquele pobre coitado, Peter Hegseth, outrora apresentador do canal de televisão Fox, hoje secretário de Defesa dos Estados Unidos, que se apresenta de peito nu, decorado com grandes tatuagens, ter dado permissão para que o fuzilamento do psiquiatra militar que matou 13 soldados numa base americana seja transmitido em directo, temos o regresso ao mundo das trevas, à Idade Média. A estes energúmenos que nos governam, tudo lhes é permitido em nome da “democracia” que convive bem com o poder absoluto de cada qual. 

         - Estão aí dois homens a arranjar o que o espalha-brasas escaqueirou. Entraram às oito e ao escavarem para encontrar o cano que foi cortado, descobriram outro de onde há muitos anos se evade água para as profundezas da terra. O mais novo andará pelos trinta e poucos anos, o outro pelos cinquenta. O primeiro é magro, corpo inteiro e limpo, um piercing em cada sobrancelha; o mais velho, cabelos brancos, delgado, alto, ambos flutuam num entendimento suave, numa bolha sensível, por onde se escapa um segredo que não ousam expor ao comum dos mortais. Cala-te boca halitosa, cabeça delirante


sábado, outubro 10, 2026

 Sábado, 10.

Ao ver a luta dos jovens e idosos por habitação condigna e a preços decentes (na sua origem a falecida Maricarmen), ocorre-me um pensamento sobre Julien Green que, octogenário, recebeu do proprietário do apartamento onde vivia, em Paris, ordem de expulsão. Se o recordo, é para dizer que a exploração e especulação imobiliária já vem de longe, pelo menos dos anos oitenta do século passado. Também não esqueço que o actual primeiro-ministro e o Presidente da Assembleia da República, são donos de vários apartamentos e vivendas, o primeiro abafou o que diziam os jornais sobre a capacidade financeira de um homem que fez a sua vida no salão redondo do Parlamento; o segundo não se sabe como conseguiu coleccionar tantas casas e ainda por cima esquecer-se de as mencionar na sua folha de bens obrigatória por lei. Enfim, somos isto. 

         - Ontem fui à Brasileira levar à senhora da limpeza (talvez devesse dizer técnica auxiliar...), uma mulher notável, culta, civilizada, não sei de que nação africana, um pequeno saco com romãs. Mal entrei, parecia que tinha chegado o rei de um qualquer país escondido atrás do mundo visível, pois o entusiasmo das raparigas e rapazes foi tal que me obrigou a cumprimentá-los de mão a todos e a cada um. Esperei uns segundos porque a encontrei a limpar os wc, por sinal sempre sujos devido aos turistas nojentos. Se fiz este gesto, foi porque o ano passado lhe ofereci uma romã que devia ter quase meio quilo e ela levou meses a glorificar-me pela oferta. A semana passada, ofereci-lhe uma caixa com dióspiros e então tive direito a dois beijos faciais – agora assim fazemos sempre que nos vemos. 

         - É visível há muito que Trump não é Presidente dos EUA, mas homem de negócios que tomou a nação americana como uma grande empresa. Não faz política, faz negociatas para si e para os seus cúmplices e amigos. Disso é prova o acordo que acaba de realizar com o seu amigo Vladimir Putin, comprando-lhe 300 mil toneladas de gasóleo de imediato, mais 500 mil em Novembro e por aí adiante, sem se importar com o jeito que essa venda vai dar à Rússia em guerra há quatro anos contra a Ucrânia. Ele imagina que deste modo terá do seu lado os votos dos americanos nas intercalares de Novembro. 


sexta-feira, outubro 09, 2026

 Sexta, 9.

Portugal, para nossa desgraça, não passa disto: a corrupção devora-nos. Ontem, cerca de mil elementos da Judiciária, andaram por todo o país à cata dos vigaristas que montaram um esquema de tal modo sólido e extensivo ao estrangeiro, de fuga ao IVA. No plano o Estado ficou sem 450 milhões de euros e deteve 39 implicados que faziam vidas de milionários onde os automóveis de 100 mil euros imperavam, a par de vidas airadas de luxo saloio e fantasias sem limite. O submundo dos pobres, dos trabalhadores honestos, esforça-se para manter a dignidade do país – em vão. 

         - Netanyahu e os companheiros ortodoxos, recordaram o terceiro ano do atentado terrorista onde morreram mil e poucos israelitas. De então para cá, mataram 75 mil palestinianos inocentes, reduziram a escombros toda a Faixa de Gaza, fizeram um acordo de paz e não cumpriram, associaram-se ao louco Trump no ataque ao Irão, invadiram o Líbano, estão a destruir a Cisjordânia. 

         - O espalha-brasas causou tantos estragos levando a eito tudo sem pensar, que provocou um curto-circuito, a bomba avariou, tive uma inundação na casa das máquinas; para acudir a este desastre chamei o técnico do furo, dois canalizadores e por certo a conta da electricidade vai ser de montante. Até agora já desembolsei 120 euros. 

         Vim no autocarro que me trouxe de Lisboa a pensar no senhor José Manuel e com os meus botões disse: “Não posso desfazer-me de uma pessoa como ele que, quando da tempestade do início do ano, veio aqui numa aflição cortar as árvores tombadas, passou nesse trabalho uma manhã e quando lhe perguntei quanto lhe devia, me respondeu: `Numa aflição não se leva nada.”  


quinta-feira, outubro 08, 2026

 Quinta, 8.

Ontem, quando desci do último andar do C.I. onde estivera a almoçar (os preços estão a galopar), passei na loja Rolex e parei para observar um relógio de pulso. Talvez me tenha demorado um tanto, porque o funcionário aproximou-se a perguntar se queria alguma informação. Contudo, o que me retivera o passo, fora o seu preço: 61 mil euros! Respondi: “Se ao menos este modelo retivesse o tempo!” Ele sorriu e afastou-se, talvez pensado: “Um filósofo a esta hora!” 

         - Uma cientista russa morreu vítima de uma bactéria quando trabalhava no seu laboratório na Sibéria. Logo o mundo se inquietou e informações foram pedidas, mais a mais porque as colegas ficaram de quarentena. Sendo o regime uma ditadura, dali só sai o que o chefe autorizar. A Europa e o mundo, reza para que não tenhamos outro vírus idêntico ao da Covid, uma vez que o retrato parece tirado a papel químico daquele que nos trouxe o SARS-Cov-2. 

         - Há algo de que o país é fértil para além da muita corrupção: a leviandade pública, o salve-se quem puder, que se lixe o cidadão. Exemplo recente: os aposentados da Caixa Geral de Aposentação. Inquiriram do montante mensal que iriam receber por mês, obtiveram a resposta e meteram o requerimento iniciando nova vida. Quatro meses depois, dizem-lhes que o organismo se enganou no cálculo e eles terão de devolver ao Estado o excedente, uns 90 euros, outros cento e tal euros mês e acrescenta: é da lei. O Estado e a sua Administração Pública, incompetente, baldas, nas tintas para os cidadãos, passa incólume sobre tudo e todos. Apurar erros, não é hábito em Portugal. 

         - Morreu Maricarmen Abascal, a senhora que originou o mar de protestos contra os despejos em Espanha. Tinha 87 anos e estava internada num hospital de Madrid desde que foi despejada da casa onde viveu parte da sua vida. Não se conhece o que provocou o seu desaparecimento. Eu, quando a vi na TV, parecia-me uma senhora com vitalidade, estranho a sua morte. Seja como for, os espanhóis erguem-lhe pequenos altares nas ruas com a sua imagem e muitas flores.  

         - O governador do estado norte-americano da Califórnia, proclama a aplicação da 25ª. emenda da Constituição dos Estados Unidos para afastar Donald Trump. Motivo: o homem é “doente mental”. Há quanto tempo venho eu dizendo o mesmo nestas páginas. Se os americanos me lessem...