quarta-feira, outubro 21, 2026

Quarta, 21.

Em França muitas cidades, incluindo Paris, estão sob recolher obrigatório a partir de certa hora. Foi a fórmula encontrada pelo Governo para conter a intromissão da extrema-esquerda que tomou conta das arrudas estudantis e deixou o país num caos. Entre nós temos a sorte de ter um ministro do calibre de Luís Neves que tem às suas ordens não só a Polícia como o seu subalterno primeiro-ministro. 

         - Entretanto, está a crescer por todo o lado, a luta dos deserdados ao direito a habitação condigna. Porto, Lisboa, Évora, Algarve, estão nas ruas a chocalhar a vidinha cambapé dos nossos políticos que só trabalham quando se vêem confrontados pelo povo nas praças e ruas. A tragédia a que se chegou com o aumento de casas contentores marítimos, tendas, automóveis transformados em habitação, caravanas, quartos miseráveis alugados ao preço de uma casa com três divisões, é obra exclusiva dos partidos que desde o 25 de Abril tiveram o poder. A mediocridade raramente andou afastada do poder, os esquemas foram trampolim para chegar a empresas públicas, cargos criados a pedido, cunhas, estratégicas partidárias, enriquecimento indevido, ideologias ultrapassadas sem qualquer ligação com a realidade actual, para não esquecer a napa de corrupção que se instalou como uma aranha gigante.

         - Assim, Luís Neves, manda a polícia atacar os infelizes da sorte obrigando-os, como diz, a cumprir a lei; ele que fintou a mesma lei que os outros são forçados a observar. Fê-lo para proteger antes de mais o seu subordinado, chefe do Governo, mas igualmente para sobressair como ministro com autoridade e poder. Não apreciei as palavras que utilizou para se afirmar, arrogantes, mandonas, autoritárias, que não utilizou quando os polícias montaram quartel em frente à Assembleia da República, e noutras ocasiões por outros lados. É forte com os fracos, é cínico com todos quantos desprezam o seu poder. A verdade é, contudo, esta: se os jovens se revoltam, é porque a montante ninguém se importou com eles como seria sua obrigação. Quem deveria ser julgado, era a catrefa de homens e mulheres que ocuparam S. Bento durante os últimos 30 anos de democracia. Estas kafkianas criaturas que nos governam, têm apenas um fito: fazer crescer as fortunas dos que as têm não se sabe como e reduzir milhões a assalariados mal pagos à pobreza extrema. Depois daquela sujeita de nome Cristas, nenhum inquilino teve mais sossego, como não temos na saúde, na educação, na vida do dia-a-dia transformada numa luta permanente pela nossa dignidade e sobrevivência.  

 

terça-feira, outubro 20, 2026

Terça, 20.

Podem os jovens reivindicar o justíssimo direito à habitação, a Polícia carregar sobre eles, os partidos escaparem às responsabilidades do que está a acontecer, o custo de vida ficar insuportável, as escolas estarem enxameadas de bullying, a pobreza continuar a crescer, os velhos definharem de solidão e tristeza, que nada me entristece mais, nada me revolta tanto, indigna, deprime até às lágrimas que ver o maior dos portugueses, até o maior do mundo, que Montenegro venera e quer transformar cada português à sua imagem e semelhança, ser multado em 255 euros por se ter eclipsado no seu jacto privado das responsabilidades nacionais a que estava obrigado e deste modo cair na indigência. Isto não se faz à nossa bandeira nacional. 



segunda-feira, outubro 19, 2026

 Segunda, 19.

Faleceu Joaquim Letria. Conheci-o bem, gostava muito dele e encontrávamo-nos com regularidade. Quando eu entrei para o jornalismo, trabalhava ele no Diário de Lisboa e durante um tempo, fizemos um acordo fornecendo-lhe eu as notícias que saíam das vigílias no Hospital da Cruz Vermelha onde, caloiro no metier, “dormia” à espera da morte de Salazar ao serviço do Primeiro de Janeiro. A par do jornal, ele trabalhava para Associated Press - era daí que vinham os escudos que me faziam muito jeito. Cada vez que nos víamos, discutíamos tudo, sem regra nem travões, sempre com um sorriso conivente alicerçado na amizade que recordo como momentos de afecto e cumplicidade. Ele vivia aqui para estas bandas e hoje lamento nunca o ter procurado. Repousa em paz, afectuoso amigo. Um dia darás tu a notícia da minha chegada ao paraíso onde te encontras.

         - Repito: nunca vi a França como hoje a vemos, nem no Maio de 68 os saques, a destruição de edifícios camarários e históricos, a pilhagem, os incêndios, a desordem e as prisões (fala-se em mais de duas mil detenções), têm comparação. Macron mostra-se incapaz de pôr ordem no país, a esquerda e a direita, estando por detrás de grupos anarcas, disputam nos confrontos o poder. A habitual selvajaria dos franceses, da juventude aos mais velhos, exibe nas ruas de Paris, Marselha, Lille, os horrores que fragilizam a democracia sem solucionar os problemas que justamente os estudantes trouxeram para a ribalta política. 

         - Por cá, prosseguem as manifestações contra as políticas de Luís Montenegro, que eu digo serem do PSD e do PS, partidos que, para o bem e para o mal, têm governado o nosso triste país. Entrou tanto dinheiro da UE e Portugal mantém o mesmo nível de pobreza, de insatisfacção, de desequilíbrio e desenvolvimento. Não se vê, não se sentem as mudanças, os milhões eclipsaram-se, as empresas continuam periclitantes, a vida quotidiana marca passo, rente aos tostões que se contam para isto e para aquilo, só a desfaçatez de primeiro-ministro fala em progresso, em pleno emprego, indo ao ponto de achar normal rendas de 2.500 euros (gostava de saber quanto pagam os seus inquilinos). O “nosso povo”, pelo menos uma ínfima parte, acredita ainda no slogan “o povo é quem mais ordena” quando esta fantasia nunca teve relação com a realidade, nem nunca fizeram uso dela. 

         - Vou deixar a escrita para me dedicar à doçaria. A experiência de ontem aí está e leva-me a dizer, como fazem na TSF os banhas da cobra dos empresários - não há marmelada branca melhor que a minha. 



domingo, outubro 18, 2026

 Domingo, 18.

Quando a CGTP aproveita o descontentamento natural dos que não conseguem ter uma vida digna, tudo se complica e desvia das causas aqueles que legitimamente reivindicam os seus direitos na rua. Vejamos, o que ouvi do dirigente da Intersindical, foram apoios aos cubanos e palestinianos que me coloca do seu lado, já não gosto de gente sectária, de tala nos olhos, que oculta deliberadamente as guerras que proliferam por todo o lado. O PCP que sustenta ideologicamente a Organização, nunca se pôs ao lado da Ucrânia e com isso passou para o mínimo de deputados na Assembleia. Quando eles proclamam o fim da guerra, fazem-no na generalidade, pergunto-me quem o não quer, nunca dizem frontalmente à Rússia que cesse de atacar a Ucrânia; quando pretendem que a Europa páre de investir em defesa, e nada dizem dois milhões de milhões que países como a China, Rússia, Coreia do Norte empregam em armamento bélico moderno, estão a contribuir para que os povos europeus fiquem à mercê das vitórias fáceis daqueles países e, portanto, por eles conquistados sob as ditaduras aí vigentes. Perguntou-me que tem a ver com o direito à habitação Cuba e Palestina. Por outro lado, se o futuro for uma guerra generalizada, quem esfrega as mãos de contentamento é Trump, Putin, Xi Jinping e alguns mais assassinos. 

         - Entretanto, Lisboa foi contaminada pelo Porto. No Rossio centenas de jovens gritaram por habitação e vida condignas, tendas foram montadas, pediram a anulação da nova lei de arrendamento, citaram e bem, os 55 imóveis do ricaço Luís Montenegro. Não houve distúrbios, nem aqui nem no Porto, a Polícia não foi enviada pelo ministro que continua na via pública por mais uns quantos desvios à lei e favorecimentos por pesquisar. Ninguém com dois dedos de testa, vai acreditar que uma pessoa que é proprietária deste império imobiliário, tenha em conta a vida rasteira dos jovens e da velhice marginalizada. Trump que se fez na corrupção e na especulação, não deve ter tantos rendimentos do sector como Montenegro...

         - Ontem, em uma hora, li o livro de Gunter Grass: Fazer de Estátua. Gosto muito do escritor, li alguns livros da sua imensa obra, foi Nobel um ano depois de Saramago, em 1999, e este trabalho é uma espécie de novela que o autor queria incluir na autobiografia Descascando a Cebola que devorei em 2017. (Abro parênteses para anotar o desabafo do escritor já feito, a propósito dos erros de ortografia, em carta de amor escrita aos 15 anos: “Ainda hoje me sinto periclitante em matéria de ortografia.”) Também eu tenho muita hesitação, sobretudo quando os computadores estão em sintonia com o AO que pretendeu aproximar o português do Brasil com o de Portugal. Esta autobiografia é uma fantasia que tem na base a figura de Uta de Naumburgo, a mulher mais bela da Idade Média. Grass nasce na Polónia, mas é na Alemanha que constrói a sua vida, tendo, inclusivamente, tido casa no Algarve. Qualquer dos seus livros são fascinantes.

         - O livro desceu da biblioteca de cima e ficou na mesa de apoio à mão de semear. Como não sou pessoa para ler em diagonal, todos os meus livros estão anotados, sublinhados, vividos. Por isso, se me permitem, transcrevo estes dois sublinhados: “São os leves começos que equilibram tudo aquilo de mais pesado vem depois (pág. 325); “Quem escreve desiste de si próprio. Só os serviços de finanças é que não querem reconhecer que a existência do autor é uma mera afirmação, por isso uma ficção e não tributável” (pág. 283).  

         - Para o que me deu esta tarde, como se não tivesse já trabalho bastante para a encher. Longe vão os anos em que a Zitó e o Couto vinham por aqui, colhiam os marmelos e um mês depois tinha umas quantas tijelas com a deliciosa marmelada feita pela minha talentosa amiga. Nunca esquecerei esses fins-de-semana encantadores e com base neles, atirei-me a fazer eu próprio o delicado doce. Nunca tinha feito a experiência e espero ter realizado o feito, não ao nível da confecção da Zitó, mas com o pensamento na nossa amizade de mais de quarenta anos. 


sábado, outubro 17, 2026

 Sábado, 17.

Ouvir aquela personagem líder parlamentar do Chega, ao estilo de quem come um porco todos os dias, a falar da lei e justiça a propósito das manifestações dos que dormem na rua ou em vãos de escada por não terem casa como aconteceu no Porto, é escutar o íntimo de um pequeno nazi prezo pelo beicinho ao seu chefe. Ele, Ventura, Montenegro, Pedro Duarte e o dos esquemas, Sr. Luís Neves, fizeram-me lembrar os tempos que antecederam os terríveis anos do nazismo. A resposta não se fez esperar e chegou no dia seguinte com cerca de 4000 mil pessoas ao lado dos infelizes que apenas reclamam aquilo que o 25 de Abril disse que iria realizar e até hoje, 50 anos passados, não só não concretizou como piorou, embora esculpido na Constituição – o direito a habitação condigna.  

         - Eu se fosse político tinha vergonha. Um recente relatório diz que a pobreza não só se mantém, como aumentou. Li e encolhi-me de dor e tristeza por ter um teto onde durmo descansado, quando 2,8 mil milhões de pessoas vivem em casebres a imitar casas, e destas 330 milhões não têm teto. Foi contra uma parte destes seres humanos que a Polícia, comandada por um homem pejado de esquemas, que deve conhecer os podres de uma centena de políticos e gestores, mandou atacar com palavras como fazer cumprir a lei e a ordem, ele que está manchado até ao tutano do incumprimento que reclama aos demais. Neste contexto, ponho de parte Luís Montenegro, que se permitiu pagar a pronto 800 mil euros por um duplex na Lapa, e ninguém o questiona como conseguiu ele tal riqueza pessoal, quando a sua vida foi sempre a de deputado. Claro é que uma personagem como esta, tem forçosamente de estar em sintonia com o homem das negociatas quando esteve à frente da Polícia Judiciária e agora do Ministério da Administração Interna. Não é por acaso que os elogios do primeiro-ministro ao seu ministro, são sempre os primeiros da lista dos que por timidez ou medo se abstêm. Montenegro, aprendeu rápido a magia da propaganda de António Costa, e apregoou cheio de lata que vivemos sólidos e com vida airada.  

         - A última de Donald Trump como presente ao seu amigo Vladimir Putin. Contra a aprovação pelo Congresso em Setembro e assinada por ele, foi adiado o pacote de sanções contra a Rússia. Motivo: “Os interesses nacionais dos Estados Unidos.” 

         - Zelensky parece ter sido abandonado por toda a gente, a começar por Trump que o detesta por fazer frente à aliança com Putin. Os homens de negócios são violentos, atiram a matar todos os que se lhes atravessam na frente, o dinheiro é o seu deus omnipresente e omnipotente. Quando se sente abandonado, volta a fazer um périplo pela Europa e ouve sempre as mesmas promessas, no caso de Costa, no seu inglês cómico e o tradicional sorriso feliz de quem soube endrominar meio mundo, devem diverti-lo. Mas, regressado a Kiev, é a morte e a destruição que preenchem os seus dias. Felizmente o povo ucraniano é inteligente e do nada nasce uma defesa que surpreende o mundo e acaba por ser exportada resultando daí os cifrões necessários à protecção do país. Zelensky é um herói, o único num Planeta de gananciosos e desumanos dirigentes, que tem de fazer frente a um ditador furibundo e uma Europa amedrontada, habituada à comodidade da vida indolente protegida por outros. 


quinta-feira, outubro 15, 2026

Quinta, 15.

Na trapalhada Trump, um tipo impreparado, inculto, um desastre para a humanidade, veio agora - dizem os entendidos para evitar a derrota humilhante nas eleições intercalares de Novembro -, a ideia de aceitar a proposta do ditador russo de utilizar os activos russos congelados nos Estados Unidos, avaliados em mil milhões de dólares, após acordo de paz com a Ucrânia, para reconstruir Palestina. Que idiotice! Os EUA que desde remota idade tinham a Rússia por inimiga, vê agora, de repente, uma aliada com quem se pode fazer todo o tipo de negócios.   

         - Eu tenho em conta a economia não só por educação, como por vantagem de dignidade que ela me proporciona. Hoje, utilizando o benefício que me dá o cartão do ACP, fui atestar o depósito. A última vez que o havia feito, foi em Julho (tendo em conta que no mês de Agosto não pude utilizar o veículo), mesmo assim posso-me felicitar. Só uso o carro quando por aqui me desloco e não sinto nenhuma ambição em fazer dele o trono de importância absolutamente ridícula que ele representa para certa classe de portugueses. 

         - A pressão dos meus sobrinhos para deixar este convento, é imensa. Todas as semanas ouço um chorrilho de argumentos, todos eles válidos e lúcidos, mas o silêncio que aqui reina, a luz que se espraie por entre as árvores, a quietude dos dias onde do firmamento desce o espanto divino do céu azul em permanência, percorrido por nuvens que desenham formas humanas e animais, o sibilar dos pássaros à desgarrada, o ténue manto que cobre a casa num mistério que se foi adensando com o correr dos anos, este sossego diria quase sobrenatural que me paralisa, me encanta, me absorve as horas, me deixa petrificado ante algo que não vejo, mas sinto em pleno em todo o meu ser, o rastejar das sombras a esgueirarem-se do dia, e quando este declina, a mancheia de perfumes que se impregna na minha pele, desliza no ar, estaca em pequenas manchas que os meus olhos identificam como presenças de algo que não ouso soletrar, talvez o anúncio da noite, fechadas as portadas e janelas, o interior habitado dos livros, companheiros seguros de uma vida, agrupados como sentinelas nas prateleiras, forrando as paredes de expectantes criaturas que sabendo tudo, ignoram o essencial que se desdobra das doutrinas e das filosofias, umas e outras, ultrapassadas pelos diálogos murmurados no fio tangível das madrugadas, na solidão edificante que cresce do chão, sobe os andares, e volta a sair pelas janelas abertas com o fim de refrescar as divisões seguido do murmúrio do vento lá fora, na noite estrelada de mil cintilações, que os meus olhos admiram, sempre originais, meses e anos, para meu gozo e interpenetração dos sentidos, sob a magia da Lua que me parece sorrir todas as noites quando antes de me deitar com ela travo uma oração de alegria e bem-estar, espécie de reconhecimento por habitar este lugar solitário, esta planície sonolenta, estes caminhos de terra batida onde raramente se afoita um carro, uma presença humana, uma sombra batida pelo segredo que reside na noite sossegada, antes das madrugadas abençoarem este espaço fresco, este momento sublime, traçado a esquadro para nele reinar omnipresente um bouquet de saudades, de vidas vividas, agasalhadas no amor vadio, colhido dos minutos amplos e em breve transformados em horas, dias, meses, anos, cerradas janelas e portas, sobre camas desfeitas, pensamentos eternos, imagens, sentimentos etéreos, tudo no chão enrolado numa eternidade cujo traço se perdeu em rolos de glória ou empecilhos de derrotas, porque por aqui tudo chegou no imprevisto das noites, das auroras, ou das tardes abafadas de recordações que não me largam e são o suporte de uma felicidade nua, crua, irrecusável, em cujos pilares assenta a casa, o seu proprietário, o silêncio, a magia de um não sei quê de algo que não ouso traduzir, mas encontro palavras para adiar ou recusar, ou suspender ou parar o tempo, imobilizá-lo algures dentro de mim, com este solo que cuidei, esta casa que levantei, este mundo que só eu sei abreviar num sentimento que os meus sobrinhos nunca perceberão, porque desconhecem o maravilhoso que há na persistência da solidão, do fecho para dentro de nós, como se a morte se harmonizasse com a vida que se lhe segue, onde, estou certo, encontrarei um naco de terra para voltar a erguer a arte de viver em consonância com a minha identidade, verticalidade, sentido vivido na irmandade sagrada, na consubstanciação da alegria, no lugar onde reina até ao infinito mil recordações...  

 

quarta-feira, outubro 14, 2026

 Quinta, 14.

Paris continua a ferro e fogo. Pelas imagens televisivas, reconheço os meus lugares de eleição, vejo a selvajaria que tudo destrói à boa maneira dos franceses, habituados a terem tudo e a serem os reis do mundo, como se ainda estivessem nos séculos XVIII e XIX. Por este caminhar, não obstante as razões que assistem aos estudantes, as ruas estão a empurrar o país para os braços dos extremistas de direita e esquerda. Macron devia dizer, preto no branco, que não há dinheiro para satisfazer tanta gente ao mesmo tempo. Por paradoxal que pareça, é a democracia que traz de volta toda a sorte de ditadores. Em breve contar-se-ão pelos dedos de uma mão, as nações sob o maravilhoso mundo da democracia e da liberdade. 

         - Restando em França. Ontem centenas de supermercados e sistemas de refrigeração em todo o país, foram alvo de um ciberataque. Julgo que é a primeira vez que tal acontece e esta deve ser mais uma das vigilâncias que devemos passar a ter como parte integrante do nosso viver. Toneladas de alimentos ficaram destruídos. Eu não me esqueço que Emmanuel Macron há um mês ordenou a implementação de medidas para as infra-estruturas francesas contra ataques híbridos da Rússia. Parece que a força do crime, também atingiu alguns supermercados em Portugal.  

         - Pinto Luz, o ministro dos comboios e do TGV, no seu modo de falar com 15 cafés no bucho, afirmou no encontro com os autarcas do Norte que não parecem estar de acordo com o traçado, que os comboios não podem andar mancos (foi qualquer coisa assim). Ora sua excelência fala do que não sabe, talvez por nunca tenha mancado. Aviso-o que não se meta com os coxinhos, coitadinhos. E também lhe digo, que não é em linha recta que se alcança o objectivo – é na (palavra tão ao gosto dos novos jornalistas e locutores) resiliência. Desiste mais facilmente vossa excelência das suas convicções, que um coxinho, coitadinho, habituado ao esforço de uma vida inteira a calcorrear ministros...