Domingo, 4.
A parte de o Pentateuco consagrada ao Êxodo, é sem dúvida a mais fascinante, não obstante as imensas contradições. Ocupa-se da adopção dos filhos de Israel e da construção da Casa Comum. Depois de a rebelião dos israelitas, YHWH, todo misericordioso, revela-se o único e verdadeiro Deus. Conduz Moisés e seu irmão Aarão através do deserto, com muitas privações pelo caminho e descrenças do povo, sacrifícios e desistências, montanhas, mares e nesse longo caminho, vai construindo as bases que hoje sustentam não só o judaísmo, como o cristianismo. É certo que com a vinda de Jesus Cristo, alguns fundamentos foram abalroados e daí, talvez, as muitas perseguições dos judeus até à crucificação na cruz. Os ortodoxos judeus, não aceitam o Novo Testamento, porque rejeitam Jesus. Segundo eles, Deus tal qual o imaginam e creem, não podia descer entre nós para morrer numa cruz como tantos humanos (dois dos quais de cada lado) às ordens de Pôncio Pilatos que, de resto, lavou as mãos da condenação farto das insistências falsas dos judeus. Seja como for, a verdade é que é na junção do Antigo Testamento com o Novo Testamento, estão as bases onde assentam muitas religiões emanadas de um Deus único. Aliás, há muita coerência, entre um e outro, apesar de distarem séculos. O Messias sabe-se que viveu na Palestina no reinado de Tibério é, portanto, uma verdade irrefutável. E também é histórica a Grande Revolta Judaica de 66-71; nessa altura Roma destruiu Jerusalém e o seu Templo, assim como uma grande parte da Judeia.
- Liguei a televisão. De repente vejo-me na Sé da Madeira, sendo dia da Armada, cheia de militares de farda branca, oficiais de condecorações ao peito, e o seu bispo Nuno, de rosto gorducho e feliz, tecendo panegíricos a suas “excelências” a maior parte de uma mediocridade confrangedora. Desliguei. Não suporto ver e ouvir o despautério sacerdotal, na casa de Deus, eleger cristãos de primeira e de segunda, os primeiros instalados junto ao altar-mor, os outros na rectaguarda perto da porta da rua. Imagino a almoçarada que se segue com os funcionários eclesiásticos.
- Este mundo está metamorfoseado no inferno. A semana que findou, trouxe-nos mais um atentado terrorista. O avião da companhia Flydubai com destino a Telavive, tinha como co-piloto, um radical que possuía a intenção de o estatelar no solo e, para isso, desatou a golpear com um canivete o comandante. O alarde chegou aos passageiros que se precipitaram para a cabine. Por sorte, entre eles, seguiam dois pilotos de carreira que prontamente se ocuparam do aparelho, e quando ele estava perto do solo, conseguiram orientá-lo para o aeroporto da Arábia Saudita onde aterrou sem problemas. Ao que parece, o assassino tinha ordens criminosas do Irão.
- Alinho estas linhas apenas para não me sentir só. Teresa de Sousa que o Torquato da Luz me apresentou (julgo) no Jornal Novo, escreve hoje no Público sobre a situação complexa do mundo, com a guerra quase instalada na Europa, enquanto “nós, por cá, passamos a semana a debater freneticamente o assunto Cristiano Ronaldo” e conclui: “Estamos todos bem.”
- Troveja, está escuro, chove.