Terça, 10.
Dizem-nos que as receitas fiscais do Estado cresceram mais do que a economia. A isto chamo eu uma economia parasitária. Vivemos continuamente de esmolas, o dinheiro sai e entra dos cofres estatais, mas este movimento não se chama progresso, desenvolvimento, emprego pleno, projectos para o futuro.
- Tive uma grande satisfação em saber que o meu amigo de um longo tempo das nossas vidas, apesar dos seus 87 anos, está vivo e continua a fazer longas metragens como director de luz e fotografia em filmes que ficaram para a história: Acácio de Almeida. Privámos muito, almoçávamos com regularidade, e, embora ele não falasse bastante e fosse extremamente discreto, um sorriso pairando sempre no seu rosto sereno, falava eu pelos dois, horas a fio, num ronrom interminável. A vida separou-nos, penso que ele já não vive em Lisboa, mas guardo recordações felizes de um período solto e vivo irmanados pela arte e a amizade. A entrevista que Acácio deu ao Público na edição de domingo, devolveu-me temas e personagens, luares e situações que eu bem conheço.
- O affaire Jeffrey Epstein na sequência de milhares de documentos, conversas, fotografias divulgadas pela justiça americana, não chamusca somente Donald Trump, mas todos os grandes vigaristas e pedófilos do mundo moderno. O socialista francês, presidente do Instituto do Mundo Árabe que eu frequento sempre que estou em Paris, Jack Land, apresentou a demissão quando o seu nome engrossou a lista de inúmeros outros, da monarquia inglesa, a Elon Musk, passando por Bill Clinton, Bill Gates, até David Copperfield como o antigo primeiro-ministro de Israel Ehud Barak. A lista é infinda, tudo boa gente, que soube aproveitar-se da fortuna do criminoso em festas galantes, onde o sexo era servido em doses adolescentes. Como tudo isto vai terminar? Tendo em conta o criminoso máximo, Donald Trump, findará na gaveta funda da história dos tempos presentes.
- É curioso analisar as acções dos governantes e como elas os transformam em pessoas diametralmente opostas àquilo que eram quando chegaram ao poder. Dois exemplos: Pedro Sanchéz e Emmanuel Macron. O primeiro não é estimado pelos seus concidadãos; o segundo idem. Os dois têm em comum uma boa imagem do mundo, com diretivas certas sobre os principais assuntos que atormentam o planeta. No caso de Presidente francês, no tocante a Trump, não desarma. As últimas: a Europa não pode “baixar a guarda” face a Donald Trump, que tem uma estratégia “abertamente anti-europeia” e gera “instabilidade permanente”.
- Dia de uma tristeza sombria. Não pus o nariz de fora, mergulhado na escrita e na leitura, um fundo de música de Vivaldi para alegrar o ambiente, um olhar perdido no destino que me trouxe até aqui.