domingo, junho 21, 2026

 Domingo, 21.

“Raramente se escreveu moção tão tola e tão recheada de lugares-comuns. Com esta moção, o presidente do PSD e actual primeiro-ministro tem um único objectivo: o afirmar que não quer governar com o Chega nem com o PS. Que quer governar sozinho, ora com um, ora com outro, na esperança de ser derrubado, a fim de obter uma maioria absoluta. A nulidade desta ambição só tem um equivalente o da mediocridade dos propósitos.” Assino de cruz este parecer de António Barreto acerca de Luís Montenegro e do congresso do seu partido que decorreu este fim-de-semana em Anadia. Do mesmo, saiu a aberração de nomear o Bugalho para representante do partido em Bruxelas! Nunca me constou que o Parlamento Europeu tivesse um deputado oficial dos partidos nele representados. Eu adivinho a razão: Bugalhito queixou-se outro dia, suponho que ao Observador, que ninguém o conhecia em Bruxelas... 

         - O Chega depois de muitas promessas e piruetas trolarós, votou contra o pacote laboral. Nas galerias do Hemiciclo estavam os sindicados em força a assistir. Quando o impensável aconteceu, as bancadas do velho edifício explodiram de contentamento e vitória. O que me comoveu, não foi o projecto ir por água abaixo, foi as lágrimas quentes e sinceras do dirigente da Intersindical, Tiago Oliveira. Aquelas lágrimas traduziam envolvimento, sinceridade, paixão pela causa que defende, humanismo. 

         - A extrema-direita em tudo igual à extrema-esquerda, tinha um plano montado para virar o sistema democrático que temos e um projecto na clandestinidade: Movimento Armilar Lusitano. Associados estavam grupos neonazis, bem apetrechados com arsenal de armas, dinheiro a rodos, treinados e distribuídos pelas redes sociais onde recrutavam pessoal para as suas causas. Era objectivo liquidar “os indesejáveis” – Marcelo Rebelo de Sousa, Cavaco Silva, Luís Montenegro, Ana catarina Mendes, António Costa alguns mais. À frente do grupo, há dois militares, um elemento da GNR e um fuzileiro da Marinha. Estes são suspeitos de fornecer armas e munições ao chefe da PSP envolvido no caso, e ainda terem entregado fardas camufladas. Quatro arguidos encontram-se em prisão preventiva. 

         - Estive no consultório do Dr. Octávio Simões a apresentar-lhe o resultado das páginas de exames a tudo e mais alguma coisa. Não falei, deixei-o analisar o que me havia ordenado fazer e mais o que a minha médica de família acrescentou. Confesso, nunca vi um médico tao feliz. Parecia que aquelas análises eram suas e a revelação da sólida saúde sem que um único parâmetro se desviasse do sagrado mens sana in corpore sano de Juvenal, lhe diziam respeito. 

         - A propósito deste excelente clínico. Há três meses que não tenho dores nenhumas e o meu coxear trouxe-me o brilhantismo dos meus vinte anos. Todo este orgulho, foi-me restituído pelo Dr. Simões. Coxinho, coitadinho ainda não virou o coxinho, coitadinho, velhinho. 


sábado, junho 20, 2026

Sábado, 20. 

Às vezes suspendo-me a admirar as paredes desta casa, as estantes a abarrotar de livros, os quadros suspensos de onde desce toda a amizade e simpatia dos artistas que admiro e com quem convivi, os móveis estrategicamente colocados para serem presença quase humana do meu viver, a atmosfera de sossego indispensável ao labor quotidiano, a mesa onde escrevo voltada para o campo de onde brotam as árvores, ternas amigas com quem dialogo e colho energias para esta solidão abençoada ramificada num lugar eterno onde elas e eu permaneceremos para a eternidade. O cheiro bafiento da riqueza nunca aqui entrou, só o conforto esteve presente desde o dia e ano em que deixei de viver em Lisboa e me revigorei no contacto com a natureza que desde logo me abençoou. Não foi fácil aqui chegar, duros foram os meses a acompanhar a construção deste refúgio, a lidar com os operários e, sobretudo, com os empreiteiros que me tentaram roubar obrigando-me a comprar tijolos, sacas de cimento, material que lhes serviria noutras edificações de casas, com lucro a dobrar. Investi sobre todos os desaires, só, montado no escudo invisível que não sinto no corpo, mas me asperge de coragem e motivação. Todo o interior não fora concebido pelo meu amigo arquitecto João Biancard que desenhou a casa durante os nossos jantares, mas sim por mim, passo a passo, à medida que ia vendo crescer estes muros, abrirem-se divisões, cantos e recantos. Aqui suprimi uma porta para levantar uma janela, acolá mandei fazer um sobrado para instalar parte da biblioteca, as casas de banho forradas a azulejo com pinturas assinadas pelo meu saudoso amigo Osório e realizadas nas oficinas de Sebastião Fortuna. Para as janelas e portas, andei com o mestre Fortuna semanas a fio, a correr seca e meca em busca de cantarias antigas que se ajustassem às suas dimensões. Quando o esqueleto da habitação ficou pronto e os pedreiros e os aldrabões dos construtores partiram, entrou o meu querido e pesaroso Fernando Fernandes com a sua equipa de deficientes de grau máximo, mandando eu vir do Brasil o soalho para o chão, portas, janelas e portadas que este excelente artista assentou, montou, afinou e que até hoje, já lá vão trinta anos, nada mexeu ou desajustou e se conserva inalterável em cor, fendas e brilho apesar do seu físico deformado, o pescoço que quase não mexia, as dores que propagavam durante o penoso ofício de carpinteiro. Na semana seguinte à cobertura das tábuas no chão do rés-chão e quartos no andar de cima, veio o envernizador, trazido por um sobrinho, em cadeira de rodas. Para o primeiro andar, o rapaz conduziu o tio nos braços e depois levava-lhe a cadeira e desse modo o trabalho maravilhoso que ele executou ainda hoje refulge no aprumo e rigor da sua assinatura. Quando Fernando Fernandes, deu por findo o trabalho e se preparava para se despedir, eu inventei outro afazer e ainda um terceiro e foi ele que me disse que tinha de abalar porque outros clientes esperavam por ele. No intervalo, andaram aí dois estucadores meio loucos, que num só dia despacharam as paredes da moradia. Entretanto, desde o começo desta aventura, tinham passado cinco meses. Surgia, então, um sítio só meu para habitar e um enorme espaço de campo selvagem, com vinha e árvores de fruto, que tive de deitar abaixo quando a nossa querida então CEE proibiu que se fizesse vinho fora dos circuitos comerciais e as oliveiras que me davam um azeite excelente, mandou fechar os lagares onde eu levava todos os anos a colheita das azeitonas. Quando um pintor meio doido acabou a pintura exterior e eu interiorizei que era aqui que viveria, fui tomado de um pavor indiscritível. Deixar o Príncipe real onde vivi uma grande parte da minha vida, era obra de um louco. Todavia, de cada vez que jantava com o João Biancard, ele repetia: “Quando começares a levar os teus livros para Palmela, depressa te instalarás.” Dito e feito. Com a ajuda preciosa dos Amados e dos seus empregados, que trouxeram na carrinha da empresa da qual eram sócios, estantes e móveis, e mais o auxílio dos meus sobrinhos e amigos deles, num ápice o interior ficou acolhedor e o seu proprietário recolhido no conforto que desde logo aqui reina. A seguir ao Verão instalou-se o Outono e eu fora agasalhado com uma manta de silêncio. No caminhar do tempo a casa, qual cofre inviolável, foi guardando delírios, serões de conversas sossegadas, loucuras, amores feitos e desfeitos, noites no respaldo de muitos cansaços engolidos pela opacidade das horas, pensamentos construídos no limiar de angústias, pedaços de palavras atiradas ao fogo que arde na lareira, e sobretudo, a pouco e pouco, ergueram-se novos alicerces que sustêm a memória, a recordação do que não morre, o sopro que alimenta a vida que me coube viver, plena no ser solitário e inteiro que sou, onde crepita nos momentos o desespero e renasce de recônditos lugares a esperança de dias plenos de luz. Adoro este espaço, os pássaros que me acordam, os ventos mansos e demoníacos, a fruta que me alimenta, a sombras das figueiras, a lonjura que me aproxima de quem de mim precisa, o silêncio que não pára de dialogar, o murmúrio dos segredos que nem às sombras se contam, aqui densos, límpidos, cheios da ternura que embala as horas, os dias, os meses, os anos. Serei eu de novo feliz na terra que me viveu nascer? Habitar uma padiola, circunscrever-me a um espaço restrito, sem vista que me abrace quando tanto anseio por me perder de mim, voar pelo espaço sideral, eclipsar-me num sítio onde reine a felicidade que as coisas simples impregnam de doçura...  

         - Vai por aí uma berraria medonha contra Ronaldo. O “maior jogador do mundo”, o “craque eterno”, o “português mais famoso”, que subiu da pobreza à luxúria pateta que o isola dos demais, porque o resultado do seu talento é-lhe roubado pelo peso dos anos que não poupa ricos nem pobres, todos irmanados na mesma condição. Neste infeliz país o futebol é uma espécie de pancada forte no toutiço de cada português; assim também eu fui obrigado a acompanhar o drama nacional. Acontece que normalmente vejo os noticiários da SIC. Esta, como todas as televisões, não falam de outra coisa senão do Mundial de Futebol e mais precisamente do resultado da partida Portugal vs RD Congo. Ao infeliz ricaço chamam-lhe tudo: avô, velhote, empecilho em campo, estorvo para os companheiros da Selecção, e outros vitupérios desagradáveis. Eu nunca fui seu fan, embora o tenha visto algumas vezes a atravessar a Largo do Chiado no seu automóvel vistoso, de música aos berros para que o mundo sentado na Brasileira o admirasse. Nunca apreciei o seu físico construído, pomadado, o ar provinciano que o dinheiro e o conhecimento de Donald Trump e dos príncipes das arábias não ousaram abrilhantar, é arrogante, vaidoso, e muito menos o sex-appeal que mulheres e alguns homens cobiçam. No entanto, o pobre madeirense, tem algumas características que aprecio: é trabalhador, apesar de já “velhinho” não se dá conta do ridículo daquele pendericalho que desce da orelha esquerda, não tatuou o corpo com amostras de tapetes chineses como os companheiros, chora quando se emociona, e decerto, interiormente, sofre por não ser mais o ídolo que o alcandorou ao lugar passageiro da fama. Dizem as mulheres que com ele se deitaram (penso na americana dona dos hotéis Hilton?), que foi uma decepção, mas isso deve ser ciúme de loucas varridas pelo vazio dos seus corpos saturados dos cheiros nauseabundos dos adónis masculinos...  



 

quarta-feira, junho 17, 2026

 Quarta, 17.

Em Castelo Branco um artesão que reparava todo o género de peças em madeira – velhas cabeceiras de cama, cadeiras de baloiço, molduras antigas... – foi notificado pelo novo proprietário do prédio que comprou uma enfiada de edifícios para os transformar em alojamento local, que devia sair da sua loja no centro da cidade. Logo uma multidão de albicastrenses se reuniu contra a especulação que permite pôr na rua o senhor Jorge Batista. A câmara vai analisar o assunto impulsionada pelo movimento “todos pela oficina do Batista”. Digam lá, caros leitores: então não é muitíssimo mais válido, curioso, humano, progressista até este acontecimento, que um ano inteiro de trabalho insano dos nossos moiros de cansaço deputados na Assembleia da República?

         - Luís Carneiro, além de lutar contra a corrupção que invade o PS, tem de enfrentar os pedronistas que imperam pelas federações do partido e defrontam as decisões do actual Secretário-Geral. Pedro Nuno Santos, dito de esquerda, não nos larga. A princípio pensei que ele tinha abandonado a política, mas depois como a falta de dinheiro é muita e a actividade de especulador imobiliário está a decair, voltou à Assembleia onde o ordenado é chorudo e as mordomias acompanham a vidinha airada de carros de marca, casas confortáveis e restaurante upa, upa. Bem prega frei Tomás: faz o que ele diz, não faças o que ele faz. Esta máxima, aplica-se a muitos militantes de esquerda que conheço: a ideologia só se aplica aos outros, eles mantêm a boa vida burguesa num claríssimo choque entre o que apregoam e o que fazem. 

         - Eu conheci quando entrei para o jornalismo, a maioria desta gente de esquerda que antes do 25 de Abril apoiei e andei de braço dado e estão de saída deste mundo. Todos pareciam pertencer secretamente ao PCP, quando na realidade, como mais tarde vim a constatar, eram democratas que queriam a democracia para o seu país. Hoje, são tratados de direita, porque os comunistas têm apenas dois lados de ver o mundo, a sociedade, a moral e os costumes: ou se é por eles ou contra eles. Endeusam o marxismo-leninismo que provou à saciedade o desprezo pelo proletariado, pese embora a ditadura que criaram em seu nome. Na nomenclatura (Nomenklatura) de Lenine, Trotsky, Estaline, Khrushchov, Brejnev e passo, nunca os trabalhadores tiveram acesso ou quando o tiveram foi fogo de vista. Eles gritaram por uma sociedade igual, sem ricos nem pobres, mas o que floresceu e floresce é precisamente o contrário e as sociedades capitalistas que eles combateram, acabaram por ser mais ajustadas aos sonhos dos trabalhadores e às suas lutas de progresso e bem-estar. Por uma e suprema razão: nos países comunistas, o cidadão de qualquer classe social, trabalhador, intelectual, proletário vive amordaçado e proibido de se manifestar. Aquilo Ribeiro, que andou (ou tinha fama disso) por aquelas águas ditas cristalinas, julgo que em O Malhadinhas, expõe-se desta forma: “Guarda-te de homem que não fala e de cão que não ladra, por isso eu sempre falei, falo e falarei franco até morrer, pois se nós temos pensamento, acautelá-lo da boca só por ronha ou cobardia.”

         - Está a decorrer o Mundial de Futebol. Que vergonha! Que engodo! Que tristeza! Que miséria! Aquilo de desporto não tem rigorosamente nada. O presidente da FIFA, rendeu-se ao lucro, ao fascínio do dinheiro, ao poder e aos triliões que lhe vão entrar por todos os lados. O conluio com os obsessivos capitalistas Trump à cabeça, que recebeu antecipadamente o troféu banhado a ouro com direito à transmissão da Casa Branca, e tem para sua glória o campeonato a realizar-se nos EUA, tudo aquilo tem cheiro nauseabundo a podridão, escravatura, subserviência, endeusamento de figuras insignificantes que andam atrás de uma bola convencidos que são os reis do mundo, quando não passam de pobres coitados que, embora bem pagos, são explorados por esquemas vergonhosos de indignidade humana. 

         - Por falar no louco. Donald Trump está em França em reuniões com os líderes europeus. Adora ser bajulado e quando tal acontece o discurso muda radicalmente. Chegou outro, dialogante, sorridente, próximo dos objectivos da Europa e até com um discurso humano ao afirmar não compreender o seu ex-amigo Netanyahu “quando para matar um tipo do Hezbolá, destrói um prédio e subjaz nos escombros várias pessoas”. Ele que nisso não pensou quando bombardeou uma escola no Irão e matou dezenas de crianças. Que maluqueira é a deste monstro a quem os americanos confiaram os destinos da América!

         - Nada escutei sobre o ataque à catedral de Kiev, cujo resultado foi este crime hediondo 

A catedral em chamas.
    
Uma das cúpulas no chão.









terça-feira, junho 16, 2026

Terça, 16.

Putin só conhece a lei da força. É tempo perdido andar a convocar reuniões, acordos, o fim da guerra. Ele só parará com a ofensiva, quando a Ucrânia o vencer. De contrário, é o que se vê. Anteontem fortes ataques a Kiev e outras localidades que destruíram o mosteiro histórico de Kiev-Pechersk e a catedral do século XI Património Mundial da Unesco sofreu grandes estragos. Além de pelo menos onze mortos e não sei quantos feridos. A UNESCO diz que a catedral é “obra prima da arte ucraniana”, que as suas grutas acolhem há vários séculos relíquias de diversos santos. Daí que o mosteiro ortodoxo seja também conhecido por Mosteiro das Grutas. Naquele dia os russos lançaram 70 mísseis e 611 drones. Vou citar De Gaulle. A guerra, dizia, “où l´homme rompt avec sont Créateur”. 

         - Estamos tramados. Com o mundo a ser dirigido por doidos de egos do tamanho da sua loucura – Putin, Trump, Netanyahu, Xi Jinping, o taralhouco da Coreia do Norte – assim como muitos outros em miniatura, mas nem por isso menos perigosos, tudo pode acontecer. Nem queria voltar à novela do Irão em cujo bolo de aniversário do prepotente pobre octogenário dos EUA, não coube no topo a assinatura dos dirigentes revolucionários iranianos, como ele tanto apregoou. Desta vez, ao contrário do que eu acho embora não tenha voz no assunto, parece que muitas nações entendem que dentro de oito dias o memorando de entendimento que ninguém conhece, vai apresentar as assinaturas que farão parar a guerra e abrir o Estreito de Ormuz. O curioso da mixórdia, que levou Trump e o corrupto Netanyahu a atacar o Irão – recorde-se a bomba nuclear – só vai ser assinado na segunda fase, isto é, daqui a dois meses! Entretanto, ao contrário da ordem dada pelo ex-amigo Trump a Netanyahu, este prossegue os ataques ao Líbano e Gaza situando-se, só no período de cessar-fogo, para cima de 4 mil mortos. 

         - Os suíços são um povo especial. A dita direita, propôs um referendo que limitasse a população a dez milhões de habitantes. Isto tendo em vista o número crescente de imigrantes que se instalam e por lá ficam. Contrariamente ao que o Partido Popular Suíço (SVP) ambicionava, os eleitores rejeitaram a sua ambição impositiva. 

         - Fui à natação. Estranhamente, à parte os velhinhos que dançavam na água ao som das canções de Carlos Paião, só eu me encontrava na piscina. 

 

domingo, junho 14, 2026

 Domingo, 14.

A semana que passou, foi levada em discussões, perdas de tempo, injúrias e hossanas na casa da balbúrdia em que se transformou o Parlamento. Nada daquilo contribuiu para que a vida dos portugueses se dignificasse, a democracia se fortalecesse, o futuro do país fosse mais promissor. Os nossos amargos políticos, formados não se sabe onde, levaram horas e horas uns a reivindicar bandeiras partidárias nos edifícios públicos, outros a arreá-las espezinhando-as no chão.  

         - Aquela coisa que dá pelo nome de Presidente dos Estados Unidos da América juntamente com o seu séquito mafioso, por celebrar hoje o seu octogenário aniversário, entende que o mundo deve estar de joelhos a agradecer-lhe tão divina vida. Assim, sem mais aquelas, exige ao Irão que comemore a data com a assinatura do acordo de paz que ponha fim à guerra que ele começou com o soldado raso Netanyahu. A pressão e tal, que até já se inventou uma resolução moderna, com assinatura electrónica e mais tarde a outra presencial. Mais honestas e credíveis, as autoridades iranianas não parecem convencidas e vão adiando o fim das hostilidades. A descrença em Trump é absoluta e ninguém parece interessado em confiar na sua palavra parlapatona.  

         - Temos sido muito mal governados e assim continuamos. Como podem os partidos quando são governo, exigir aos cidadãos que paguem a tempo e horas os seus impostos, coimas, serviços e passo, quando, como nos informa hoje o Público, eles devem 1,4 milhões em coimas!!! Sabemos porque o jornal deve ter os seus piões estrategos; de contrário nunca o saberíamos. Mais: as instituições competentes para denunciar o desaforo, escondem do povo quais os partidos e que importância cada um deve ao Estado, num claro desafio à falta de transparência exigida pela lei. Este país é uma choldra. Os políticos e os partidos estão claramente acima da lei. A réplica salazarenta está por todo o lado. 


sábado, junho 13, 2026

 Sábado, 13.

Aqui madruga-se. Desde logo para regar, depois para ir ao mercado dos pequenos agricultores em Pinhal Novo e depois para os pequenos trabalhos de dono de casa. E ainda bem que assim é. Porque com tantos afazeres a distâncias daqui, sou sacudido pelo acordar pesado dos tormentos que vêm da noite e se atiram inteiros ao começo do dia. Faz um calor medonho, estou de portadas cerradas, no lusco-fusco das salas, e assim o fresco espraia-se por todas as divisões. 

         - Ontem passei um dia agradável em Lisboa. Fui no autocarro com ar condicionado, regressei em idênticas condições. Almocei no C.I. um prato simples, mastigado sem pressas, os pensamentos volteando entre a mesa e o espaço quase vazio. Depois fui renovar o meu guarda-fatos há muito esquecido. Há anos que não compro roupa, preferindo esgotá-la até ser farrapo e notada por aquelas dondocas que adoram os farrapinhos e me alertam para as calças ou as camisas rotas. Porque o que visto tem duas épocas: a que levo a qualquer lado; a que fica até ser trapo e uso por aqui, casa e cafés, mercados e supermercados. Aconteceu um facto curioso. Andei em busca de camisas frescas e de meia-manga. Encontrei o que procurava e com duas peças dirigi-me à caixa para pagar. Qual o meu espanto quando a amável rapariga, de sorriso de orelha a orelha, me reclama 404 euros! Ia-me dando um fanico. Claro que recusei e só então me apercebo que o ricaço teve mais olhos que a conta bancária. 

         - Mais tarde, no pequeno café da Fnac, durante hora e meia, corrigi 15 páginas no romance. Momento sublime, suspenso do delírio da escrita que o tempo apagou de entusiasmos e ali se me apresentou no espontâneo do texto, como se aquilo que os meus olhos viam não me pertencesse. 

         - Nós tivemos vários Presidentes da República pós-25 de Abril de 1974. O primeiro cheio de militarizes agudas, depois o da austerize distante, a seguir o fanfarrão sedutor, depois o economicista azedo, pegado a este o trolaró simpático, e Seguro?  


quinta-feira, junho 11, 2026

Quinta, 11.

No caminho para o portão, tombou mais uma árvore bloqueando a saída. Não sei se ficara fragilizada quando da tempestade, se alguma ventania a tombou durante a noite. Não escutei vento que me pusesse de atalaia. Seja como for, acresce que o meu amigo espalha brasas está sem moto e vai ter que ser o filho a vir no fim da tarde desimpedir o percurso. Conclusão: eu que tinha um programa a cumprir em Lisboa, desmarquei tudo para ficar preso neste simpático convento. 

         - Leão XIV abençoou o sonho de Antoni Gaudí e a inebriante Basílica da Sagrada Família desprendeu-se em beleza ante os olhares deslumbrados dos espanhóis e turistas. O Papa tem sido acolhido com simpatia em todos os lugares aonde o leva a sua missão apostólica. Espanha, parece reconciliada com o Vaticano e Leão XIV não deixou publicamente de se indignar com os casos sexuais de membros da Igreja católica. Noto, todavia, que os usos canónicos vão mudando. Por exemplo. Onde é que dantes se via um Papa a ser abraçado por uma mulher no contacto físico que isso implica! 

           - Por aqui o espectáculo é o mesmo de todos os anos, só a beleza é sempre única.