Terça, 17.
Há dias li um artigo de João Miguel Tavares que não apreciei mesmo nada, devido ao tom e ao conteúdo. Insurgia-se ele contra o novo reitor da Universidade Nova de Lisboa, Paulo Pereira, que deu um prazo de trinta dias para que todas as faculdades passassem a ter a designação em português. Esta medida, absolutamente de acordo com a lei, indignou o habitual rabinho liberal do articulista, que apresentou como exemplo de projecção internacional, a universidade Nova School of Business and Economics porque assim designada, trouxe alunos de várias partes do mundo e está cotada entre as melhores do universo universitário. Tavares segue o provincianismo que se instalou por todo o lado, o abandalhamento da nossa língua, e a abusiva introdução não da língua de William Shakespeare, mas a de Donald Trump ou se quisermos ser tipicamente portugueses e desenvoltos no inglês clássico, a de António Costa, na nossa. Não tivesse a universidade de carcavelos professores à altura, não seria a presunção em inglês que lhe daria os méritos de que usufrui.
- Eu não tenho uma opinião formada sobre José Luís Carneiro. Contudo, julgo que a “geringonça” não lhe teria agradado muito e, portanto, a sua postura em relação ao PCP e Bloco de Esquerda, que responsabilizou pela queda do Governo, em 2021. Daí ter-se batido para a criação de um “centro de político” que pudesse dar estabilidade ao país – projecto que a maioria dos portugueses aprovaria disso estou convencido. Acontece, que sábado passado, fui ao encontro do João à Brasileira e dali, sendo horas de almoço, ele perguntou-me onde ia almoçar. Respondi que passei a seguir a regra do falecido Sr. Castilho, segundo o qual o melhor é comer uma sandes que nos restaurantes sem fiscalização e de onde quase sempre se sai com problemas de estômago e algum hemorroidal. Eu sei que ele adora comer e coisas pesadas embora o negue. Disse-lhe que ia à FNAC mastigar uma sandes e meia de leite – “comer é em casa”. Fomos. Mal nos sentámos, assomou a política e a minha tradicional oposição a tudo o que ele dizia. Todavia, nesse entretanto, aparece um homem dos seus cinquenta anos, que o cumprimenta e se senta na mesa próxima. Não tardou ambos trocarem palavras, sempre em uníssono, sempre atadas num único raciocínio. Falou-se da Intersindical e João criticou a quantidade de sindicatos que a partir dela se formaram. Eu disse ainda bem, porque a Inter está subordinada ao PCP e, por isso, não é independente e os seus associados fartos de saberem isso, separaram-se. A discussão azedou um tanto. A dada altura, o estranho homem, levantou-se e trocou algumas palavras com o João que eu não detive. Quando nos despedimos, diz-me o João que ele é (ou fora) um dos elementos de direcção do sindicato dos trabalhadores. Esta conversa vem a propósito de quê? Ah, do Secretário-geral do PS. Os dois, por diversas vezes, quase o insultaram, dizendo terem pena que António Costa tenha deixado o Governo e lamentaram também o volte face de Pedro Nuno Santos que se afastou igualmente.
- Hoje aqui foi um dia em pleno. O meu vizinho veio ajudar com o tractor e ele e o Sr. José Manuel limparam o grosso que caiu para o seu lado. Admiro a valentia desta gente que já não é jovem, mas desafia os jovens com todo o rigor, competência e generosidade. Pelo que vejo e muito há ainda para cortar, tenho lenha para mais três invernos. O trabalho, porém, vai arrastar-se por muito tempo.




