Domingo, 1 de Março.
A psicopatologia dos tempos modernos. Há uma semana que vinha a sofrer de dores nas costas quando estava deitado. Pensei que era o colchão que devia ser virado ou algo semelhante. Nesse entretanto, passei a dormir num dos chambres des amis e ontem, enchendo os pulmões, fui tentar volver o pesado colchão. Terminada a tarefa, mudados os lençóis, senti uma sensação de conforto a invadir-me e com essa sensação, chegada a hora, subi para dormir. Pessimamente. Quando acordei, tinha as costas doridas e assim que pus os pés no soalho e me sentei na borda da cama, o colchão vacilou e fui atacado de súbitos espirros que só pararam quando cheguei à cozinha. Estranho, algo não estava certo. Então, abri o computador que pertence à última geração de máquinas inteligentes associadas à IA logo presente quando o ligo. Perguntei à rapariga robustecida de todas as fantasias, das humanas às sobrenaturais, o que se estava a passar. Esperei uns segundos e ela vomitou a sentença que me surpreendeu: teria de adquirir outro colchão porque este manifestamente estava no fim, ao disparar aqueles acidentes próprios de criatura senil. Pensei que deveria ter comprado este colchão há pelo menos trinta anos e conclui: “Helder, vai dormir noutro quarto e rapidamente despende o necessário para um novo.”
- A mortandade que tanto regozijo causou a Netanyahu e a Trump, ceifou alguns dos principais dirigentes da geração dos ayatollahs, incluindo o chefe supremo Ali Khamenei. Que ganhou a América com este acto terrorista, sabendo nós que as existências de bombas nucleares não existem e que o objectivo era acabar com o sistema político substituindo-o outra vez pela monarquia dos Reza Pahlavi. Com um doido varrido à frente dos EUA, para quem o mundo inteiro terá se curvar ante a sua força bélica e económica, armado em zelador do bem e das multidões sob tiranias políticas, pergunta-se qual será o próximo país a ser destruído, sendo certo que as ditaduras russas, chinesas, vietnamitas ou norte coreana nunca ele se habilitará a atingir, pela simples razão que o podem destruir a ele? A bomba atómica, dá aos países que a possuem, um poder de dissuasão que querem conservar só para si, como forma de escravidão dos demais. Um dia, qualquer destes malucos fanáticos das riquezas alheias, abrirá mão da sua liquidação total.
- Onde está a Europa dirigida pelo casal von der Leyen e António Costa? Não existe. Perdão, é real na sua desordem, no seu atraso básico, no seu olhar torcido da realidade, nas suas hesitações, nos seus longos e luxuosos retiros de onde não sai nada, zero, silêncio total, nos seus passeios a Kiev para enaltecer quem pelo trabalho e a honra não precisa de palavras simpáticas e protocolares. Esta paralisia foi útil a Trump e ao seu amigo Putin, mas nada boa para a Europa.
- Neste triste país fala-se que se desunha. Tantos comentadores, de todas as idades e bochechas, comentam a inacção de Luís Montenegro com a base das Lages de onde partem os assassinos voadores que matam e destroem os países caídos em desgraça pelo Pentágono. Pergunto: se o Governo português se opusesse, teria o espalha brasas Presidente dos EUA mandado retirar os aviões? Ou não seria ainda mais um vexame para Portugal ver-se desrespeitado no seu próprio território?
- Triste de me sentir perdido ao aproximar-me do final de Toute Ma Vie - quarto volume do diário de Julien Green.