segunda-feira, setembro 21, 2026

 Segunda, 21.

O partido do ditador russo, como era de prever, obteve 57,86% dos votos nas eleições legislativas realizadas no fim-de-semana. Com este resultado, é possível a Putin obter os 301 deputados necessários na Duma. Ressalvando este pormenor que é esquecido pelos seus apoiantes: quase metade dos eleitores, abstiveram-se de votar. A Ucrânia, aproveitou o “evento eleitoral” e atacou em força com drones e um enorme ciberataque contra o sistema de votação electrónico.  

         - Tudo isto, enquanto na rectaguarda Putin ensaia o ataque à Europa. Macron que no início da guerra contra a Ucrânia, pensava que o ditador era sensível a conversa fiada (relembro que entre nós os comunistas apoiaram a “operação militar especial” russa), foi prostrar-se de joelhos no Kremlin tentando chamar à razão um homem preocupado apenas com a reunificação da Santa Mãe Russa e o imperialismo da URSS malbaratado por Gorbatchov que, segundo Vladimir Putin, garroteou o Império Russo. É este mesmo homem, em vésperas de deixar o Eliseu, que tantas ideias lúcidas pôs em movimento, prepara agora a defesa não só do seu país, como a da Europa, desta vez sem ilusões nem falsas rasões piedosas. Como senhor da única nação europeia com arma nuclear (o Reino Unido tem-na, mas a América possui a derradeira palavra), promete pô-la ao serviço da defesa de cada país como da totalidade do continente europeu, provando que não tem ilusões quanto aos ensaios híbridos que Moscovo tem vindo a realizar em território europeu. Parece até que ele é o exclusivo político no seio da UE, que enfrenta a América tresloucada de Trump e a tirania de Moscovo com a lucidez, o pensamento, os objectivos que uma guerra a curto ou longo prazo se prepara. Não quero dizer que outros políticos europeus não estejam inquietos, o que digo é que Macron tem-se adiantado, impulsionado e corajosamente oposto ao desvario e timidez de outros países aninhados no medo e na esperança vã de a paz ser eterna. Portugal, como sempre, não tem voz nem personalidade objectiva. O nosso primeiro-ministro, sem ideias nem conhecimentos, está naquela onda de achar que o diálogo é mais importante que tudo o resto. Macron também assim pensava e Pedro Sanchéz, forte de personalidade e convicções, enfrenta sem pestanejar Putin e Trump. 

         - Não é, contudo, o caso da Polónia que criou frota de aviões militares na fronteira com a Bielorrússia reforçando assim a sua defesa antiaérea; nem da Alemanha e Suécia que robustecem o lado do mar Báltico e do Presidente finlandês que acabou de anunciar que vão ser instaladas armas nucleares francesas na Finlândia. A Lituânia, também não tem ilusões, e em colaboração com a Polónia, em caso de agressão russa, montou um plano de transferência do seu povo para a Polónia. Putin sente-se protegido e impulsionado pela simpatia do seu homólogo e amigo americano, sabe que o momento está do seu lado, o seu sonho da Grande Rússia está ao seu alcance. A NATO, a titubeante NATO, muito bajuladora do louco que ocupa a presidência dos EUA, parece ultrapassada pelas iniciativas da França. A Polónia que eu visitei sem pressa, pude constatar a personalidade de um povo que ama a liberdade conseguida com a libertação da antiga União Soviética.

         - Às vezes, vendo o rebuliço que vai pelas nossas escolas (esta cabeça nunca pára), penso em Julien Green, professor, do alto do estrado na sala de aulas, os alunos de pernas nuas na frente, ele que quando descia à rua nos dias quentes de Verão, em Paris, não tirava os olhos do chão para não sentir a tentação a invadir-lhe o corpo ante a beleza dos corpos juvenis. Querido e grande escritor, não tenho dúvidas que a infinita paz de Deus vos trouxe não só o perdão, como saldou todas as incertezas que vos atormentaram. Do meu lado, lamento e lamentarei não vos ter conhecido, pese embora os incentivos do nosso amigo comum, Francis Von Ourberque. 


domingo, setembro 20, 2026

 Domingo, 20.

Ontem tive a sensação de ter rejuvenescido trinta anos; quase não me reconhecia na azáfama que encheu o meu dia. Cedo fui ao mercado dos pequenos agricultores a Pinhal Novo, antes tinha estado a regar, de seguida ao supermercado e em casa li uma hora, escrevi duas, arrumei o andar de cima, fiz seis frascos de compota de dióspiro porque os tenho em carradas para dar e vender. Pelo menos quatro horas de pé ao fogão, foi um desafio ao pezinho, coitadinho, que as senhoras maduras olham com compaixão e as novas com um ciciar de lábios enternecedor. 

         - Outro dia, a dona do restaurante Café no Chiado, uma mulher desenxovalhada, bonita, veio à nossa mesa trocar algumas palavras com o Paulo Santos. Este apresentou-nos e logo a conversa se desenvolveu, cresceu e não fora os afazeres do restaurante, ficaríamos ali a tarde inteira. O meu amigo disse-lhe, a dada altura, que eu tinha um blogue e logo a simpática proprietária, telemóvel em punho, me pediu o endereço. Neguei. “Como assim”, clamava ela, surpreendida com o meu desplante. “Já tenho leitores que chegue”, respondi. Muito admirada, olhava o Paulo como a interrogá-lo de onde tinha vindo tal personagem. Já na rua, voltou à carga e eu disparei sem travar o passo o nome deste registo. Ela: “Espere aí deixe-me ir lá dentro anotar.” 

         - Carl Bildt, ex-primeiro-ministro sueco: “As democracias ocidentais só têm actualmente dois líderes: Carney e Zelensky.” 

         - Voltou de novo o calor. Aqui os termómetros montaram a 34º C. Até quando andarei eu a regar! 


sábado, setembro 19, 2026

Sábado, 19.

Os opositores, incluindo os jornalistas, ao ditador Vladimir Putin e à espécie de eleições parlamentares que ele montou, chamam àquilo um “evento eleitoral”. Está tudo dito.

         - Como esta gente se assemelha! No tempo de Costa, os socialistas lançaram vitoriosos a ideia das “contas certas”; os que montaram ao poder depois deles, as “contas justas equilibradas”. Uns e outros, delirando com as suas competências, esquecem-se dos dois milhões de pobres, da classe média e de todos os que trabalhando com esforço e dignidade, não ganham para ter uma casa onde viver. O importante para estas delirantes criaturas, é fazer figura de contabilistas competentes. Quem tem lucrado e muito, é a classe política. Noutros tempos, quando com eles privei, sabia bem das dificuldades por que passavam; hoje os mesmos andam de cabeça erguida exibindo o conforto que a Assembleia e os ministérios por onde passaram lhes proporcionaram. 

         - E-mail que enviei à equipa de oftalmologia do Hospital de Santa Maria: 

Unidade de Oftalmologia do Hospital de Santa Maria.

Recebi em triplicado uma mensagem que me informa que fora marcada consulta que a médica, apresssada, do Curry Cabral, na sua observação de cinco minutos, concluiu ser assunto para essa unidade. 

Acontece que estive sete meses à espera daquela consulta e agora, pela mensagem recebida há três dias, vou ser observado só dia 4 de Agosto de 2027 !!! Como devem calcular, não me sujeito a tal humilhação e já tenho consulta com um oftalmologista na área de astigmatismo na próxima semana e não fui à Dra. Fátima Campos e os senhores adivinham o motivo…  E ainda, eu sei lá se tenho olhos daqui a um ano ! Que miséria ! Que vergonha está trasnformada a obra notabíssima e humanista do Dr. António Arnaut. A saúde é hoje o melhor negócio que a democracia inventou. 

Utente descontente

Helder de Sousa

 

sexta-feira, setembro 18, 2026

 Sexta, 17.

Dia rico o de ontem. Cedendo ao convite do Paulo Santos para um almoço no Café no Chiado, encontrámo-nos na Brasileira onde eu não ia havia mais de quatro meses e aí encetámos uma viagem de memórias e factos recentes, celebrada em honra do convite que o meu amigo teve por parte de uma editora francesa para publicar um livro emocional sobre Lisboa. Foi o que ele fez de melhor e não deixo de o engrandecer por se ter libertado da Economia e do Parlamento europeu, ninho de corruptos e interesses rasteiros, perdas de tempo em conversas que não têm fim e não levam a parte alguma, e ter enveredado pela liberdade limpa dos salamaleques tão indispensáveis à classe política, yes obrigatório do partido e da ideologia que o sustem. Bref. Daí passámos ao restaurante, meu conhecido dos tempos de jornalista, na rua debaixo do teatro de S. Luís, onde tantas vezes estacionara o carro e passara em frente sem ousar entrar porque me parecia, visto de fora, de uma pobreza franciscana. Seria há trinta anos. Hoje é um espaço afrancesado, acolhedor, onde se come bem em doses restritas, de acordo com a austeridade que a pouco e pouco se vai instalando e corrige a voracidade e lobriguez de certos estômagos nacionais. Ficámos quase três horas abancados, porque o Paulo trazia o computador e requeria que eu lhe desse opinião sobre seus escritos (em francês). Lá fui lendo e opinando, com o meu amigo a anotar o que me parecia deslocado, em falta ou demasiado propagandístico. Lisboa, a cidade onde nasci e vivi (salvo uns anos em Coimbra na adolescência) é para mim uma intimidade, um modo de sentir através da sensibilidade que habita na saudade enquanto elemento identificador, aglutinador e único, que nos mergulha numa atmosfera que mantém presente e passado, desafia o futuro, história e sentimentos incluídos, num êxtase de amarguras e espaços de luz debruçados sobre a eternidade que abraça quem nela nasceu e viveu. Porque os editores insistiram (ou não fossem eles franceses) que o retrato escrito e fotografado, tivesse a assinatura dos sentimentos do seu autor, e não produzisse um mero roteiro de ruas e malha histórica, também eu reforcei esse cuidado e essa escolha, na forma e conteúdo, mais a mais porque Paulo Santos é suficientemente conhecedor e estudioso do mundo cultural da capital, e possui o gosto e a tradição que elimina o fácil, o delicodoce, aquilo que não tem a densidade que atrai e glorifica a exigência e o pormenor, profundidade e a magia, que acaba por envolver o leitor-viajante. Fico à espera das páginas que ele me enviará por mail, para que possa, modestamente, ajudá-lo a engrandecer o seu (julgo) quinto volume de uma obra originalíssima que envolve, escultores e pintores, escritores e historiadores, civilizações e modos de vida, e é testemunho do seu amor à Marinha, ao mar e às caravelas que trouxeram a riqueza e o desafio da descoberta de mundos hoje parte importante da Sociedade das Nações. 

         - Não há fome que não dê em fartura. Passamos por vezes muito tempo sem nos vermos, mas ontem, como a preencher esssa lacuna, Paulo quer que nos sentemos por mais uma hora numa esplanada. Escolhi o petit cafe da Fnac onde abancámos, convidando-me o Paulo para assistir no próximo ano a acontecimento que traz a Lisboa Stéphane Bern. “Tu és o único português que o conhece”, acrescentou. Com efeito. Conheço-lhe a obra escrita, os programas televisivos e o trabalho em prol da Cultura enquanto ministro. Depois, estou certo que nos cumprimentámos - na altura jovens quase imberbes -, quando Jean Lebrun nos apresentou, em Paris, num estúdio de televisão. Tudo isto está plasmado nas paginas deste Diário no período respectivo. Também falámos muito da Córsega de onde a mulher (julgo) ser natural e é um país que eu adorava visitar devido às suas muitas capelas góticas e românicas que se escondem nas encostas das montanhas. Separámo-nos pelas cinco da tarde.  

         - Já me libertei do comprimido noctâmbulo, esperando estar de volta aos meus sonos profundos, inteiros e céleres, que sempre me habitaram da infância à idade velhada. 

         - Para ser franco, não apreciei a rejeição de Aguiar-Banco ao Chega para inquérito à gestão de Luís Neves quando esteve à frente da Polícia Judiciária. O Presidente da Assembleia não é dono nem do Parlamento, nem da Democracia. Pode ser vigilante desta, nunca seu dono. 


quarta-feira, setembro 16, 2026

Quarta,16.

Álvaro Almeida, director do SNS, disse mais ou menos isto: os velhos e os doentes crónicos urgentes que esperem no fim da lista dos que já lá estão há meses, quando não há anos, para consultas ou operações. É esta excelência medíocre que está à frente da obra de António Duarte Arnaud e de cada vez que a figura fala, o obreiro humanista do SNS dá várias voltas no caixão. Se o 25 de Abril nos deu um autêntico socialista que por si só impôs e deu razão e fundamento à mudança de regime, foi o insigne político de Coimbra. Qual Cunhal, qual Soares face à dignificação do direito à saúde para todos, que o construtor deste edifício em desmoronamento criou. 

         - Para mim, são evidentes os ensaios da Rússia para a guerra na Europa ou mundial. Putin testa até onde vai o temor dos europeus – de reuniões em reuniões estes não dão pela estratégia do ditador. Daí as oportunas intervenções do imperialista no sentido de ameaçar os povos para que votem nas direitas extremistas com quem tanto se irmana. 

         - Fui de propósito a Lisboa almoçar com o Carlos em trânsito de Luanda para Nimes onde agora vive. Gostei de o ver, mais maduro, mais agradável de trato e. sobretudo, capacitado para continuar a vida não obstante dois divórcios e duas filhas, em Luanda, da última relação. Falámos quase sempre de política portuguesa, mas sem a obsessão doentia do João, pese embora algumas divergências. Com ele viajei muito, saudade que ele transporta e faz questão de me lembrar sempre que estamos juntos.   

 

terça-feira, setembro 15, 2026

 Terça, 15.

Ontem, andei num corrupio por Lisboa a tratar de pequenas coisas sem importância absolutamente nenhuma, mas que fazem parte da vida moderna dos nossos dias. Almocei no C.I. e cruzei-me com o engenheiro, amigalhaço e rico, de José Sócrates. Fato azul completo, sem gravata, ao telefone a falar um inglês suspeito. O homem parece um ser simples, quase simplório, que deve ter sido manobrado pelo engenheiro de diploma tirado ao domingo, pois acredita que os milhões que lhe emprestou, sendo o ex-qualquer coisa pobre como repetiu inúmeras vezes, lhe pagará no outro mundo. 

         - Do que se tem falado na última semana com voz embargada, é de Inteligência Artificial (IA). Dizem os que a estão a desenvolver, que ela nos pode liquidar a todos e o mundo tal qual o conhecemos, desaparecerá. Jacob Coxon, antigo funcionário da Anthropic, que se demitiu para nos alertar do pesadelo que se prepara, afirma que a IA pode matar toda a humanidade até ao final desta década, tese acompanhada por outros colegas e empresas como Musk, Dario Amodei CEO da Anthropic, Sam Altman um ou outro mais. Contudo, ninguém nos explica ou dá exemplos do que se prepara. Coxon fala de inteligência artificial “superinteligentes”, capazes de se aperfeiçoarem a um ritmo superior ao da supervisão humana. Que quer isto dizer na prática? Não sei. Eu faço apelo muitas vezes à IA e depois de obter o resultado, tenho por hábito pensar se o que me foi fornecido faz sentido ou não. São informações comezinhas, mas ainda assim, desconfiado como sou dos modernismos, fico de pé a trás. A acompanhar. 

         - No romance de Valter H. Mãe, chama àquilo que eu tenho aqui em baixo, um termómetro. Tem alguma lógica na medida em que ele acompanha a temperatura de certos momentos íntimos... Já a turbamulta de “artistas”, são quatro por metro quadrado, nas suas canções pindéricas e pseudo populares, cognominam-no de cacete. 

         - Nos tempos da ditadura impunha-se a lei e a ordem; hoje com a democracia infunde-se “aquilo que o povo gosta”. Que idiotice! 

         - Tentei esta noite libertar-me do comprimido mágico que me lança num ápice nos braços de Morfeu. Já estou há alguns dias a tomá-lo partido ao meio, mas quis desfazer-me completamente dele de forma a entrar nos tempos passados antes da pancada da Água das Pedras. A verdade, porém, é que ainda não sou o que era e esta cabeça tonta não pára de arquitecturar o futuro longe destas paragens. 


sábado, setembro 12, 2026

 Sábado, 12.

Não posso de maneira nenhuma aceitar o SNS que hoje temos. Bem sei que esta degradação começou com a Covid que António Costa e os incompetentes ministros da tutela pioraram. Mas que diabo! Este Governo está em exercício vai para três anos e por todo o lado o sistema piora e a choldra instalou-se empurrando culpas à direita e à esquerda. Não há autoridade, não há respeito pelo serviço público e pelos portugueses. Olhem esta. Estive meio ano para ser atendido em oftalmologia no Pulido Valente. A médica acelerada que me atendeu e me explicou que o estado do SNS se deve aos migrantes acentuando que não só, “mas também às mulheres e filhos deles”, entendeu remeter-me para o Hospital de Santa Maria para ser observado ao astigmatismo que tenho no olho direito. Acontece que anteontem, recebi uma mensagem daquele hospital, a marcar consulta para dia 4 de Agosto de 2027!!! Vou ter que consultar um médico privado que é para isso que Luís Montenegro e seus muchachos foram eleitos. 

         - Felizmente não renunciei a prosseguir a leitura do romance de Valter Hugo Mãe, O século dos imbecis. Eu explico. O primeiro capítulo que apresenta a personagem Marquês da Malandrinha de seu nome Agilulfo, é longo e difícil de tragar. A sucessão de adjectivação é medonha, paralisante e desnecessária por não caber na realidade que o romance (no sentido sinóptico e literário) impõe ao retratar a vida tout court com os elementos que a compõem. Pensei logo em Mário Cláudio que segue naquela direcção e é uma estopada lê-lo. Não me afoitei pela sua obra, tendo ficado pelo Diário que achei interessante contrariamente ao Fernando Dacosta que outro dia me disse não haver apreciado e mais um ou outro livro. Claro que à lembrança, para certos aurores, advém o nome de Aquilino Ribeiro e o seu português que nos solicita ter o dicionário ao lado. Mas Aquilino possui uma escrita limpa, corrida, criativa no sentido de arrastar o leitor, mesmo com paragens para consultar esta ou aquela palavra, adjectivo ou substantivo. Quando sou confrontado com escritores que “escrevem caro”, vem-me à lembrança o termo novo-rico, os novos-ricos da escrita. Não é, contudo, o caso de o autor de Deus na escuridão, que eu descobri tardiamente e fiquei ligado para sempre, tendo já devorado vários títulos. Com este, ainda bem que não o abandonei, porque os capítulos que se seguem são maravilhosamente concebidos e narrados. As personagens entram e saem, numa roda-viva impressionante, com detalhes precisos, como se uma qualquer vida tivesse sido romanceada, vivida e aguardada para ser conferida por algum leitor ousado vindo dos confins do tempo. Nem me vou referir à escrita, ao modo de escrever, ao português específico do autor, porque tudo isso é do conhecimento dos seus leitores. Agora o que queria avançar, embora tibiamente, é que me parece que em nenhuma outra obra Valter Hugo Mãe se mostra tão despudoradamente. Há um rumor, um segredo, um tapa e foge dele em quase todas as personagens, umas mais evidentes que outras. Todavia, o humor reina por todo o lado, faz-se presença, pisca-nos o olho, converte-nos em cúmplices, anda connosco pela mão no rodopio de nomes, qual deles o mais original: Martinbon, Pier Paciugo, Bertrandino das Guildivernes, Presidentês, Paciasso, Pessivista, Omobon, Omobestia, Bem-Va-Ussuf, Gurdulú, etc. etc.