Sábado, 12.
Não posso de maneira nenhuma aceitar o SNS que hoje temos. Bem sei que esta degradação começou com a Covid que António Costa e os incompetentes ministros da tutela pioraram. Mas que diabo! Este Governo está em exercício vai para três anos e por todo o lado o sistema piora e a choldra instalou-se empurrando culpas à direita e à esquerda. Não há autoridade, não há respeito pelo serviço público e pelos portugueses. Olhem esta. Estive meio ano para ser atendido em oftalmologia no Pulido Valente. A médica acelerada que me atendeu e me explicou que o estado do SNS se deve aos migrantes acentuando que não só, “mas também às mulheres e filhos deles”, entendeu remeter-me para o Hospital de Santa Maria para ser observado ao astigmatismo que tenho no olho direito. Acontece que anteontem, recebi uma mensagem daquele hospital, a marcar consulta para dia 4 de Agosto de 2027!!! Vou ter que consultar um médico privado que é para isso que Luís Montenegro e seus muchachos foram eleitos.
- Felizmente não renunciei a prosseguir a leitura do romance de Valter Hugo Mãe, O século dos imbecis. Eu explico. O primeiro capítulo que apresenta a personagem Marquês da Malandrinha de seu nome Agilulfo, é longo e difícil de tragar. A sucessão de adjectivação é medonha, paralisante e desnecessária por não caber na realidade que o romance (no sentido sinóptico e literário) impõe ao retratar a vida tout court com os elementos que a compõem. Pensei logo em Mário Cláudio que segue naquela direcção e é uma estopada lê-lo. Não me afoitei pela sua obra, tendo ficado pelo Diário que achei interessante contrariamente ao Fernando Dacosta que outro dia me disse não haver apreciado e mais um ou outro livro. Claro que à lembrança, para certos aurores, advém o nome de Aquilino Ribeiro e o seu português que nos solicita ter o dicionário ao lado. Mas Aquilino possui uma escrita limpa, corrida, criativa no sentido de arrastar o leitor, mesmo com paragens para consultar esta ou aquela palavra, adjectivo ou substantivo. Quando sou confrontado com escritores que “escrevem caro”, vem-me à lembrança o termo novo-rico, os novos-ricos da escrita. Não é, contudo, o caso de o autor de Deus na escuridão, que eu descobri tardiamente e fiquei ligado para sempre, tendo já devorado vários títulos. Com este, ainda bem que não o abandonei, porque os capítulos que se seguem são maravilhosamente concebidos e narrados. As personagens entram e saem, numa roda-viva impressionante, com detalhes precisos, como se uma qualquer vida tivesse sido romanceada, vivida e aguardada para ser conferida por algum leitor ousado vindo dos confins do tempo. Nem me vou referir à escrita, ao modo de escrever, ao português específico do autor, porque tudo isso é do conhecimento dos seus leitores. Agora o que queria avançar, embora tibiamente, é que me parece que em nenhuma outra obra Valter Hugo Mãe se mostra tão despudoradamente. Há um rumor, um segredo, um tapa e foge dele em quase todas as personagens, umas mais evidentes que outras. Todavia, o humor reina por todo o lado, faz-se presença, pisca-nos o olho, converte-nos em cúmplices, anda connosco pela mão no rodopio de nomes, qual deles o mais original: Martinbon, Pier Paciugo, Bertrandino das Guildivernes, Presidentês, Paciasso, Pessivista, Omobon, Omobestia, Bem-Va-Ussuf, Gurdulú, etc. etc.
