Sexta, 2.
Ontem, depois de ter posto on-line o que me ocorreu, subi para tomar um duche. No quarto tenho um pequeno aparelho que está sempre conectado com a TSF. Eis se não quando, uma voz feminina, firme, incisiva que fala do que eu tinha escrito – a comentadora Margarida Davin. Que disse ela que me honrou por pensar como eu e dando-me a satisfação de não ser nenhum chico esperto original. Disse a jornalista: "É, no mínimo, bizarro que um primeiro-ministro, um chefe de Governo, perca o seu tempo a tentar interceder numa questão que poderá ser muito importante para quem gosta muito de futebol e para quem segue a seleção, mas que, para lhe chamarmos crise, só com muita boa vontade, porque, efetivamente, crise é aquilo que se vive quando não se tem acesso à habitação, quando não se tem acesso à saúde, quando há cada vez mais dificuldades no acesso à educação”, acrescentando: "só pode ser considerada normal num país em que, efetivamente, o futebol transforma-se num ativo político". E ao finalizar: "No gabinete do primeiro-ministro, já há muito tempo que se percebeu, até através das publicações nas redes sociais, que o futebol rende e que torna o primeiro-ministro alguém popular e simpático (...) preferia que Luís Montenegro gastasse energia noutros problemas: Isso, sim, são crises, quando tentamos fazer face ao custo de vida e cada vez o mês é mais longo do que o salário. Isto são as verdadeiras crises nas quais é suposto um Governo se concentrar, nas quais é suposto um primeiro-ministro gastar todas as suas energias e não propriamente acorrer a um pequeno drama na seleção, que é muito importante, lá está, para a Federação, para a Seleção e para todos os adeptos, mas que está muito longe de constituir uma crise nacional." Enfim. não estou.
- Cedendo aos apelos do João, fui hoje à Brasileira e encontrei-me com o Paulo Santos, Alexandre, Virgílio. Bons momentos, nada de politiquice, apenas a vida a estender-se ao correr da conversa. Recusei ir almoçar com eles.
- Paulo Santos, lê-me um pequeno fragmento do que enviou, em francês, para o editor. No livro ele decidiu citar-me numa nota que acima escrevi sobre a Saudade. A eternidade está-me garantida. Vergílio Ferreira cita-me no seu Diário, agora o Paulo eterniza-me no seu livro sobre Lisboa.