Quarta, 11.
O assassino americano influenciado por outro seu igual israelita, diz que os bombardeamentos sobre o Irão, com destruição, mortes, inclusive 150 crianças de uma escola, a vida de um país voltada do avesso, não passa de uma “excursão” que ele ordenou ao seu exército fizesse para seu deleite e força. Parece que o recém-eleito líder supremo Mojtaba Khamenei, foi ferido em ataques levados a cabo por Telavive. Mas basta ouvir aquela equipa de gente sem competência nem humanidade que cerca o grande paxá exprimir-se sobre as mortes e a destruição de um país, num tom vulgar como se vidas humanas não tivessem valor algum, espécie de fait-divers com que as elites do capital se entretêm, para se compreender o destino de um país que exibe a força como virtude, entregue a um louco varrido, a um especulador imobiliário que se acha o supremo deus do mundo.
- Marcelo deu o lugar a Seguro. Na hora da despedida, à boa maneira portuguesa, muitos são os comentadores que vomitam pareceres sobre o seu reinado. Talvez o resumo que dele fez Miguel Tavares, seja o mais certeiro: “Ele é um político traquinas nas coisas populares e excessivamente medroso nas coisas grandes.” Seja como for, ele despiu a sobranceria do cargo, introduzindo no seu exercício a Democracia, naquilo que ela tem de mais frágil, mais próxima do povo e contra os arrogantes que têm passado por Belém – e foi mais do que um...
- Ainda não deixei de acender a lareira. Estes últimos dias, à noite, o frio instala-se. Logo que acaba o espectáculo das notícias, fecho o aparelho da TV, e mergulho no silêncio profundo que tudo reconforta e lanço-me nas leituras, um ténue fio de música em fundo. Momentos indizíveis de serenidade, de largo tempo em diálogo com o fogo, pequenos-grandes-nadas que fazem a grandeza da vida como, por exemplo, o trajecto no autocarro para e de volta a Lisboa, as tardes lá fora ao sol lendo Green, o trabalho no romance passando os acertos do manuscrito para o computador, aqui ou na Fnac, seja lá onde for consigo abstrair-me de tudo, o interior desta casa, construído a pouco e pouco, com todo um mundo abstracto que se tornou com os anos algo de substancialmente real a tal ponto que é hoje a identidade do seu proprietário.