domingo, março 29, 2026

 Domingo, 29.

A guerra dos dois tresloucados déspotas, alastra por todo o Médio Oriente. Os houthis do Iémen acabam de entrar no conflito ao lado do Irão, lançando o primeiro míssil sobre o sul de Israel. Trump, contudo, vendo escapar-se-lhe o Nobel da Paz, encosta-se um pouco mais aos homens judeus dos negócios americanos e ao seu camarada Putin que parece ser o único que tem beneficiado com a desgraça que ainda vai no adro. A propósito, se me permitem, transcrevo este naco de boa prosa e melhor análise de Fr. Bento Domingues há uma semana no jornal Público, servindo-se do texto de Rafael Rabona,. “As guerras de Putin, Trump e Netanyahu não são guerras justas, que não existem. São guerras inspiradas pela antiga mentalidade colonial, segundo a qual é legítimo saquear a riqueza alheia. Por trás de todas as guerras em curso, existe apenas um desejo obsceno de controlar petróleo, gás, minerais e rotas comerciais.”  

         - Portugal parece alheado de tudo isto. Os socialistas fazem o seu congresso pós-José Luís Carneiro, mapeado dos anteriores, tentando “furar a bolha”, mostrando que pouco aprenderam com o passado, ignorando a sensibilidade dos portugueses, a vida apertada que levam, a descrença nos políticos, detendo-se nos pequenos-nadas como a identidade de género, o susto do Chega, o folclore da esquerda do partido liderada por um tal Ricardo Gonçalves encostado ao defunto Pedro Nuno Santos, enfim, a política à portuguesa. Bom entretenimento, sim senhor. 

         - Enquanto isto, como se fossem alheios ao destino dos seus concidadãos, não reparam como são vãs as palavras, os actos e omissões que os democratas imprimiram ao longo dos 50 anos de democracia. As últimas estatísticas, dizem que estamos como estávamos em 1995, a pobreza continua a proliferar e o emprego é cada vez mais mal remunerado e sem estabilidade. Para não falar no reinado de António Costa que tenho atravessado na garganta pelo que foi de ilusório, rastejante, ideologicamente fracassado, a par da desordem, dos gritos de uns e outros nos órgãos de comunicação social, do abandono do investimento na saúde, na habitação, na valorização dos jovens, mesmo quando a “geringonça” que a esquerda laureou e continua a laurear, apesar da desgraça que ainda hoje rasteja pelas ruas da amargura nacional ter sido varrida. Os que nos (des)governam, como antes os socialistas com as suas “contas certas”, ufanam-se com a ilusória riqueza do “excedente histórico de 0,7%” mas, em simultâneo, os velhos vadiam pelas ruas da amargura, os jovens fogem do país, os prejudicados pelo temporal ainda não foram compensados, os sucessivos governos desprezam esta massa humana de dez milhões de almas entregues à sua sorte. A imperial governação de uns e outros, trabalha para a pobreza e indiferença do povo cordeiro sofredor, pondo em primeiro as ideologias aqueles, os cifrões estes. Macaca sorte a nossa. 

         - Fim de semana brilhante. Não só pelos dias ajoujados de sol, como pela placidez das horas preenchidas pelo trabalho intelectual e laboral.