Quinta, 12.
Há um atrasado mental, de nome Tiago Grila, que atropelou na Amadora uma rapariga numa passagem de peões deixando-a muito afetada e pondo-se em fuga. Os anos passaram, a polícia em busca do criminoso, até que o sujeito, com fama de influencer, contou num podcast como o acidente se tinha dado, contorcendo-se de riso e contentíssimo do feito operado. Os agentes da autoridade, confrontaram os factos, deram-no por autor do atropelamento e vão levá-lo a julgamento. Mas o país actual é isto: milhares de seguidores, correm atrás desta gentalha que ninguém sabe de onde veio, acreditam nas suas histórias e seguem-nos como cordeiros. Que o país é esta geração básica, sem cultura, capaz de tudo fazer para ter uma vida fácil, sem trabalho nem conhecimentos, já todos sabemos e de nada serve impingirem-nos o grau de escolaridade que a democracia trouxe relativamente ao fascismo, porque a vida se encarrega de nos trazer de volta a medonha e assustadora verdade de uma génese. Estes influenciadores, só influenciam os idiotas.
- Respigo dos jornais de hoje: Guerra Israel–Gaza libertou mais de 30 milhões de toneladas de CO2 num só ano. É decerto verdade. Contudo, aflige-me mais o número incrível de 72 mil palestinianos mortos e mais várias centenas de líbios nestas duas últimas semanas.
- Estou a arrastar o términus do diário de Julien Green. As poucas páginas que me faltam ler, quero saboreá-las, ler e reler, porque são preciosas e devem ficar na mesa de apoio em frente à lareira para serem espreitadas nas horas e minutos que abrangem os próximos meses.
- Não há palavras para descrever o dia de hoje. Fiquei aqui (ontem aconteceu o mesmo) extasiado a olhar a paisagem que se enche de luz, flores, brotos juvenis, silêncio, contemplação, e uma luz que pensava perdida e cobre agora o campo de florescências de muitas cores. Voltaram os sangões, os pássaros, as borboletas, cobiçando os prados de florinhas amarelas, saltitando de pétala em pétala, depois de colherem o pólen que carecem. São infinitas as tardes solarengas, o olhar perdido entre a leitura e o horizonte onde um ligeiro tecido acinzentado bruxuleia na poeira do sol. Mas o mais surpreendente, é o silêncio que parece comungar com o todo da natureza, dançando ao toque sublime das horas, distribuindo paz e sossego, rumor surdo e o peso constante que afaga o coração e ilumina o olhar.
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