Domingo, 8.
Assisti à eucaristia de domingo transmitida pela televisão do Porto. A concelebrá-la dois padres de certa idade, apoiados um no outro, numa espécie de representação da beleza que nos espera no fim da vida. São Paulo foi citado numa carta aos romanos. E logo me lembrei do evangelista, numa outra carta aos coríntios (6:9) e fui acercar-me da Bíblia traduzida por Frederico Lourenço, onde o santo homem reduz a cinzas uma boa parte da humanidade, sobretudo esta dos tempos modernos permanentemente alimentada pela pouca vergonha da liberdade sexual. “Ou não sabais que injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem fornicadores, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem bêbados, nem caluniadores, nem rapaces herdarão o reino de Deus.” Pergunta-se quantos de nós seremos chamados ao Seu reino. E se não há neste formulado um exagero imenso que nos leva a acreditar que, não havendo hoje santos na terra, quem procura Deus entre esta escumalha de gente que o substituiu pelo poder, a subjugação, a riqueza, o vazio de um tempo onde nada dura mais que uns quantos minutos, com a única realidade a que ninguém escapa: mortos, somos todos iguais - o sentimento fraterno da vida traduzido no que partilhámos e não no que possuímos. É aqui que existe a diferença e será decerto por aqui que seremos escolhidos. A verdadeira vida, começa depois da morte. Pessoalmente, estou curioso em espreitar pela memória e a permanente interrogação, a ressurreição a que somos chamados pela via estreita à Eternidade.