sábado, março 07, 2026

 Sábado, 7.

A guerra continua. Todos os dias alvos bélicos cruzam os céus de Israel e da América na direcção do Irão e destes para Telavive levando a destruição. Teerão vinga-se, reenviando carradas de drones e mísseis para países vizinhos ou onde os americanos têm abrigos estratégicos. Netanyahu mantém duas guerras: contra o Irã e o Líbano. Por ora, a Europa está na defensiva. A mim o que me inquieta, é observar que uma democracia como a americana, pôs à frente do país um homem louco, obsessivo, descontrolado, manipulado por um rebanho de gente inumana para quem os negócios contam mais que as leis, as pessoas, a solidez do mundo, os direitos humanos, a Constituição e os valores morais. Neste concerne, o líder americano e o israelita, são irmãos gémeos que espero um dia possam ser julgados por criminosos e condenados. 

         - Portugal está afastado disto tudo. A classe política parece desconhecer em que estado está o mundo. As questões entre nós são mesquinhas, de lavadeiras à moda antiga, toda enredada num conluio secreto cujo desmame só eles conhecem. Montenegro que eu cuidava ser outra coisa, revela-se um homem enrodilhado em esquemas pessoais que vai desenrolando peça a peça, como num striptease de pouco interesse e nenhuma excitação. Como não há jornalismo entre nós, são as minudências que enchem páginas dos jornais, abrem telejornais, imiscuem-se no quotidiano como algo de supremo interesse. Deixando de lado o futebol, o presente é a história esquecida do mandato de Marcelo. Nesta como noutras circunstâncias, os comentadores têm lembrança curta. Mas que fazer, se é necessário imprimir jornais, abrir televisões, trazer para casa dos portugueses a lengalenga beata de um Portugal crente e temente a Deus e “especial” no contexto da Europa. Luís Montenegro, sendo do Norte, e não tendo esquecido aquela forma de terminar as palavras, leva ao seu condiscípulo da Casa Branca o apoio que outros países lhe recusam: “Portugal está ao lado dos EUA” A ética de outros ministros da UE ou Canadá, não se encaixa na originalidade do homem de Espinho e do interior do seu prédio tão ao gosto do desgosto de não ter havido sinceridade na sua construção, não brota nenhuma ideia perene para a construção do direito internacional e da dignidade humana.  

         - Há muito que não vivia uns momentos assim. Refiro-me ao gesto de puxar o canapé para o Sol e acercar-me do jornal e de um livro (no caso de Julien Green) e deixar-me ir por um mundo onde se cruzam os dramas, as dúvidas, mas também as esperanças dos homens. Em redor, vivas de verde e floridas, as árvores. E o silêncio da tarde quente, onde desaguaram outros instantes semelhantes, mas onde persenti que o seu recetor já não se assemelha àqueloutro que ficou para trás e não ousa reconstituir a magia perdida.