sábado, janeiro 03, 2026

Sábado, 3.

A incerteza do mundo continua. Com um louco à frente dos EUA, todas as expectativas são de ponderar. Não gosto de Maduro nem do seu regime, mas não suporto que pela flatulência Trump tenha mandado bombardear a capital sob a capa da moral purificadora e dos bons costumes, raptado o Presidente e a mulher e levá-los para os EUA onde conta julga-los. É evidente que a droga é um pretexto para fins económicos, imposição de supremacia sobre povos subalternos. O Presidente é forte com os fracos e fraco com os fortes. Que o diga a situação da Ucrânia e da Faixa de Gaza para não falar nas suas investidas na América Latina. Para o tirano, pouco valem os tratados, o Direito Internacional, a soberania de um país, a Carta das Nações Unidas e o bom senso tout court. Como é que a Constituição de um país dá ao seu governante temporário uma tal capacidade de tudo destruir e reconstruir como qualquer construtor civil. 

         - As dores insuportáveis na região lombar voltaram na sequência da natação de terça-feira. Foi com dificuldade que ontem me desloquei a Lisboa para solucionar a “queda” do meu computador que segundo o técnico tem o ecrã partido sem que se veja moça de tombo na máquina. Custo da substituição: 600 euros. O aparelho está dentro da garantia Macintosh, mas esta não cobre quedas visonhas. 

         - Volta que não volta, estas tragédias acontecem. Desta vez ocorreu em Crans-Montana, Suíça, num bar cheio de jovens que se divertiam ao som da música quando, ao bater da meia-noite, se ausentava 2025 e chegava 2026. Um grande fogo eclodiu destruindo o tecto em madeira e um qualquer produto de espuma. Na sequência do pânico que se armou, morreram 40  pessoas e 119 feridas (números conhecidos até agora). O fogo propagou-se devido a garrafas de champanhe com velas acesas. 

         - Faço minhas estas palavras de Julien Green (pág. 437, Toute Ma Vie) : “Hier je pensais à la beauté de la vie. Regarder le feu, ouvrir un livre, écouter de la musique, tout cela est saint. C´est le cadeau que Dieu fait tous les jours. Aimer surtout. J´ai essayé de mieux prier.” Que grande ajuda neste período difícil que atravesso, ter comigo este volume 4 do seu Diário. 

         - Olho através da janela que tenho diante dos meus olhos e vejo a tarde desaparecer embrulhada no silêncio que tudo imprime, das árvores ao caminho lá em baixo, do céu escuro à dobra do firmamento. Nem uma folha bule, tudo se queda numa meditação sem palavras, sem murmúrio, espessamente ante os meus olhos mortiços do cansaço de haver pensado na morte como refúgio e salvação. Este silêncio é uma condenação.