domingo, janeiro 25, 2026

Domingo, 25.

Não obstante o dinheiro que tenho gastado para começar a usar o novo computador, nada parece chegar. Anteontem voltei ao Vasco da Gama e a impressão que trouxe é de que a marca, embora cara, não investe em empregados qualificados. Os que se distribuem por centros comerciais, só sabem vender ou quando muito adquiriram saber de hardware e não se software. 

         - Todavia, o dia não foi perdido. Dali fui ao encontro do Carlos com quem almocei num dos restaurantes do centro comercial da Praça de Touros. Quando nos encontramos, quero dizer, desde que o saudoso Augusto nos apresentou, o nosso convívio é um ramalhete de riso e conversa divertida. No B & B ele tentou ajudar-me na paginação do blogue, mas o novo computador é mais moderno e foi alterado relativamente a este em que ainda trabalho. Falámos da hipótese de irmos juntos a Fátima. Eu disse-lhe que o Francis me pediu para lá ir rezar uma Ave Maria por ele. Mas não foi só por este encontro que o dia foi salvado. Acrescentarei ainda a viagem de autocarro. Sobretudo a vinda com o espectáculo da noite instalando-se docemente sobre a terra, naquele instante de incerteza em que não conseguimos vislumbrar a fresta entre o dia e a noite, ambos parecendo precipitar-se no abismo connosco suspensos das asas ternas de vida, espécie de murmúrio por onde descem todas os nossos entusiasmos como as nossas incertezas.   

         - O país foi sacudido por mais uma tempestade que dura há vários dias. Os fantasiosos técnicos chamaram-lhe Ingrid. Pois a nossa Ingrid, deixou todo o Norte até Coimbra, coberto de neve espessa, um espectáculo digno de se ver e para os felizardos de aproveitar. Contudo, por todo o país o vento forte e a chuva torrencial sacudiu todos os lugares deste terra abençoada, deixando para trás uma morte e árvores tombadas e terras alagadas. E lembrar-me eu do que diziam os cientistas a saber que esquecêssemos as estações de outros tempos, que os invernos não seriam mais os mesmos de então, nem neve nem nítidas épocas do ano. Se neva muito, a culpa é das alterações climáticas, se há calor a mais, idem, se chove, idem... 

         - A pobre da Piedade vai de mal a pior. Diz-me o neto que outro dia abalou de casa às três da noite e foi encontrada por um vizinho muito distante da sua morada às cinco da madrugada. Voltou com as pernas e a cabeça a sangrar, sem saber quem era e onde se encontrava. O neto está decerto na origem deste distúrbio, atendendo ao que ela desabafava quando por aqui vinha. Disse-lhe que tivesse cuidado e lhe desse todo o amor e ternura que ela toda a vida lhe deu e por ele se sacrificou. O curioso é que o rapaz, ao telefone, com uma voz quente e embaladora, fala comigo com algum saber e propriedade, não denunciando o que a avó me dizia e a levou a muitos sacrifícios e desgostos.  

         - Frederico Lourenço, disse ao Jornal da Madeira que o imenso trabalho da tradução da Bíblia, o levou de retorno à Igreja. Talvez o último volume (Génesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronómio) fabuloso sob todos os pontos de vista, tenha sido o que lhe permitiu o passo derradeiro.