Quarta, 28.
A noite passada foi assustadora. Fui acordado pelas três da manhã com o barulho do vento passando a uma velocidade devastadora. Tudo tremia e os uivos do Joseph eram lancinantes. Depois da Ingrid, veio este sujeito ainda mais ameaçador. Eu só pensava no telheiro que tenho debaixo do meu quarto que há muito se sustém com um barrote que o Sr. Vítor colocou. Depois devo ter adormecido porque me lembro de pelas sete da manhã me ter posto à escuta dos restos sinistros da noite. Mal pus os pés no soalho, fui às janelas de trás e da frente observar os estragos – felizmente não vi nada tombado ou em vias disso. O Black, como é seu hábito, esperava-me à porta da cozinha. Aberta a porta sua excelência entrou seco e feliz como se tivesse passado a noite no palácio de Xerazade, esposa do rei Xariar. Saí para dar uma volta e regressei feliz – nada por pequeno que fosse havia a lamentar. Ao contrario da Alice que na sua quinta de quatro hectares, em Caldas da Rainha, teve várias oliveiras arrancadas pela raiz, cedros gigantes, pinheiros, oliveiras num total que ela ainda não conseguiu contabilizar.
- Assisti ontem ao debate entre Seguro e Ventura por sinal nada venturoso. Foi uma inutilidade, tendo em vista o que ambos disseram naquela peregrinação estafante por rádios, televisões e espaços públicos durante a dita pré-campanha, e lhes competia dizer. No final, como sempre, colhi coisas válidas do homem do Chega e outras tantas de António José Seguro. Devo ter sido o seu primeiro eleitor, quando ele começou a pensar em se candidatar, e depois de lhe ter perdoado a saloiice da tentação de comentador televisivo. Francamente, se ele ganhar como tudo indica que aconteça, não creio que o país vá mudar um milímetro da sua construção de cliques, favores, vida airada dos políticos, esquemas, corrupção, negociatas, conluios, peso das catedrais de advocacia, e muitos eteceteras. Contudo, se vir transformações, aqui estarei de alerta a com todo o prazer as divulgar.
- Aquela de “a mãe de todos os acordos” nos negócios que Ursula e Costa estão a consolidar na Índia, só pode sair da verba do seu impagável secretário e nosso ex-primeiro-ministro.
- Prossigo Green. A páginas 676 citando um dos muitos clérigos que frequentavam nos anos Cinquenta o seu apartamento parisiense, padre Couturier, que devia conhecer a natureza do escritor, disse: “Lá tentation charnelle est un vertige et provoque un déséqulibre qui n´est pas compatible avec la nature du Sauveur”, isto em contra-resposta do que lhe havia dito outro sacerdote, padre Carré, segundo o qual os pecados da carne não são pecados graves, “mais un péché malgré tout.”