Quinta, 29.
A América virou uma selva. A mando de Trump os imigrantes transformaram-se em gado a abater. A ICE, a polícia criada para expulsar estrangeiros com total impunidade e desumanidade, diante das câmaras de televisão, fuzilou com vários tiros um enfermeiro americano indefeso que se colocou do lado dos pobres imigrantes. Já perdi a conta ao número de imigrantes mortos pela polícia. Como tudo isto vai terminar ninguém sabe. Mas a mim parece-me que uma só morte irá paralisar os EUA.
- Esta tarde no fertágus, duas raparigas roíam numa outra do seu bairro. Uma despejava tudo quanto a horrorizava nela, a outra complementava: “Ela é burra na vida porque diz coisas banais. Ela tem problemas no pensamento.”
- Estamos nas derradeiras semanas para as eleições presidenciais. António José Seguro, segundo as soldagens, leva larga vantagem sobre André Ventura. Eu fui dos primeiros, senão mesmo o primeiro, a elegê-lo. Perdoei-lhe aquela passagem fugaz pelo comentário televisivo e apliquei nele o meu primeiro voto.
- A noite passada voltou a ser assustadora: chuva forte e constante, vento medonho, barulho demoníaco lá fora. Esta manhã observei o resultado: caminhos transformados em rios, espaços abertos em charcas, árvores arrancadas. Aqui, felizmente, o mundo vegetal ficou todo de pé.
- Estou pela primeira vez a escrever no novo computador ao cabo de meses de chatices que duraram até ontem. Ainda não o domino completamente, mas o essencial para a escrita já alcanço. Daí o deslumbre de ler as páginas finais escritas no romance há alguns meses. Sublimes. Urge pegar de novo nele e terminá-lo.