Domingo, 11.
Expresso aqui um exemplo de tantas páginas incendiadas da gulodice do sexo entre Julien Green e o seu amante, Éric Jourdan, que veio a ser seu filho adoptivo, e está depositado na capela de Santo Egídio, Áustria, com o escritor desde 2015. Visitei a cidade de Klagenfurt em 2016 e escrevi um artigo a propósito da visita à campa mortuária comum. O que é, todavia, original e surpreendente, é a liberdade do escritor, original e descomplexada e daí a disposição de Green em ser publicada 50 anos após a sua morte, ocorrida em 1998 aos 98 anos. Eu fui visitar a capela onde os dois estão sepultados, em Klagenfurt, e escrevi um artigo para a revista de Maria Estela Guedes. (Os pudicos, cínicos, anjos e arcanjos da hipocrisia, estão dispensados de ler o que se segue.)
... Éros (Éric). Diné avec lui, puis nous avons arraché nous vêtements et fait l´amour avec un emportement indescriptible. J´ai baisé Éros pendent près de trois quarts d´heure et à partir d´un certain moment il a perdu la tête et s´est mis à parler d´une façon très obscène: “jamais on ne m´a baisé comme ça, gémissait-il. Mon cul s´ouvre comme un fleur... Je suis ouvert comme une fleur... Un jour je te chierai sur la gueule. Je le baisais lentement, puis plus fort, selon ses désirs. Il murmurait: Je vais te baiser.” Quant j´ai joui, il crier presque de bonheur. M´a laissé le temps de souffler puis m´a baisé avec lenteur, m´ouvrant peu a peu avec une science étonnante chez un garçon si jeune. Il fessait aller son cul de droite à gauche avec force et me mordait l ´épaule ou me fessait très rudement, Je lui ai dit une fois ou deux que j´avais mal, à quoi il répliquait: “Ta gueule”. À un moment il s´est retourné et m´a baisé à l´envers, ses pieds (dans leurs merveilleuses spartiates dont les lacets rouges arrondissaient ses gros mollets) de chaque côté de ma tête et sa queue dans mon cul. En tournant la tête, je voyais ses fesses s´agiter en cadence. Il disait, les regardent lui aussi: “Elles sont jolies, mes fesses.” Il me disait sans cesses: “Je t´encule, je te baisse. .... “ A joui furieusement avec de grands rôles de volupté, M ´a dit ensuite: “J´ai besoin de me faire baiser, mais j´aime mieux baiser. J´ai besoin de me faire baiser comme une femme en a besoin, mais il faut aussi que je baise. M´a quitté très affectueusement.”
- Os animais têm alma é dito no Génesis (1-20). Embora Frederico Lourenço tente nas suas preciosas notas de rodapé especificar que o significado pode ser « ser vivo », o facto é que o relevo dado no início da criação do mundo por Deus, pressupõe que se trata de uma natureza divina como qualquer outra. Contudo, para mim, sempre me foi difícil de aceitar o termo “alma”, sobretudo, como o vemos aplicado desde os sapatos dos jogadores de futebol à fantasia do presidente da Câmara de Lisboa, quando se refere “à alma da cidade”. E repensar.
- Sim, é assustador o número de mortos (nos últimos dias 3) por negligência ou falta de ambulâncias. Mas atribuir todos os desvarios à Ministra da Saúde, é esquecer ou atirar para debaixo da cama, o imenso trabalho que ela tem tido para repor o desastre que fora a “geringonça” e nos três últimos anos o governo de António Costa. Pelo que vou observando, ela não endireitará o SNS porque não possui tempo nem para respirar e, ainda, porque na sombra são muitas as manobras partidárias que desmancham o puzzle que ela vai paulatinamente reconstruindo.
- Esta manhã, apesar de tudo, consegui assistir à missa pela TV. Domingo passado, pura e simplesmente, desisti. Na RTP1 estava o padre Tony da Madeira e na TVi o bispo de Setúbal, dois profissionais da Igreja, vaidosos e zelosos das suas pessoas - de fé, népia.