Sexta, 30.
A terrível Ingrid foi-se e chegou o bélico Kristin. Para cima de Caldas da Rainha até Coimbra, os estragos são tantos e tão desastrosos, que até o canal 2 francês ontem os projectou. De facto, a sua passagem deixou um rasto de horror e violência., com ventos que passaram os 140 k/m hora e fizeram pelo menos quatro mortos. Cidades e vilas estão destruídas, todas as infra-estruturas foram abaladas, os estragos e seus custos são incalculáveis. Tudo isto, dizem os técnicos, deve-se ao aquecimento climático. Eu não ponho em dúvida, mas quer-me parecer que algures no universo qualquer coisa se modificou, seja por culpa dos homens, seja porque este lugar onde vivemos é tão mutável na sua suspensão e quietude. Os grandes projectos para lhe fazer frente, são esquiçados contra as populações, ou seja a jusante, enquanto a montante a grande indústria prossegue o seu caminho de lucro indiferente à tragédia que consome a vida dos pagantes. Acresce que todas as barragens sem excepção, estão a descarregar. Numa palavra: é à sociedade de consumo que se deve todo este desarranjo existencial.
- Não é só neste petit pays que o clima se desarranjou. Nos EUA já houve mais de 30 mortos devido às baixas temperaturas e a casos com elas relacionadas. Sobre a Europa foram descarregadas toneladas de neve, e na Espanha não só neve como chuvas diluvianas. No tocante à neve, vários distritos no Norte foram beneficiados, pois por cá ela é objecto de gozo e satisfação.
- Ainda o debate entre Seguro e Ventura. Eles tratavam-se assim (mesmo nos momentos mais violentos) o senhor doutor isto, o senhor doutor aquilo. Não sendo médicos, é estranho assistir-se a tamanha dose de provincianismo.
- Cheguei cedo a Lisboa. Comecei por passar pelo oculista onde deixei há dois meses 600 euros e continuei com o mesmo problema que tinha com os óculos comprados na fábrica dos mesmos – fecho o olho canhoto para ler. De seguida fui ao C.I. e mais tarde abanquei na Fnac para alinhavar estas linhas. Aqui estou como estive anteontem quando, ao fechar o novo computador e não o conhecendo ainda bem, salvei o documento tão bem salvado, que ele desapareceu do ecrã. Pânico. Depois lembrei-me de ir pedir ajuda aos polícias de tenra idade que a livraria tem para acudir a desastres destes, mas o rapaz andou de lanterna na mão em busca do ladrão e não o encontrou - para ele o documento tinha sido apagado. Novo susto. Todavia, ontem de manhã, enchi-me de paciência e iluminado pelos céus negros, sentei-me à secretária decidido a compreender este bicho. Depois pedi ajuda à IA e com as suas explicações, pude rumar à aventura. Devo ter pesquisado por todas as files durante uma hora e, de súbito, eis que o tenho escondido num recanto onde nunca havia entrado. Depois, através do e-mail, arrastei-o de novo para o ecrã e pude prosseguir o meu trabalho. Já não é a primeira vez que tal me acontece. O facto é: sempre que me decido a pôr o cérebro em andamento, quase sempre levo a melhor e digo para mim mesmo “de estúpido não tens nada”. Gaba-te, ó inteligente.