sábado, fevereiro 28, 2026

 Sábado, 28.

Estourou a guerra no Médio Oriente às primeiras horas da manhã. Nada que o Irão e os países vizinhos não esperassem. Trump, calculoso, decidiu enfrentar os Xiitas através do seu inimigo figadal: Israel de Netanyahu. Foi este que, escudando-se com guerras sucessivas que lhe permitem escapar ao julgamento dos muitos crimes praticados no posto que ocupa há vários anos, disparou primeiro. O adversário, já preparado, retaliou cargas de mísseis por toda a redondeza onde os EUA têm bases militares: Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Bahrein, Jordânia, Iraque, Qatar, além de Israel onde as sirenes não param de se ouvir. Parece estar aberta uma guerra regional de difícil desfecho. Entretanto, o homem que ambiciona o Nobel da Paz, abriu diversas frentes de guerra e incentiva os iranianos a ir para a rua gritar pelo descendente de Xá da Pérsia Reza Pahlavi. Embora não concorde de maneira nenhuma com o regime que governa o país há mais de três décadas, não esqueço que este foi referendado pela população. Os americanos vão enterrar-se uma vez mais na sua ambição e cobiça, porque pode ser que lhes saia o tiro pela culatra e o povo admita para o lugar de Khamenei, outro muito pior de entre diferentes dirigentes. O país é fértil em etnias, facções religiosas e líderes impulsionadores do Islão. 

         - Assim foi, assim será. Acaba de rebentar outra guerra que julgo também teve a mão de Trump: o conflito entre o Afeganistão e o Paquistão. Este atacou os talibans que tomaram o país e o dominam depois vergonhosa deserção de Joe Biden. Aquilo é um verdadeiro campo de concentração, um inferno na terra. 

         - Ontem estive com a Dulce, Virgílio, Alexandre e João na esplanada da Brasileira. Manhã brilhante, cheia de odores primaveris, em conversa amena (salvo quando o João intervinha), o Chiado com pouco rebanho turístico tresmalhado. Sabia que a Dulce é professora e pelas ideologias próximas do João, também delegada sindical. Só não imaginava que era apaixonada por pintura que exerce pelo menos duas horas por dia. Ela parece temer o meu juízo artístico porque aos olhos daquela gente (salvo os do Virgílio) eu não sou bicho que se cheire, de tão crítico sou para eles e não só em pintura como em literatura, ideias gerais, política, etc. Por estranho que pareça, nunca me senti próximo dela talvez por a ver tão chegada ao João e às suas doutrinas marxistas. Todavia, ontem, pedi-lhe para ver os seus trabalhos e experimentei uma súbita simpatia por ela, o seu olhar risonho e terno, sem fugir ao meu parecer prometeu mostrar-me. Daí o grupo foi almoçar ao restaurante austríaco ao fundo da Rua Anchieta. Comoveu-me a insistência dela e dos outros para que os acompanhasse. Não aceitei não só porque iria gramar duas horas de política à moda do João, ainda porque os preços são elevados e aquela gente não almoça, banqueteia-se e ainda porque queria trabalhar no romance no sossego do petit-cafe da Fnac.