terça-feira, fevereiro 24, 2026

 Terça, 24.

Relendo o que para trás ficou, sublinhados e notas de rodapé, dou com este destaque, pág. 925, de Toute Ma Vie: On n´échappe au cauchemar du temps qu´en vivant dans le présent éternel de Dieu qui dévore passé comme avenir.” Oh, cher Green! 

         - Ontem fui ao oftalmologista buscar os óculos que sofreram a melhoria que ele entendeu fazer. O Carlos que mo apresentou, compareceu na loja e os três fizemos a festa do milagre da boa visão. Outro dia, tocado pelo entusiasmo de ficar a ver como antes, disse ao médico que iria convidar o meu amigo para um almoço. Ele aconselhou-me a fazê-lo depois de ter a certeza que curei os estragos do Gama Pinto. Ri-me, rimo-nos. O facto, mesmo sem saber que tudo iria ficar nos conformes, lá fomos ao Corte Inglês almoçar no toutiço do edifício. Passámos umas horas agradáveis, em conversa amena e divertida, como é nosso hábito sempre que estamos juntos. Separámo-nos pelas cinco da tarde. Regressei ao presbitério de autocarro amarelo que é a cor de todas as minhas fantasias. O mestre Nilton tinha tirado o dia para me devolver a água de que careço há duas semanas. A coisa quase ficou nos conformes, não fora o facto de por aqui ele não ter encontrado o cano galvanizado para unir as duas partes separadas pela tempestade. Talvez hoje tudo fique em ordem. 

         - Por falar na víbora. O Rui, querido amigo com quem viajei pela Turquia, tendo-se separado da mulher, abandonado o banco onde tinha um alto posto bem remunerado, vendido a vivenda da Aroeira, na reviravolta que deu à vida, deixando tudo para trás, para se ir meter em Idanha-a-Nova onde começou por adquirir algumas casas abandonadas para as reconstruir, comprado de seguida uma quinta onde vive com a segunda mulher, contou-me dos enormes estragos que teve com o temporal e da saúde fragilizada que o levou a uma complicada operação à coluna que o deixou de cama dois meses e duas anestesias gerais. Recentemente, sem saber como, numa volta do corpo, caiu e fraturou a omoplata e de novo encontra-se deitado a contar as moscas que se sobrevoam o quarto. Tinha muitos amigos e amigas quando ocupava o cargo bancário, mas apenas eu e mais dois se preocuparam em telefonar para saber se tinha tido muitos estragos e como ia a sua saúde. Da primeira mulher já nem o número de telefone possui, a filha vai aparecendo quando pode com a amiga com quem vive; o filho não pára de viajar estando a maior parte do tempo fora do país. Por sorte, a mulher com quem vive, tem sido inexcedível de cuidados e carinho. Haja Deus! 

         - Outro amigo a quem telefonei, o João Biancard. Ele vive numa quinta com vários hectares para os lados de Torres Vedras. Levei duas semanas a encontrá-lo convencido que teria falecido. Em casa não atendia, o portátil tinha-o perdido e foi preciso muita pertinácia da minha parte para o encontrar. Enfim, uma noite, ele respondeu ao telefone e ficámos que tempos a pôr a vida em dia. A quinta foi de tal modo atingida, que ele teve de ir viver para casa do irmão e por fim da irmã de onde me falava. A enorme casa, tão grande que só a sala de jantar tem uma área duas vezes superior a esta onde vivo, felizmente, não sofreu nenhum abalo. Os problemas são nos acessos, serra acima, todos obstruídos por grandes árvores tombadas. Do alto dos seus 86 anos, João que teve sempre uma vida agitada na política ocupando vários cargos de grande responsabilidade, vive de pé, hirto, disponível, com um humor corrosivo contra os falsos grandes deste pobre país de analfabetos e gentinha medíocre. Disse-me que temos de nos encontrar breve, disponibilizando-se a vir a Lisboa ao meu encontro. 

         - Faz hoje quatro anos que o ditador russo invadiu a Ucrânia convencido que aquilo era trabalho para três dias, o máximo uma semana. Glorioso país, glorioso Presidente que tem conseguido fazer face a um tipo corrupto, sem escrúpulos, egocêntrico, inumano. Ele e o alcoólico Medvedev. Na pág. 273 das suas Memórias, Alexei Navalny, já no primeiro mandato de Trump, explica o envolvimento de Putin na campanha do tresloucado. Através da conversa registada entre o oligarca Deripaska e Prikhodko (na altura vice-primeiro-ministro), referindo as relações entre a Rússia e os Estados Unidos, soube-se que Paul Manafort recebera milhões de dólares das mãos de Deripaska em troca de lhe contar o que ia acontecendo na campanha de Trump.  Hoje sabe-se bem mais, que desde o pai ao filho, a família Trump sempre teve negócios com Putin e daí a simpatia que os une e a pancada idiota de Trump ao querer subjugar Zelensky às exigências de Moscovo. Acrescento que o par de peregrinos, von der Leyen e António Costa, rumaram a Kiev. Olha que dois!