Segunda, 2.
As malfeitorias climáticas prosseguem. Continuamos com chuva por vezes forte acompanhada de vento veloz e perigoso. Dizem-nos que os rios vão galgar as margens e invadir vilas e cidades. Todo este cenário catastrófico, rima com aquele outro que nos trouxe o Kristin. Os dois candidatos a Belém cheios de piedade e competência, advogam decisões para outros invernos e desgraças a advir.
- O mundo está suspenso do que vai acontecer no Irão onde, diz a imprensa, os senhores todos poderosos, mataram para cima de 30 mil pessoas, a maioria jovens posto que o país é constituído de gente a rondar os trinta anos. Entretanto, Putin não desarma e antes de Trump terminar o mandato, terá por inteiro o território devolvido à Rússia. O ditador é feroz e não olha a meios para atingir os fins. As temperaturas deste Inverno rigoroso não param de subir, tendo atingido quase trinta graus negativos. Os ucranianos, sem energia destruída pelo verdugo, vivem momentos difíceis em tendas onde se aquecem e recarregam energias e telemóveis. Também em Gaza, os méritos de Trump para o Prémio Nobel estão claros nas mortes que não param e foram de mais de trinta almas às mãos dos invasores israelitas. O criminoso e corrupto Netanyahu, mantém-se no poder. Num mundo em transformação acelerada, a nossa estimada União Europeia está ausente.
- Green chega a ser compungente não só com Deus como para os seus leitores. Ao longo de páginas e páginas, num murmúrio ou ladainha sem fim, ele desarma a sua alma num clamor de preces e interpretações divinas que tarde ou cedo são abafadas pelos prazeres do corpo incendiado de desejos e frustrações sem fim. É certo que o objecto dos seus desejos se mantém firme em MM (Éric). Pensa ele, talvez, que essa obsessão meramente carnal é melhor que andar de rua em rua à procura do imprevisto. Mas, a pouco e pouco, no seu limitado seio de fragilidades e equilíbrios, cresce o ciúme de Robert (o amor da sua vida), e também a preocupação pelo facto de Éric não ter trabalho, nem gostar de trabalhar. Bref. Ele começou a imitar Julien Green e escreveu um romance que o célebre amante ajudou a publicar. (Abro um parêntese para dizer que li um ou outro livro de Éric Jourdan, mas achei-os sem interesse absolutamente nenhum, pese embora as opiniões do futuro pai adoptivo muito elogiosas. Aquilo é pornografia pura e dura onde a homossexualidade é contada de uma forma nojenta.) MM era viciado em sexo (e em dinheiro) e multiplicava as aventuras diariamente. No ano cinquenta e seis não tinha Éric trinta anos e Julien Green aproximava-se dos sessenta. Essa vida airada, não trouxe ao escritor nenhuma espécie de rivalidade muito menos serenidade por ser meramente carnal. A relação sincera e forte era com o seu amor de toda a vida Robert de Saint-Jean.
- Hoje daqui não saio, daqui ninguém me tira. Choveu toda a manhã, mas agora o campo encheu-se de sol fraco, luminoso. As folhas das árvores agitam-se numa dança frenética – é a festa que o vento seu parceiro ao bailar expande.