Quarta, 25.
Com a idade estreitam-se não só as paixões como se restringe quase tudo o que nos maça. Ver o estado em que se encontra a quinta desgosta-me e apetecia-me chamar uma dessas empresas que num só dia abatem as árvores, serram os trocos para a lareira, queimam os ramos e arrumam a lenha. Por outro, assim pensando, tenho que tomar uma decisão drástica e cortar o mal pela raiz, isto é, vou ter que cortar pelo meio os cedros que cresceram em trinta anos uns vinte metros e são hoje uma ameaça à casa em caso de repetição do vendaval. Dito isto, ontem, ao fim do dia o Nilton restituiu-me a água de que tanto necessitava. Enfim, uma coisa resolvida por sessenta euros (toma e embrulha).
- Outro dia quando entrei na Versalhes, deparei-me com o homem do leme em que eu me recusara votar para as presidenciais e julgava que os portugueses, fartos dos políticos de meia-tigela, iriam entregar-lhe de mão beijada a direcção do país. O almirante estava estrategicamente sentado à escotilha de forma a que quem entrasse ou saísse o visse. Abancava com uma personagem sólida de corpo, olhar matreiro, vestido a rigor (fato completo, gravata, camisa impecável) e ambos cochichavam olhos nos olhos, sem que ao militar escapassem os olhares que os clientes depositavam (talvez por estranheza) nele. Mantinha o mesmo sorriso enigmático, mas todo ele estava trajado da farpela idêntica à dos políticos que com ele concorreram a Belém. Muito cedo despiu a farda imaculada da Marinha e afundou-se ao vestir a albarda, com a sua linguagem, o seu desprezo pela verdade, a sua ganância de poder, a sua incompetência, o espírito de manada, a falta de rigor, o desdém pelo indivíduo e tudo o mais que eles dizem ser a condicionalidade da democracia e não passa de lodaçal sujo da política. Foi esse estreitar de ombros com os demais, que o impediu de ser hoje aclamado Presidente da República.
- É um insulto à democracia e aos portugueses aquele ar triunfante, acentuado por uma barriga proeminente, um caminhar seguro de quem sabe que não vai para o cadafalso, antes cada vez se encobre sob o guarda-chuva do cargo de primeiro-ministro com os muitos escudos que a função lhe deu e a corrupção solidificou. Falo do ladrão José Sócrates.
- A mim sempre me fez muita confusão e sempre me interroguei, que têm de bélico os mísseis nucleares do Irão ou de outros países quando comparados com os dos EUA, Federação Russa, China, Coreia do Norte, França, Inglaterra ou outros. Sobretudo porque se evoca, como no caso do Irão, o seu regime totalitário e repressivo. Bah! Mas afinal não foi o regime democrático americano o primeiro e até hoje o único que utilizou uma tal arma dizimadora da humanidade?!