quarta-feira, fevereiro 11, 2026

 Quarta, 11.

Demitiu-se Maria Lúcia Amaral, ministra da Administração Interna, por se sentir incapaz de fazer face à fúria da intempérie e às desgraças que aconteceram por todo o lado. Todavia, é de todo o direito dizer, que ela foi honesta quando falou que estamos todos a fazer um processo de “aprendizagem colectiva”. Os oportunistas, os que querem o poder e a fama a todo o custo, interpretaram à sua maneira algo que a ministra disse com humildade e sapiência, ante um fenómeno natural nunca visto que nos dá a todos a oportunidade de  aprender. 

A verdade, porém, é esta: são culpados do que está a acontecer os que nos governaram nos últimos vinte anos. O país esteve entregue à dupla PS/PSD   que só avançou quando os portugueses se manifestaram nas ruas exigindo trabalho, competência e espírito criativo aos sucessivos governos. A vidinha ronceira, um toque aqui outro acolá, a propaganda ideológica, a corrupção, o compadrio, a falta de fiscalização, o enriquecimento ilícito, as falcatruas disseminaram-se por todo o lado, o poder era exercido quando a população pressionava, os vencimentos muito acima da maioria da população, caíam redondos e chorudos nas suas contas bancárias, a vida estava para quem lhe saísse a grande lotaria do poder. Fazia-se (faz-se) tudo o que as companhias com poder e dinheiro queriam: edifícios sem controlo técnico, postos de alta-tensão junto a propriedades, a pinheiros e a toda a sorte de árvores, gruas cresciam no meio do casario, estradas eram abertas sem nenhuma fiscalização, etc., etc., etc.  Os ministros formam-se nos gabinetes ministeriais, a rua é para o povão. Nas desgraças os lucros crescem, os arruaceiros enriquecem, os políticos demitem-se, a oposição em bicos de pés aproveita as dores e as tristezas para lamber as lágrimas dos infelizes. 

         - Noto que depois de há dois meses ter sofrido dores insuportáveis nas costas que quase me paralisaram, passei a coxear melhor. Daí que, por exemplo, hoje no metro e no autocarro e noutros dias nos mesmos transportes públicos, gente nova me dá o lugar, quer ajudar-me a entrar aqui e acolá.