segunda-feira, fevereiro 09, 2026

 Segunda, 9.

Como se esperava António José Seguro foi eleito Presidente de Portugal com folga bastante para calar Ventura e poder exercer o cargo com autoridade democrática que os portugueses lhe outorgaram. Foi uma vitória contra a maluqueira do homem do Chega, contra os senis capitães do PS e contra António Costa que o ultrapassou pela esquerda e deixou o país numa rebaldaria. A abstenção e os votos nulos, são inquietantes porque rondam o desinteresse de metade dos portugueses que deixaram de acreditar na democracia. 

         - Esta manhã, continuando sem água, indaguei do Mr. Johnson se havia por aqui uma loja com máquinas automáticas de lavar roupa. O homem sabe tudo e tudo parece corresponder ao que falta a tanta gente. Assim, esta manhã, pelas oito, vi-me numa cena da Aldeia da Roupa Suja na versão tempos modernos. Quando cheguei, observei um punhado de mulheres à roda de umas seis máquinas de lavar e secar, em discussão amena, as vidinhas expostas ao sabor dos sentimentos. Apenas um homem, um rapaz de uns trinta anos, já com pouco cabelo, pró-gordo, olhar vivo, um leve sorriso tímido, também com o seu saco de roupa em fila para vaga de uma máquina. As mulheres falavam pelos cotovelos. O curioso é que eu não entendia nada do que diziam, embora parecessem estar de acordo umas com as outras enquanto o tambor da máquina rodava a bom ritmo. No ecrã ia correndo o tempo, cerca de 30 minutos para lavar e quinze minutos para secar. Eu coloquei-me atrás dele e dele me servi quando chegou a minha veze para tomar contacto com aquela pedra dura dos tempos presentes. Admiro sempre as novas tecnologias que, com efeito, nos facilitam a vida. Os monstros aceitam tudo: cartão bancário, notas, moedas. Nesse entretanto, fomos trocando conhecimento, eu fui tomar café (sem esquecer o registo do tempo no meu telemóvel), ele ficou de vigia aos sacos de roupa e ao términus da lavagem. Como tinha menos roupa, fiquei na máquina mais pequena e mais rápida, coordenada com o peso da roupa que ia lavar. Foi ele mais tarde que me ajudou passar as peças lavadas para a tombola gigante que as ia secar. E deste modo, sob chuva que não parou um segundo, regressei a casa outro solitário mais glorioso de o ser, quando vem em nossa ajuda estas coisas medonhas, modernas e simpáticas que nos emolduram a existência.

         - “Je m´aperçois qu´à mesure que j´avance et que le passé grandit, grandit aussi l´avenir, qui est l´éternité.” Julien Green, pág. 781. Não posso estar mais de acordo.