Sexta, 11.
O recente relatório PISA, divulgou que Portugal recuou vinte anos no conhecimento da matemática e na leitura. Esta realidade, incendiou ex-ministros da Educação e o presente que eu considero, apesar de tudo, do melhor que temos tido. A verdade, porém, acho que é outra: como ultrapassar a facilidade que se desenvolve nas redes sociais, onde um novo método de escrever e falar se instalou a par do abandono da leitura, sem esquecer o exemplo de português primário que ouvem na televisão das bocas dos doutores políticos e jornalistas. A escola revê-se na oralidade rasca dos pomposos, de cabelos oleados, fato e gravata, lábia comprida, convencidos e sabichões que surgem nos ecrãs oferecidos todos os dias aos portugueses.
- A sensação que eu desenvolvo de cada vez que oiço a esquerda, é que se trata de um bando de gente que vive ainda no tempo do fascismo e Salazar os persegue sem dó nem piedade. Não conseguiram impor tudo aquilo que condenavam à direita de Marcelo Caetano, chegaram a ter percentagens elevadas como representantes do povo no Parlamento, instalaram-se, agasalharam-se nas traseiras do marxismo-leninismo, da ditadura do proletariado, e daí contemplam o Portugal que lhes escapa e personagens como André Ventura que muito lhes deve a posição em que se encontra. Porque a teoria é sempre esta: quem não é por mim, é contra mim. Os extremos são saudáveis e tocam-se em ambição e poder. Desligam-se da realidade e conluiados exercem a pressão que os lugares que ocupam na “casa do povo” não lhes confere. Marginalizam-se por convicção, acantonam-se num punhado de verdades que já não existe, e daí nasce uma esquerda para todos os gostos e ambições. Não entendem que o mundo mudou, que as ideologias do século XIX estão enterradas no desenvolvimento intelectual, moral e social do mundo moderno e, mesmo nos países onde elas encontram algum resquício, se faz pela força, proibição da imprensa livre, controlo dos cidadãos, amarrados por um bloco de ditadores sinistros, imperialistas, que tudo fazem para conservar o poder. Eu não acho que a direita seja melhor, simplesmente a esquerda não possui inteligência para perceber o seu lugar no sistema democrático – daí o refúgio nas teorias do passado.
- Joaquim Couto telefonou-me a felicitar pelo meu aniversário, dizendo-me que eu estou visivelmente melhor do acidente da Água das Pedras – “isso vê-se na forma como escreve”. Grande surpresa da minha parte. Atento, este amigo e leitor, demonstra não só inteligência, como sensibilidade literária. Uma leitora disse mais ou menos o mesmo. Eu é que ignorava que a minha escrita tocasse assim indelével as pessoas. Talvez por não me levar muito a sério.
- O facto, contudo, é que ainda não me sinto completamente curado. Ontem, em Lisboa, fartei-me de andar e quando regressei a casa, tinha o pé, coitadinho, muito inchado – apesar do tratamento com Picalm que o doutor Simões me aconselhou.
- Esta frase no Génese “a alma dele está pendurada da alma deste” (44-32) dita por um dos irmãos de José em conversa com o pai e não assinalada pelo tradutor.

