domingo, agosto 23, 2026

 Domingo, 23.

Enfim, ao cabo de cinco semanas a lavar-me como o Black me ensinou, pude retirar o penso e deixar correr a água sobre o meu corpo que a recebeu como uma bênção do céu. Ainda não me sinto a cem por cento, mas a pouco e pouco rejuvenesço das profundezas do sofrimento. 

         - A Carta das Nações Unidas, elaborada depois da Segunda Grande Guerra, tem no seu preambulo “preservar as gerações vindouras do flagelo da guerra”, contudo, poucos ou nenhuns são os países que nela estabelecem essa primazia. Basta olhar para o mundo, e contar com os dedos das duas mãos, a quantidade de países que estão em guerra. Muitas destas, possuem a mão do tresloucado Trump, impelido pelo seco e desumano Netanyahu com quem a UE mantém associação com Israel. Sem falar nos países africanos, acossados pela fome, bandos de criminosos de assalto ao poder, cartéis de droga que possuem hoje tanta força e armamento como muitas nações. No centro desta desordem, a Ucrânia com um conflito que passou o quarto ano. A instabilidade é geral e o factor económico conta tanto ou mais que os mísseis disparados a milhares de quilómetros – é disso exemplo a guerra que os EUA, através do seu presidente, impõem ao Irão. Perdeu-se a conta aos milhares de mortos que se foram às mãos de governantes assassinos nos últimos dez anos. Dito isto, não quero dizer que concorde com o regime iraniano, a “democracia” de Israel, o HAMAS e todas aquelas organizações terroristas que alimentam ódios e fome. 

         - Fr. Hélcio telefonou há dias de Madrid onde estava na companhia do marido espanhol. Assim que me ouviu a voz, prontamente se colocou para no regresso me levar para o apartamento de ambos paralelo à Avenida de Roma. Felizmente, não estando bem, já encontrei a liberdade mínima que me permite a independência. Quarta-feira vou ao Dr. Octávio Simões para ver o que ele pode fazer para reequilibrar a cabeça e o entusiasmo que um mês deixou a apodrecer no vale das dores. Já consegui engordar um quilo. 

         - Chove. O tempo arrefeceu e as árvores sorriem à leveza da chuva descendo sobre seus ramos frágeis. Vejo o espaço através da janela baixa onde escrevo – há um grito de alegria e alívio que é contagiante e me põe de novo no caminho da vida.