Terça, 18.
... Depois, quando uma tarde cheguei a casa após consulta oftalmológica no Pulido Valente e sentia o estômago num rebulício, não propriamente com dores, mas um mal-estar que antes de me deitar decidi acalmar com meio copo de Água das Pedras. A causa não fora o almoço no Corte Inglês, de resto muito simples (arroz com peito de frango), que me causara o incómodo. O que sei, logo que a água entrou no meu corpo, desatei a tremer como se estivesse nos invernos frios do Alasca. Subi a procurar uma camisola grossa, desci com ela vestida, e sentei-me no sofá do salão em tremuras bizarras. Daí a um tempo, voltei ao meu quarto, pus um cobertor sobre o lençol, tomei um comprimido para dormir e daí a bocado adormecia. Senti-me bem no dia seguinte, tinha descansado o suficiente, estava restabelecido. Mas da cabeça não me saía a garrafa da água que dizem fazer milagres nos problemas gástricos. Antes de me deitar, fui à cozinha testar o produto. Mal tinha engolido um pouco do seu conteúdo, desatei num tremor medonho, idêntico ao da noite anterior – a causa estava encontrada, o que se seguiu foi trágico... (suspendido para dizer que acabei de chegar de Lisboa aonde fora para o curativo, ao todo já dez viagens).