quarta-feira, junho 03, 2026

Quarta, 3.

Já passaram nove meses sobre o acidente no elevador da Glória. Como eu na altura previ, ainda não há culpados e o julgamento é uma quimera. Entretanto, as vítimas chegam-se à frente e pedem milhões de euros à Carris. Não é preciso ser-se entendido em nada de especial - basta observar a sociedade onde estamos inseridos. 

         - Viver até aos 150 anos! Os cientistas americanos andam a tratar disso. Dizem-nos que é possível e em boas condições de saúde. Nada que não tenha já sido norma. Se lermos o Génesis, encontramos as nossas origens com vidas mais do que centenárias. Por exemplo. Adão viveu duzentos e trinta anos, o seu filho Set duzentos e cinco anos, Abraão tinha cem anos quando lhe nasceu o seu filho Isaac. Toda esta geração na qual assenta a nossa, vivia centenária. Os americanos não estão interessados na universalidade, estão de olho nos poderosos endinheirados que já hoje despendem fabulosas fortunas em retoques, alimentação, arranjos físicos e assim. Vladimir Putin é um deles. Na realidade nota-se quando anda. Olhando-o de face, há nele uma espécie de múmia ambulante que não pode desafiar os instantes, antes movimentar-se na tibieza da vetustez que o espreita. 

         - O país paralisou? Talvez. Mas não foi decerto porque a maioria dos trabalhadores pararam por convicção. Parou porque os funcionários do Estado – professores, médicos e enfermeiros, pessoal dos transportes – impediram que os restantes saíssem ao encontro do quotidiano habitual. A CGTP (a UGT desta vez não aderiu) controla o funcionalismo público, faz o trabalho que o PCP já não consegue fazer por descrédito nas mesas de voto e, por conseguinte, no Parlamento. Que os portugueses ganham miseravelmente, é um facto que ninguém contesta e serve às mil maravilhas à esquerda como propaganda de ascensão. Mas se virmos como vivem os trabalhadores na Rússia, Coreia do Norte, Vietname ou China, temos a cópia do que seria entre nós se vivêssemos sob a sua alçada. Com este particular: teriam de baixar a cabeça ou seriam presos. Por outro lado, quem está na origem da pobreza e da humilhação de metade da população a viver nas condições que se sabe, é o PS e o PSD enquanto partidos que têm governado Portugal. São estas verdades que eu aqui, modestamente, não deixo de alertar. Exigir menos pobreza, mais cultura, saúde, habitação é uma questão humana que devia pertencer à dignidade que se exige e ao equilíbrio que devia imperar em qualquer país. Com esta ou aquela ideologia, com este ou aquele sistema político. Quando as esquerdas reivindicam estes princípios e com isso querem ganhar terreno, não é o ser humano em si que os impulsiona, são apenas os objectivos do poder, porque ali chegados, nada nos garante que seríamos mais humanos e solidários e equilibrados e democráticos. Muito pelo contrário. Uma pequena imagem tivemo-la com a “geringonça” de que hoje sofremos. 

         - Esta lindíssima foto que não resisto a publicar, é um pernilongo juvenil da autoria de Afonso Bernardino, capturado na Figueira da Foz e largamente premiado.  



 

terça-feira, junho 02, 2026

Terça, 2 de Junho. 

Ontem passei todo o santo dia em Lisboa. Comecei no Centro de Saúde apresentando à Dra. Vera Martins a talega de exames para apurar o que me aconteceu, dia 21, do mês de Abril. Como eu previra, o coração está intacto, o cérebro não tem um beliscão, nas análises não há uma que mostre desvios ao corpo são e immaculatus. Foi o que eu sempre imaginei e atribui o sucedido a problemas de estômago pois uma semana antes andei cheio de flatulências e incómodos. Todavia, para apurar um pouco mais, a minha ilustre médica quer que eu faça uma radiografia às carótidas na sua função de levar o sangue do coração ao cérebro. Assim farei. Entretanto, vou ouvir o Dr. Octávio Simões que passou a ser o meu clínico contra os desvios sumptuosos do SNS.

Esta imagem parece uma pauta musical, uma sinfonia onde não há um acorde dessincronizado. Mas não é - não passa de um simples ECG do meu bravo coração. 

         - Almocei no meu saudoso 1900 e daí desci ao Chiado para cumprimentar os rapazes da Brasileira. Detive-me pouco tempo naquela catedral de encher os bolsos, numa tarde de calor abafado, com grande azáfama para acudir aos infelizes turistas esmifrados até ao tutano. Continuando a descer, detive-me um pouco antes do centro comercial, diante de um prédio onde funciona uma loja de inutilidades, devido a multidão de gente que com os seus telemóveis filmava uns tipos que apareciam às varandas do edifício. Perguntei a um transeunte o que se passava, ele informou-me que eram os jogadores da selecção que estavam no interior. Respondi in petto: “Horror, horror.” Depois percebi que toda aquela patetice era uma acção de propaganda ao estabelecimento tendo por engodo os heróis nacionais. Bref. Que país! 

         - Para amanhã anuncia-se uma grande greve nacional. A ver vamos. O que se nota é que o PCP apostou todos os seus três por cento no acontecimento. Os trabalhadores e o povo, parecem absortos aos jogos de poder, embora eu ache que Montenegro anda a medir forças com a oposição, em vez de governar. De qualquer modo, a coisa até vem a calhar com o feriado de quinta-feira e o Verão a brilhar de Norte a Sul. 

         - Fui à natação. A par daquela outra que julgo ser ucraniana e põe sempre músicas de Carlos Paião durante a hidro-ginástica dos velhinhos coitadinhos, existe uma portuguesa de gema. Esta controla-me. Da última vez, quando ia a sair, diz-me: “Hoje sai muito mais cedo.” Esta manhã, voltou a abordar-me: “Chega mais tarde que de costume.” Sorri-me com os dentes que possui e eu contraponho: “Anda a controlar-me.” “Eu sou uma grande controladora.” Que quererá dizer este charabiá?