quarta-feira, junho 24, 2026

 Quarta, 24.

As temperaturas não param de subir. Toda a Europa sofre horrores com os termómetros a aumentar em flecha: Londres, Amesterdão, Paris com 40 graus e várias mortes por afogamento no Sena de quem queria escapar ao sufoco, Madrid, Roma, Viena. As noites aqui são particularmente difíceis obrigando-me a dormir de janelas escancaradas e colónias de mosquitos de atalaia. Esta noite, tendo-me esquecido de levar para o quarto a garrafa com água congelada, desci para a retirar do congelador. A noite estava serena, como se o calor se tivesse ausentado para deixar passar um fino assobio de ar fresco que se insinuava no vasto espaço. Quedei-me a ouvi-lo, a perscrutar o que me contava a noite naquele resto de horas antes da alvorada. Mas o silêncio era pesado, cirandava pelas divisões, povoando os muros, enchendo os minutos de um mundo que não se dá a conhecer ao dia. 

         - Posso dar a minha opinião sobre a Selecção Nacional e o resultado diametralmente oposto à última partida no Mundial de Futebol? Posso? Aqui vai. Do pouco que vi, do pouquíssimo que percebo de futebol, acho que foi fácil vencer os fracos. A equipa era muito fraquinha, fez o que pôde, e o brilho que levou o avô Ronaldo e os seus pupilos a enobrecerem-se, não me convenceu. A hora da verdade ainda está para vir. Tenho razão? 

         - Estou a ler a encíclica Magnifica Humanitas de Leão XIV. O exemplar foi-me emprestado e eu não sei ler sem anotar, sublinhar, folhear várias vezes um livro facultado. Todavia, do que tenho lido, incentiva-me a parar e ir à livraria comprá-lo. A incidência vai para a Inteligência Artificial e a sua aplicação (ou desumanização) no nosso quotidiano colectivo.