terça-feira, junho 23, 2026

 Terça. 23.

Estive a tomar café com a Maria José durante o qual pusemos a conversa em dia. Ela foi operada a uma catarata do olho direito há três dias, mas já retomou o trabalho. Corajosa. Sobretudo quando, sendo escultora, tem de lidar com gesso, pedra, madeira na construção das suas obras. Não conheço ninguém tão activo como ela. Os seus oitenta anos, não a deixam descansar e trabalho não lhe falta. Perdeu o atelier que tinha numa quinta um pouco longe daqui, e pensou instalar-se aqui comigo. Eu não fiz nenhuma pressão nesse sentido e ela acabou por perceber e encontrou poiso em Quinta do Anjo. 

         - A ladroagem está por todo o lado. Quando é a direita a roubar, a esquerda desce à rua e julga-a na praça pública; mas quando é a esquerda protesta que é invenção do fascismo, das forças da reacção. Outro dia, no término relacional com o João Corregedor, quando eu disse que José Sócrates era o maior ladrão de todos os tempos ele, irado, mandou-me na linguagem própria dos camaradas proletários básicos àquele sítio. Mas os factos falam por si. Portugal tem sido governado por cliques sucessivas de corruptos, esquemas, ligações a máfias escondidas, compadrios, dinheiro a rodos passado por debaixo da mesa, ou escondido em offshores e até em gabinetes governamentais como aconteceu com o amigalhaço de António Costa que o abafou no seu gabinete ministerial de S. Bento. Eu costumo dizer que praticamente os tribunais só julgam a classe política e empresarial, são elas associadas que movimentam esforços e somas astronómicas de dinheiro e investigação à justiça. Os ladrõezinhos de pouca coisa, desapareceram. Em Portugal os dois partidos que têm tido o poder, também se têm governado à vez. 

         - Vem isto a propósito do que se passa em Espanha. Os socialistas por lá não são muito diferentes dos de cá. Assim, o braço direito de Pedro Sanchéz, foi condenado a 24 anos de prisão por esquemas fraudulentos quando da Covid-19. 24 anos! Os nossos tribunais são mais brandos, todo o mundo se conhece e, portanto, a actividade humanitária dos advogados faz de criminosos santos de altar. Num país de terceiro mundo, é assim que as coisas funcionam e ponto final. 

         - Calor abrasador. Fui ao tanque electrónico lavar a roupa de duas semanas. Lá encontrei um rapaz de vinte anos que vive só e tem que se ocupar de si; uma estrangeira que antes de meter a roupa na roda da fortuna, munida de uma data de produtos com esguiches, borrifava as peças antes de as pôr na máquina; e um homem à moda antiga, muito cuidadoso, dobrando cada peça como se fosse definitiva e guardando-a muito direita no cesto. Que mundo!