sábado, junho 13, 2026

 Sábado, 13.

Aqui madruga-se. Desde logo para regar, depois para ir ao mercado dos pequenos agricultores em Pinhal Novo e depois para os pequenos trabalhos de dono de casa. E ainda bem que assim é. Porque com tantos afazeres a distâncias daqui, sou sacudido pelo acordar pesado dos tormentos que vêm da noite e se atiram inteiros ao começo do dia. Faz um calor medonho, estou de portadas cerradas, no lusco-fusco das salas, e assim o fresco espraia-se por todas as divisões. 

         - Ontem passei um dia agradável em Lisboa. Fui no autocarro com ar condicionado, regressei em idênticas condições. Almocei no C.I. um prato simples, mastigado sem pressas, os pensamentos volteando entre a mesa e o espaço quase vazio. Depois fui renovar o meu guarda-fatos há muito esquecido. Há anos que não compro roupa, preferindo esgotá-la até ser farrapo e notada por aquelas dondocas que adoram os farrapinhos e me alertam para as calças ou as camisas rotas. Porque o que visto tem duas épocas: a que levo a qualquer lado; a que fica até ser trapo e uso por aqui, casa e cafés, mercados e supermercados. Aconteceu um facto curioso. Andei em busca de camisas frescas e de meia-manga. Encontrei o que procurava e com duas peças dirigi-me à caixa para pagar. Qual o meu espanto quando a amável rapariga, de sorriso de orelha a orelha, me reclama 404 euros! Ia-me dando um fanico. Claro que recusei e só então me apercebo que o ricaço teve mais olhos que a conta bancária. 

         - Mais tarde, no pequeno café da Fnac, durante hora e meia, corrigi 15 páginas no romance. Momento sublime, suspenso do delírio da escrita que o tempo apagou de entusiasmos e ali se me apresentou no espontâneo do texto, como se aquilo que os meus olhos viam não me pertencesse. 

         - Nós tivemos vários Presidentes da República pós-25 de Abril de 1974. O primeiro cheio de militarizes agudas, depois o da austerize distante, a seguir o fanfarrão sedutor, depois o feião economicista, pegado a este o trolaró simpático, e Seguro?