sábado, junho 27, 2026

Sábado, 27.

Estamos sempre a aprender. Ontem, pelas dez da manhã, entrei no autocarro com destino a Oriente. Ao todo os passageiros para Lisboa, seriam uma dúzia. Ainda o veículo não tinha arrancado, entra um controlador. Pede-me o passe e eu digo-lhe que tem um trabalho inútil, porque todos os passageiros ao entrar são obrigados a apresentar o bilhete ao condutor. Ele ri-se, saca do bolso dois passes e diz-me: “Estes dois são desta manhã, acrescentando: "o número de famílias que só compra um passe social e depois é com ele que todos se deslocam à vez, não pára de aumentar.” Ante a minha surpresa: “E agora os filhos, como estão de férias, os pais passam-lhes o passe e eles divertem-se deslocando-se de Palmela para Lisboa ou outros sítios da margem sul.” Foi ao fundo o carro e quando voltou, continuou: “Ainda se compreendia quando os passes eram caros, mas ao preço que eles estão...” Respondo: “Não diga isso pela sua rica saúde. Olhe que ainda o tomam por um tipo de direita. O trabalhador tem sempre razão e se não a tiver a esquerda que temos encarrega-se de o defender.” Riu-se, ele e o condutor.  

         - As ajudas à Venezuela chegam a conta-gotas devido à imensa dificuldade de transportes. As imagens que nos chegam do norte de Caracas, são impressionantes, acompanhadas dos números que não param de crescer: 188 mortos, 1530 feridos. Mas também a surpresa que a vida nunca deixa de nos encantar. No meio dos escombros, saiu uma mulher que estava em trabalho de parto e o bebé nasceu nas mãos dos socorristas.  


         - Starmer, o primeiro-ministro britânico, abandonou o cargo. Tinha simpatia pelo homem e achava-o competente. Mas os comentadores dizem que ele foi péssimo na política interna e óptimo na política externa. Como Sanchéz, Macron e passo. 

         - Ontem passei na Brasileira. Fui recebido como se fosse o rei de Portugal. Todos me vieram cumprimentar e com todos travei pequenos diálogos e ouvi grandes discursos acerca do que resta dos tertulianos. Um destes, travou-se de razões com o pintor de um dos quadros premiados pelo conhecido café. O escândalo foi tal, que turistas e nacionais, assistiram, estupefactos aos conhecimentos técnicos e artísticos retratados aos berros, como se ele fosse a sumidade nacional na matéria. Que ridículo! Céus, do que eu me livrei!