sexta-feira, agosto 28, 2026

 Sexta, 28.

Ainda não retomei o ritmo, mas vou-me afeiçoando à vida tal qual a vivia quando os dias se abriam esfuziantes de pequenos nadas, restos de recordações, olhares perdidos na imensidão do passado, circuitos de luz, sombras rastejantes, silêncios espessos, horizontes suspensos que me abraçavam e me comoviam e me sideravam e me isolavam na eternidade do silêncio ondulante. Ir como ontem fui ao centro comercial Alegro, em Setúbal, é experimentar despir a capa do solitário que os deuses protegem e a vida desempena dos pensamentos aziagos ou abancar no Retiro Azul para alinhar estas linhas, é chamar os dias largos de antes da tragédia e encaixá-los por força da vontade inquebrantável de quem ama profundamente a vida. 

         - Não há ainda um número de vítimas da avalanche de gelo e água no Nepal. Há, contudo, um registo provisório de 400 mortos e 1500 desaparecidos. Julga-se que a maioria de uns e outros, são turistas. Todas estas catástrofes sucedem-se um pouco por todo o lado, como se a terra berrasse: “parem de me agredir”. 

         - Como eu previra quando há um ano se deu o aparatoso desastre no elevador da Glória, ainda não se conhece o desfecho de um acidente que matou 16 pessoas. Os conluios importam mais que a verdade. Foram, todavia, constituídos arguidos o ex-director de manutenção da Carris e o sócio-gerente da empresa externa que assegurava a manutenção dos elevadores de Lisboa. Bom, não sendo nada, é para a justiça deste pobre país, qualquer coisa.