quinta-feira, outubro 01, 2026

 Quinta, 1 de Outubro.

O país parece um território de moribundos a carpir desgostos de séculos. Tudo porque um tipo arrogante, convencido, deselegante decidiu deixar os campos de futebol, tomar o seu jacto particular e regressar ao leito materno. Fica-me de tudo isto, a personalidade forte do homem que, sem o sacudir, pô-lo a andar. O primeiro-ministro de Portugal, telefonou às personagens a tentar remediar a pieguice do dito “maior jogador do mundo”, mas não me lembro do ver acercar-se dos que precisam de um lar, saúde, educação e uma vida digna. Que pobreza! Que ridículo! Que imagem de país do terceiro mundo!  

         - A habitação como tanta, tanta coisa não foi sendo resolvida ao longo de 50 anos de democracia, ao ponto de tantos seres humanos, dignos, trabalhadores, honestos e activos não terem uma casa para morar e, alguns, nem ganharem para um mísero quarto com uma cama. Na origem desta desgraça, está uma tal Assunção Cristas, decerto ela e os seus com apartamentos a necessitar de impulsos financeiros, que lançara a desordem, atirara para a rua velhos e novos, impulsionara o aumento desnorteado dos alugueres com ainda hoje apelidada de “lei Cristas”. A criatura, como ministra, era um desastre, uma espécie de pacóvia deslumbrada, que soprava horrorosos sermões que nunca me convenceram e só alimentaram a lei do mais forte, fosse ele governante ou fundo de investimento imobiliário. De seguida, veio António Costa e o seu amor aos pobrezinhos, aos deserdados da sorte, que nunca cuidou do direito à habitação plasmado na Constituição e deixou proliferar a moda AL prontamente apanhada pelos gananciosos de riqueza fácil e nenhum trabalho. Em desespero, milhares de jovens saíram à rua. Foi quando aquele que se governa junto dos corruptos em Bruxelas, acordou da longa letargia do poder e olhou, ainda que timidamente, para as novas gerações que dormiam ao relento ou em tendas nas ruas. Pobre país que tão insignificantes políticos possui comparado com a riqueza de povo digno e humilde que possui. 

         - Grande tristeza o falecimento da Piedade. Só não me derrotou, porque há mais de dois anos ela tinha deixado de cuidar desta casa e do seu residente. Grande amiga que a Annie era, quando cá vinha trazia sempre uma lembrança para a “que tão bem trata de ti”. Foram mais de trinta e cinco anos de amizade e respeito mútuos. Repousa em paz terna amiga, que Deus te compense pelo muito que sofrestes.