sábado, setembro 05, 2026

 Sábado, 5.

Ontem andei na Baixa ocupado com vários assuntos que me lá levaram. Mais tarde, encontrei-me com o João B. para um café. Eu não lhe havia telefonado a contar-lhe o que me aconteceu e ele esmorecido: “Podia-me ter chamado para o ajudar.” A conversa entrou depois num ritmo e tom que me agradou sobremaneira tendo em conta o atropelo dos assuntos. À nossa volta ninguém entendia o que discutíamos; Lisboa transformada num país de várias línguas e costumes, abafando completamente os nossos modos da vida. Grossa maioria o que vemos é lixo, mas isso pouco importa aos que nos governam porque não frequentam os mesmos locais, fechados como estão numa campânula de cristal. À despedida ele atirou: “Cuide-se, viu.” 

         - Um leitor do Público de seu nome Alexandre Delgado, em carta endereçada ao jornal, escrevia: “Ana Paula Martins é a coveira do SNS. A sua missão é fechar serviços, infernizar a vida dos profissionais de saúde, escorraçar utentes e abrir a porta aos privados. Devia ser condecorada.” Como os meus leitores se recordarão, eu sempre apoiei a Ministra da Saúde, por considerar, no início, que ela teria um trabalho hercúleo e desfazer o que António Costa fez na saúde. Acontece que, se tivermos em conta que Ana Paula Martins vem já do primeiro mandato de Montenegro, em 2024, era para ter um ministério mais próximo dos portugueses e mais competência na sua direcção. Eu sei do que falo e por saber enviei-lhe o e-mail do desastre que foi a minha entrada no S. José de maca às duas da tarde e a saída pelos meus próprios pés, às 9,30 da noite de táxi para casa sem ter sido atendido (ver dia 25 de Abril). Protesto de que não obtive resposta. Talvez fosse por ter relembrado o grande Senhor da Saúde, obreiro do sistema, o socialista António Arnaut. 

         - Que dizer da proposta do presidente dos Estados Unidos para mudar o Estreito de Ormuz para Estreito Trump? A tarouquice do homem, raia a demência. 

         - Ontem estendi-me um pouco mais em andanças pedestres. Queria testar o pé maroto e a perna que nele assenta. Nada mau. Apesar de um ligeiro inchaço no peito do dito cujo, o dia saldou-se por uma vitória na sequência da vida.