terça-feira, setembro 22, 2026

 Terça, 23.

“É barganha particularmente perversa, por uma razão que devia ser mais vezes discutida – a descarada infantilização dos cidadãos, que não são tratados como adultos responsáveis, mas como crianças de mão estendida, dependentes das boas graças do Governo. O Estado falha todos os dias nos hospitais, nas escolas e num vasto conjunto de serviços públicos, cada vez mais degradados.” Quem assim fala, é João Miguel Tavares no Público de hoje, em crónica que se insurge contra os bónus que Montenegro decidiu dar aos velhinhos, coitadinhos, com reformas de miséria. Segundo o articulista que deve ser bem pago e por isso, quando não puder arrastar os pés, o primeiro-ministro da altura, far-lhe-á chegar uma reforma compatível com aquilo que afirma ser esmolas. O problema desta gente que se diz culta e responsável, é viver num outro qualquer planeta, onde não entra o reformado com 400 a mil euros, que são a grossa maioria dos aposentados no nosso querido país. Ele insurge-se contra o 13º e 14º mês, norma antiga que tanto jeito dá a quem aufere pouco. Mas vai mais longe: pede reformas para acabar com este feitio bem português de esmolar. Esquece-se que não são só os pobres que trabalharam honestamente toda a vida a esmolar, é o país inteiro que baila quando o dinheiro da UE entra a rodos no país. Mais. Do que ele devia falar quando fala de reformas, é do estado da Segurança Social e dos funcionários do Estado, e dos privados, que auferem várias reformas e quando casados, numa altura em que a mulher já não é dona de casa e aproxima-se a passos largos para se equiparar ao marido em direitos e ganhos do trabalho, falecido um dos cônjuges, o que fica passa a receber uma maquia importante do salário do falecido. Mais ainda. Aquele que nos engrandeceu junto do ninho de víboras que é o Parlamento Europeu (e não é o único), de seguida governador do Banco de Portugal, reformado recentemente sem idade para tal, aufere a bonita soma de 10 mil euros brutos mensais (os tais 10 mil que Cavaco dizia, quando deixou Belém, não ser possível governar-se a si e à mulher), mais o que acumula com o ISEG ao retomar a actividade académica. Mário Centeno está longe de ser o único. Para não falar nas mordomias a um enxame de pindéricos, que possui carro com chauffeur do Estado, subsídios para isto e aquilo, casas pagas, deslocações, numa festa colectiva que os contribuintes pagam com língua de fora, numa manifestação de novo-rico, num Estado a viver acima das suas possibilidades, quando cidadão amocha, vergado ao peso das dificuldades quotidianas. 

         - Fui à piscina. Depois de dois meses sem qualquer exercício, nadei apenas 30 minutos, num teste à perna e ao pé que as damas gordas e de sorrisos mimosos pendurados da água, acompanharam até à primeira braçada. Saí mais leve, quase etéreo, sobretudo psicologicamente, com um andar de menino atrevido a quem soltaram da jaula.