terça-feira, setembro 29, 2026

 Terça, 29. 

No Pentateuco, o Êxodo dos israelitas do Egipto onde eram um povo de escravos, mas ainda assim não tão mal como muitas vezes no-lo apresentam, onde ficaram entre o Egipto e Canaã quatrocentos trinta anos, foi uma disputa que durou imenso tempo entre YHWH (tetragrama do alfabeto hebraico) e o faraó apoiado pelos seus acólitos. Por essa altura ainda Deus não se tinha revelado em todo o seu esplendor a Moisés o eleito para levar o seu povo para a terra escolhida por YHWH. O que me impressiona, desde o primeiro capítulo até ao dezassete do Êxodo, é a violência que Deus impõe no confronto com o faraó utilizando métodos medonhos ao ponto de levar o povo egípcio à fome, à privação, às doenças e à morte. A saída dos hebreus para a longa viagem que os deixará na terra prometida, espécie de iniciação, onde Ele os fixará como seus filhos adoptidos, e aí começará a história judaica, faz-se à custa do suplício dos egípcios que morrem aos milhares com epidemias de toda a sorte, porque o faraó recusa-se a deixar partir um povo que lhe foi útil, trabalhador, e há séculos radicado no território dos faraós. Há muito que penso no assunto, porque a Deus, com o poder absoluto que era e é o Seu, podia num gesto, palavra ou aceno mudar o faraó e toda a sua entourage a Seu favor. (Voltarei a rever este texto que foi escrito no café da Fnac, portanto sem consulta aos dados disparados pelo meu cérebro.) Há, contudo, uma frase que YHWH ao revelar-se Deus, deixando por assim dizer o tetragrama divino, quando Moisés antes de partir com o seu povo, lhe pergunta: que direi quando me perguntarem quem és? Deus respondeu: “Eu sou O que está sendo.” Esta resposta, desde que a li no Pentateuco, nunca mais me largou. Penso imensas vezes nela e preciso de desabafar para acalmar. Assim farei quando estiver preparado para tal. Quanto filhos de Israel, a história diz-nos que estiveram em todo o lado e em lado nenhum – até 1948. 

         - O Papa Leão XIV na sua última jornada de três dias em França. Por onde passou, falou de paz porque tanto ele como todos nós, persentimos que a guerra se aproxima a passos apressados. Putin sente as costas quentes com o seu camarada Trump a protegê-lo e atrás dele a Coreia do Norte, China, e outros pequenos satélites-ilhas no apoio à trama tremenda que se prepara como ficou demonstrado nestas últimas semanas de investidas “hibridas” ao nosso continente, a derradeira das quais há três dias em Inglaterra. Portugal está completamente alheado de tudo, como se este canto do mundo não estivesse aliado aos seus vizinhos e não fizesse parte daquilo que o ditador pretende destruir – a União Europeia. Luís Montenegro, sem ideias, preparação ou acuidade, continua a afirmar que é melhor o diálogo. Macron também assim pensava, depressa percebeu que os ditadores impõem, não escutam. 

         - Insistem os nossos queridos governantes em forçar os automobilistas a andar a pé, falam-lhes ao ouvido que deixem o carrinho em casa e passem a usar os transportes públicos. Pois é. Eu instalei-me aqui em 1998, ia todos os dias a Lisboa de carro, para passar a ponte já nessa altura precisava de uma hora. Por fim cansei-me, pensei nos gastos, no Planeta, e optei pelo Fertagus. Aqui me encontro desde então e contam-se pelos dedos de uma mão, as vezes que peguei no popó para ir à capital. Sou um português comum, nunca vi um deputado, ministro, secretário de Estado nos transportes públicos. Suas altezas não se rebaixam a deixar o trono rolante. Que bicheza!