quinta-feira, setembro 24, 2026

 Quinta, 24.

Às oito da manhã tomava o autocarro para chegar ao consultório do oftalmologista, no Chiado, onde tinha hora marcada às onze em ponto, viagem que se faz em pouco mais de trinta minutos. Um habitual acidente na Ponte Vasco da Gama, foi a causa. No caminho, olhos postos no rio, pensava naquela da excelente Ministra do Ambiente, segundo a qual os portugueses devem habituar-se a poupar combustível. A estimada Senhora não conhece os seus contemporâneos. Podem passar fome, não ter dinheiro para a saúde, para livros, para viver condignamente, mas para o popó, qual trono ambulante, ele tem que aparecer. Porque o automóvel é tudo aquilo que esconde à luz dos outros tristezas e desgraças do dia-a-dia; ao volante irmanam-se na máquina e solicitam-lhe o estatuto que brilha como arma de arremesso contra as desigualdades. Portanto, senhora ministra que suba o litro da gasolina, o português da classe média nunca abandonará a sua imagem resplandecente. 

         - A actual Ministra da Cultura, saiu-se com esta: Jorge Palma é um “cantautor”. A palavra está correcta, mas o novo-riquismo aflora por imposição fora do contexto. 

         - Os portugueses, se olharem de frente o presente, o passado e o futuro, vêem um monte de excremento que nunca foi varrido da sociedade – a corrupção. 

         - As ameaças não param, os avisos também não. A CIA alertou a Europa de possíveis ataques com drones contra a França, Espanha e Itália por parte do ditador russo. Que mundo!