Terça, 30.
Vou acabar o ano a vociferar. Somos um país tão pequenino, entretido como as crianças com coisinhas, o Gabriel no Norte e no Sul o Malato, vedetas de programas talhados à imagem do português coitadinho, um com cultura do Google, o outro com o sorrisinho macaco, ambos insuportáveis de mediocridade anos a fio na TV a debitar larachas sem préstimo nenhum. Sabendo a importância que as televisões hoje têm para povos analfabetos reduzidos à imagem, não é de espantar que cada vez mais se leia os títulos principais nos smartphones e esses sejam a cultura e a informação que viaja pelos cérebros desta geração de uma pobreza franciscana.
- De resto, basta ver o que se passa com os figurões que querem viver no Palácio de Belém. O almirante, herói das vacinas do SARS-CoV-2, oficial impoluto até ao dia em que decide enfrentar o pequeno Mendes que, por sua vez, foi descoberto pelo oficial de Marinha em negócios que lhe permitiram enriquecer em pouco tempo. Ao ponto a que as coisas chegaram, do que vemos e ouvimos, é a guerra que alastrou às vidas até aqui sólidas e imaculadas dos intervenientes à Presidência da República. Ninguém escapa à chafurdice da vida pública afundada na privada como relevo salvíssimo escondido da ambição desmedida de cada interveniente.
- Fui fazer natação. No tanque de 25 metros, apenas quatro focas. Corpos imensos, surgidos de telemóvel no ouvido, em fato de banho e pequenas antenas de veado na cabeça. Esperei para ver se entravam na água ao telefone – não aconteceu e tudo me pareceu de uma vulgaridade de morrer.
DESEJO A TODOS OS MEUS FIEIS LEITORES, UM 2026 PLENO DE SAÚDE.