segunda-feira, fevereiro 12, 2018

Segunda, 12.
Encheram-se, sem surpresa, os noticiários de mais um prémio, desta vez, em Futsal. Gritam eles: “Somos campeões da Europa!” Mal chegados, vão directamente para Belém onde os espera Marcelo para os abraçar, elogiar e condecorar. O costume. Continuemos nesta senda. Como foi possível, mancebos? Ora, respondem os líderes deles: com trabalho, união e... humildade. Já cá faltava a humildade! A mesma do Ronaldo e da “famila”. Eu simpatizo com a equipa por ter abafado por uns momentos a arrogância humilde da malta pacóvia do futebol. Agora do que gostei, foi do troféu: é uma obra de arte. Até nisso se vê a diferença entre as duas modalidades. Uns têm gosto; outros são boçais. Ah, e sem esquecer o aproveitamento que os comentadores, os políticos, os, os que saltaram para a cena associando-se à ideia de que o prémio é de todos nós. Se assim é, eu dou com gosto a minha parte ao pregador dominical Luís Marques Mendes.


         - Um avião russo caiu num campo de neve perto de Moscovo. Morreram os 71 ocupantes. Os técnicos apontam para engano ou descuido do piloto. A ver vamos.

domingo, fevereiro 11, 2018

Domingo, 11.
Não sei o que se desenha a partir de Israel com o apoio de Trump, mas não me cheira nada bem. Há demasiada envolvência na região de forças opostas que parecem aguardar a ordem de partida para algo assustador.

         - Longa conversa com o Corregedor a propósito de Inteligência Artificial. Ele está preocupado com a alteração de forças no mundo do trabalho, entenda-se redução de postos laborais. Disse-lhe que eu não sinto essa preocupação. Pelo contrário. A chamada Revolução Tecnológica, trouxe mais-valias à humanidade e uma quantidade de milhares de empregos antes inexistentes. Só espero que os cientistas consigam construir um robô capaz de substituir com vantagem para os cidadãos governantes humanos, competentes, incorruptos e honestos para mandarmos às urtigas estes que nos (des)governam.

         - Uma frase de José Graziano da Silva ao Público: “Hoje, a fome não se explica pela falta de produção de alimentos, mas sim pela falta de acesso aos alimentos.”

         - Não estou nada seguro que aquilo que dificilmente me chegou esta manhã, vá durar plasmado nas páginas de O Juiz Apostolados por muitas horas.


         - Num país arado de frustrados e cobardes, não admira que o caso do vice-presidente do CDS, Adolfo Mesquita Nunes, que assumiu a sua identidade sexual, seja motivo para falatório e ferretes em cartazes partidários, como aconteceu na Covilhã. Gostei da forma como ele reagiu, pondo a ética acima da sua orientação sexual. Quem dera que outros, tidos por muito inteligentes, mas que em verdade andam rendidos ao dinheiro farto e aos prazeres do sexo pelos bas-fond onde tudo tem um preço – dignidade e prazer -, tivessem a coragem de fazer como ele. Refiro-me a políticos, jornalistas, jogadores de futebol, porque os artistas estão acima da vulgaridade, nas tintas para a moral serôdia e aparências suspeitas que se entretêm a cheirar onde não devem. Ainda por cima o homem até é apessoado e de um brilho intelectual pouco habitual no seu partido e arredores.

sexta-feira, fevereiro 09, 2018

Sexta, 9.
Abstinência sexual dos recasados pede o cardeal-patriarca de Lisboa, interpretando à sua maneira as directivas do Papa Francisco. Sem demora, vieram a terreiro ou antes ao adro da igreja, alguns sacerdotes discordarem das ordens de D. Manuel Clemente. Bom. O que eu acho não sendo casado nem vivendo em comunhão de facto com ninguém, era o que mais me faltava, é que sua reverência viva ainda no mundo das suas berças familiares onde os filhos chegavam nos bicos das cegonhas. O que sua excelência amantíssima devia era congratular-se com aqueles que não dispensam a presença de Deus nas suas vidas, e recorrem à Igreja para os receber como irmãos em Cristo e católicos que nunca deixaram de ser, pese embora as interferências da vida no seu matrimónio. Jesus não casou, nem no Novo Testamento encontramos especial interesse por essa instituição que controla as contas bancárias, derrete de contentamento o Fisco e facilita a vida à Polícia, dá de comer à sociedade de consumo, entretém as famílias com concursos na TV, e explora os tristes sem capacidade para aceitar a solidão como parte divinizante do ser humano.


         - Comecei a reler, desta vez na versão francesa, Pensées pour moi-même de Marco Aurélio. Ando à procura de um fragmento que me recordo ter lido na versão portuguesa  para inserir no Pesadelo dos Dias Felizes. Contudo, logo no Livro II, esbarro com este texto que atira para o lixo a veleidade de tudo quanto andam por aí a ensinar nas escolas e tanto ódio tem semeado nas sociedades. “Se comporter en adversaires les uns des autres est donc contre nature, et c´est agir en adversaire que de témoigner de l´animosité et de l´aversion.” Aprendam senhores professores e políticos arrogantes de meia tijela.  

quinta-feira, fevereiro 08, 2018

Quinta, 8.
Ontem vi no noticiário da TV5Monde aquilo que o Robert me conta por e-mail. A Ilha de França está num caos, as saídas para sul estão bloqueadas, centenas de quilómetros de automóveis parados, muitos submersos na neve, alguns franceses perderam o sítio onde deixaram o carro ao partir a pé para os abrigos improvisados, estradas impedidas por camiões, Paris com neve de 20 centímetros. Annie et Robert estão sitiados em casa.





         - Aqui a temperatura desceu um pouco mais. Se anteontem nem sequer acendi a lareira, ontem e hoje se mais lareiras houvesse mais estavam em funcionamento. O campo, nestes últimos três dias, é um tapete branco onde pouca ou nenhuma erva se vê. O automóvel todas as manhãs está coberto por uma capa alva. Para o pôr em andamento, tenho de aquecer água. Mas não desanimemos. Para amanhã prometem-nos chuva e subida de temperatura.

         - Novo acordo, nova aliança na Alemanha. Não sei se alguém acredita naquele casamento, sabendo-se de antemão quem o vai trair.


         - Mais de três centenas de mortos nos dois últimos meses em Ghouta, na Síria. Quando se pensava que a guerra estava ganha e a paz restabelecida, com o Daesh fora do território, eis que outras forças prosseguem os mesmos crimes. Ghouta está transformada na nova mártir dos novos jihadistas.

quarta-feira, fevereiro 07, 2018

Quarta, 7.
Correm nas redes sociais uma série de fotomontagens que são não só uma delícia, como denunciam à evidência o homem dos afectos. Desta quem sai comprometido não é decerto Munch.



         - Ontem o mundo da especulação entrou em pânico. A começar nos EUA e a acabar na Europa, as Bolsas tremeram e encolheram mais de 2 por cento. Foi um pequeno crash que serviu para prevenir e denunciar quanto a economia é hoje uma fantasia que cava consecutivamente a insegurança e a pobreza. Somos governados por loucos a soldo de 1% de milionários que só pensam neles e fazem dos milhões de seres que para eles trabalham, escravos e pedintes. Os governos a quem cabe zelar pelo conjunto, após os desastres monstruosos da banca, nada fizeram de consistente para que eles não voltem a acontecer. Ninguém foi preso, as técnicas desses tempos voltaram, os cidadãos também parecem ter esquecido os anos difíceis, a vida é uma festa que merece ser vivida no gume do delírio.

Mesmo entre nós, com os socialistas a prosseguirem na sua campanha de lavagem ao cérebro, repetindo à exaustão que estamos ricos, que multiplicamos razões para nos sentirmos orgulhosos, que nunca houve tanto dinheiro e empresas tão sólidas, que “Portugal é um sucesso” na litania de Cavaco Silva, que vencemos o PIB embora a dívida se mantenha nos 131 por cento e dois milhões de pobres sejam uma realidade vergonhosa. A verdade porém, fala mais alto. Eu noto que as pessoas andam muito contidas, têm menos dinheiro para fazer face à vida, os impostos comem os salários e sobretudo as reformas, os supermercados vão com menos clientes, só um estrato social – políticos, empresários, agentes públicos – usufruem de um estatuto equidistante da maioria dos portugueses, para atender às exigências de Bruxelas os hospitais observam menos e pior os doentes, as escolas estão a cair de podres, a corrupção é um cancro... Há uma tragédia no ar que não tarda a destronar todas as utopias.

         - Paris e toda a França está paralisada. Muitos franceses que vêm trabalhar à capital, tiveram de procurar dormida perto dos locais de trabalho e os parisienses ficaram em casa devido à neve que se acumula em quantidades impressionantes. O caos está instalado, carros sinistrados, outros imobilizados, enfim, o quotidiano voltado do avesso.

         - O Paulo Santos estava ontem muito desolado devido ao exame que teve de fazer para subir no topo hierárquico dos melhores guias turísticos. Na prova foi-lhe perguntado quem foram os quatro principais doutores da Igreja. Ele, nervoso, não conseguiu pronunciá-los e daí  achar-se abatido. Quando me pôs a questão, fui puxando pela memória e disse de pronto Santo Gerónimo, Santo Agostinho, julgo ainda Santo Ambrósio, mas não me veio à lembrança Santo Gregório. Todavia, fiquei satisfeito em saber que Portugal exige aos seus representantes junto de quem nos visita, um conhecimento aprofundado da nossa história. Eu que digo mal de tanta coisa, eis que me vergo ante esta exigência.


         - Apesar do frio, depois do combate duro com as palavras que se recusaram a dar-me o bom-dia, fui nadar meia hora. Não estava, claro, quase ninguém na piscina, eu e outro jovem apenas, naquele tanque imenso vazio da clientela habitual.