quinta-feira, julho 02, 2026

Quinta, 2 de Julho.

Ontem acordei com tonturas. Mesmo assim, meti-me no autocarro, depois no metro e de seguida num táxi para chegar ao Amoreiras onde o ACP me havia marcado estar para renovação da carta de condução. Cheguei com tempo e pude almoçar por lá, a temperatura óptima, o ambiente muito igual ao que eu conheci quando o célebre arquitecto Taveira construiu o edifício e fez com ele moda e ponto obrigatório de meia Lisboa. Nos anos Setenta, Mário e eu, morando no Príncipe Real, tínhamos o hábito de lá ir fazer compras, almoçar ou simplesmente passear no vasto interior de uma criação original. Que bem me senti eu entre memórias felizes e o regresso ao tempo de todas as magias e cintilações! Apetecia-me dizer que até o almoço, no mesmo restaurante de então, servido pela mesma proprietária, o preço não oscilou em quarenta anos. Se bem me lembro, a última vez que lá estive, ainda Marcelo Rebelo de Sousa não era Presidente da República e quando entrei na livraria Bulhosa, ele topou-me e avançou para mim num cumprimento afectuoso. Carpe diem, Helder, carpe. 

         - Souto Moura foi condecorado em Barcelona com a medalha de ouro da União Internacional de Arquitetos. O Presidente da República António José Seguro esteve presente e a guarda de honra pertenceu aos célebres Mossos de Esquarda da Catalunha. Que delírio tal designação!... Bref. O discurso do Presidente, foi lido em inglês! Estas fraquezas, assim como o vestido vermelho da mulher, perdão esposa, no 25 de Abril, desculpam-se porque sua excelência está ainda a saborear o cargo... Voltemos ao nosso excelente arquitecto nortenho. Ele aproveitou e bem para fazer comparações entre a habitação acessível no tempo do Estado Novo, que disse não ter sido um estado social, com o regime que hoje temos, onde dinheiro não falta, pessoas necessitadas de abrigos condignos muito menos, espaço idem, quem estude, elabore projectos e faça construir temos tudo isso, só parece faltar vontade política. Ele desabafou: dispensava todas as honras para fazer avançar projectos de habitação social que tão necessários são. Eu, quando o voltar a ter a meu lado na Brasileira, preveni-lo-ei para não voltar a fazer tais comparações, porque será logo apelidado de direita ou, quando muito, de fazer o jogo da dita cuja. 

         - O ditador que está à frente da Federação Russa, expelindo raiva e ódio cheios de espuma, furioso contra Zelensky e o seu país onde abunda gente inteligente e patriótica, não pára de castigar a Ucrânia. A noite passada foi das mais ferozes, traduzidas em 17 mortos e para cima de 90 feridos em ataques a Kiev. 

         - Aqui os termómetros acusaram 42 graus. Não pus o nariz de fora depois de ter regado pelas sete da manhã. Black esteve todo o santo dia a dormir, com intervalos para ir à cozinha petiscar e beber água.