Sexta, 10.
O ministro da Administração Interna não governa a partir do gabinete, fá-lo diante das câmaras de televisão. Temo-lo todos os dias, de manhã à noite. Não será socialista, mas adquiriu maravilhosamente a táctica dos discípulos de António Costa.
- Vai por aí uma celeuma a propósito dos resultados dos exames. Não sigo a questão porque não me interessa. Se outro fosse que estivesse à frente do Ministério da Educação, faria semelhante ou como no passado ainda pior. As oposições reclamam uma palavra do primeiro-ministro, mas este anda desvairado num vaivém aos EUA e ao Mundial de Futebol. O seu adjunto, líder parlamentar do PSD, em defesa do silêncio e das constantes idas do chefe ao Mundial, saiu-se com esta que demonstra o provincianismo e o ridículo populista que invade o governo de Luís Montenegro: “Somos povo.” Como quem diz, o povo ama o futebol e até se encontrou lá com o seu orgulhoso primeiro-ministro.
- Voltou tudo à estaca zero, isto é, os bombardeamentos ao Estreito de Ormuz e dos iranianos a interesses americanos nos países vizinhos. Que corja de malucos governam o mundo! Os combustíveis, durante a curta fase de sossego, não baixaram; agora vão de novo galopar. E lembrar-me eu do contentamento de Macron e do homem que está à frente da NATO quando o tarado do Trump assinou o pseudo-acordo de paz!
- A vida de hoje é uma complicação. É falso que as novas tecnologias e a IA que a pouco e pouco se instala, nos trouxeram simplicidade de métodos, facilidade de resolução dos problemas e por aí adiante. Pelo contrário, como se assiste em nossos dias, o diálogo, o confronto salutar, a informação que olhos nos olhos nos aproxima, nos humaniza, nos devolve a doce presença do outro, praticamente desapareceu entregue ao contacto distante, sobranceiro, ao desleixo das repartições públicas e privadas, à frieza de um e-mail, ao toque de um algoritmo, que virou o ditador à distância e altivo que tudo impõe, recusa contestação, e é por todos temido, respeitado, arrogante. Ainda por cima, quem pela idade, falta de formação, desprezo pela tecnologia, odeia “esta uniformidade que anula as diferenças” como diz na encíclica Magnifica Humanitas o Papa Leão XIV, recusa a imposição do diálogo de sombras, está votado ao ostracismo, ao abandono, à solidão absoluta. Esta observação, ocorreu-me hoje de manhã quando tive de pagar o iuc forçosamente pela Internet. Que mundo bizarro, metálico, uniforme, estudado para obter maiores lucros, dispensando a multidão de empregados e mangas de alpaca que os negócios desprezam cada vez mais satisfeitos com o futuro que a máquina lhes oferece.
- Estive a falar com amigos que vivem em Almada onde a água desapareceu por encanto devido à incompetência e desprezo pelos cidadãos da socialista presidente de câmara. Há mais de uma semana que os habitantes deixaram de ver correr nas torneiras o bem essencial à vida. Nestes dias de temperaturas elevadas, imagino a angústia dos que vivem sem poderem tratar da sua higiene, alimentação, cuidar dos filhos e idosos como se de súbito o tempo das cavernas tivesse surgido atirando-os para a estrumeira das ruas e dos dias enxameados de desespero.
- Uma grande catástrofe ocorreu no Sul de Espanha, na região de Almeria. A queda de uma linha eléctrica está na origem de um fogo assustador que, devido ao calor, se estendeu por uma vasta área residencial. Até ao momento estão contabilizados 11 mortos e pelo menos 23 desaparecidos. As autoridades receiam que o número de mortos possa vir a crescer.