domingo, julho 05, 2026

 Domingo, 5.

Os fins de semana são terríveis. Sobretudo quando o calor aperta e as árvores e flores sofrem tanto ou mais que nós com esta canícula que não nos larga. Aproveitando o quadro bi-horário, toca de regar com começo às seis da manhã. Durante hora e meia, andei a puxar a mangueira, correndo não só as flores que contornam a casa, como as árvores de fruto mais distantes. Nesse entretanto, todas as janelas da casa foram abertas de modo a arejar as divisões e a torná-las mais frescas. Depois, de bastão em punho, decidi dar uma volta pela quinta coisa que não acontecia há algum tempo. Que desilusão! Vou ter de falar com o senhor espalha brasas que adora trabalhar com máquinas porque é pago a dobrar, quando a machada e a tesoura fariam milagres na beleza do espaço. O resultado deste sufoco é bem visível no aspecto das hortênsias: estão todas com as pétalas sensíveis queimadas. É assim todos os anos. A partir de Julho o sol veste-as de um luto acastanhado.  

         - O Black sabe-se defender. Antes não parava no interior, agora aqui fica horas a fio a dormir. Normalmente na cozinha onde o aparelho de ar condicionado está ligado. Escolhe uma cadeira mesmo em frente do sopro frio e aí fica todo o santo dia, petiscando e dormindo, quase nunca precisando de ir ao wc público. 

         - Longa conversa com a Gi. Diz-me que quer cá vir com o Nuno passar uns dias. Falámos sobre o trabalho que a idade dá ao instalar-se sem demora nem aviso. Ela está como eu. Tanto um como outra, sonham com um modesto apartamento para fim de vida. Só que, por exemplo, a casa dela na Foz deverá valer seis milhões, esta a última oferta foi de dois milhões. Ainda nos divertimos a imaginar quanto será um milhão.