terça-feira, fevereiro 25, 2025

Terça, 25.

O mundo é chuva no molhado. As nossas apresentadoras, locutoras como antes se chamavam (agora é tudo jornalista), aparecem muito aperaltadas, com duas rolas a insinuarem-se do soutien. Eu não vejo isto nas estações televisivas estrangeiras, por cá deve ser moda e moda pacóvia. O mais curioso (ou talvez nem por isso), é vê-las antecipando a morte do Papa Francisco, vestidas de negro, mas... com aquelas duas arrulhas a espreitar. Depois admiram-se que os homens lhes atirem piropos a que chamam assédio. Por mim, estou sempre de atalaia, a ver quando elas se escapam e se oferecem em voo para a cama mais próxima. 

         - Mas também é este. Um tipo horroroso de aspecto, que tem por profissão influencer (imagine-se!) confessou num Podcast: “Atropelei uma pessoa e fugi. A sério. Ali na subida de quem sai do Bingo da Amadora.” - concluindo com uma risada esfrangalhada. Acontece que o marginal andava a ser procurado pela Polícia por aquele crime, que deixou uma jovem mãe de dois filhos limitada para o resto da vida. Ela diz que não foi um toquezinho, está parada há um ano. Estes ídolos incubados na manjedoura da Internet, fazem as delícias de uns quantos idiotas que os têm por maiores. Pobre sociedade, que resvala para a pocilga atirada pela mixórdia ideológica que tudo aceita em nome da liberdade de expressão.  

         - Emmanuel Macron que continua benevolente, foi a Nova Iorque falar com Trump sobre as negociações unilaterais com Putin acerca da paz na Ucrânia. Eu que na sua versão rei de França o contestei, reconheço agora que o seu papel e visão sobre a Europa a devir é correcto. Ele percebeu, com antecipação, o futuro do velho Continente e pena é que esteja desacreditado junto dos franceses. Gostei daquela mão enluvada, quando corrige Donald Trump quanto ao montante gasto pela Europa na Ucrânia. Ele, só, vale pela Presidente da Comissão Europeia e pelo seu secretário juntos. 

         - Se me permitem, trago para aqui José Pedro Teixeira Fernandes outro dia no Público: “ (...) a política internacional não se esgota nas questões de moralidade, nem de legalidade. Esse é o mundo ideal (entenda-se utópico) normativo e da teoria jurídica. Nunca foi, mesmo nos momentos mais cooperativos da humanidade, o mundo prático e real da política”. 

         - Fui à natação. E de súbito, do meio da natureza murcha e desfeita da beleza consumida pelo tempo, eis que surge uma beauté esguia, ante a qual o trânsito emocional se atrapalha, figura onírica desassossegando o equilíbrio que julgava ter alcançado. A própria manhã se quedou numa excitação-delírio, que amortizou os movimentos do corpo e desviou da rota o obsessivo matutar do impossível...