domingo, fevereiro 05, 2017

Domingo, 5.
Os adeptos do imobilismo e do “politicamente correcto”, comparam Marine Le Pen a Trump, esquecendo-se que ela há muitos anos que vem pregando a mesma política para a França antes, portanto, de o actual Presidente dos EUA pensar em candidatar-se. Não me surpreendia se Trump criasse uma nova forma de pensar e interpretar a migração, coisa que a Europa não conseguiu até hoje e velhacamente vem agora com a solução de recambiar para África os que chegam às suas fronteiras. A ideia que me dá, é que a vinda do trovão Trump abanou de tal modo os esquemas mentais dos instalados anos sucessivos nos mesmos planos que nada resolveram, e só aproveitaram a eles, que as suas cabeças formatadas têm dificuldade em admitir que há mais política para além da sua política. Para não falar da origem da chegada dos Trumps ao poder de que eles são os principais responsáveis, mas isso é outra conversa de que não me ocupo nestas linhas. Recordo, simplesmente, que há anos ando a falar aqui na possibilidade de salvadores surgirem do nada!

         - Os romenos, optaram pela política popular e não largaram as ruas enquanto não conseguiram rasgar o decreto-lei que despenalizava a corrupção. Na Roménia, o novo Governo de Sorin Grindeanu, quis despenalizar os “pequenos valores” até 45 mil euros, considerando que isso não é enriquecimento que possa considerar-se ilícito. Para o povo, corrupto tanto é o que rouba um euro, como o que furta milhões e muito bem. Por cá, as pessoas só saem à rua para maltratar os jogadores de futebol quando não marcam golos. A política não lhes interessa, basta-lhes as partidas de futebol, as telenovelas e os concursos que dão milhares todos os dias.

sábado, fevereiro 04, 2017

Sábado, 4.
Para meu próprio equilíbrio, era urgente começar a trabalhar em qualquer coisa de fundo vincadamente criativo. Estou há vários meses sem escrever e comecei a sentir os traços da nevrose tão minha conhecida. Em todo este tempo, à parte a estada em Paris e Viena, foi o desespero que aliena os dias e transforma a vida num vazio incomensurável. Por outro lado, eu sei de saber adquirido desde o primeiro livro, que um romance é uma prisão, uma impregnação da mente, dos sentidos, dos segundos, é uma labuta permanente em qualquer parte e em todos os momentos, uma disponibilidade que se assemelha a escravidão. Passamos a viver a dois tempos, na dicotomia entre o real e ficcional, num equilíbrio instável por vezes difícil também de suportar. De qualquer modo, a partir desta manhã, o futuro em que creio pouco, passou a ficar suspenso no horizonte do términos deste trabalho e a partir do momento em que escrevi o primeiro parágrafo uma incógnita nasceu.

“Naquela manhã o sol abriu um buraco por entre as espessas nuvens e despejou um grandioso raio de luz sobre a terra.”  

Que terá o matricida a dizer-nos?

sexta-feira, fevereiro 03, 2017


Sexta, 3.
Ao nosso amigo endinheirado que costuma reunir-se connosco na Brasileira, tentei eu pedir emprestada a soma de 700 euros para acudir ao desastre do furo no cano da água. Fi-lo para me divertir e meter-me com ele. Do que eu não estava à espera era da resposta que demonstra o humor que ainda atufa o seu coração: “Eu estou impedido pelo banco de emprestar dinheiro. – Então, porquê – perguntei, inocente. – Por causa da concorrência desleal.” Pumcatrapum.  

         - Fecho por hoje sem as calamidades do quotidiano, deixando além do apontamento humorístico, o poético tirado por Robert nos dias de rigoroso inverno em Paris. Do meu quarto parisiense, é esta a paisagem que me detém no limite do encanto e da emoção quando chego à janela que dá para o Parque de La Courneuve.   




quinta-feira, fevereiro 02, 2017

Quinta, 2.
Do muito que tenho ouvido sobre Ronald Trump, há um facto ocorrido anteontem que, a haver alguma ligação, de facto põe em risco a Europa e o mundo: o assassinato do homem forte Oleg Erovinkin, ex-general do KGB. Segundo o jornal The Telegraph, há suspeitas de que Putin está por detrás desta morte. Era ele que possuía toda a informação sobre Ronald Trump quando este visitou Moscovo e se envolveu com mulheres num hotel da capital. Fala-se, inclusive, num filme com o líder da América a ter relações sexuais. Espero que esta vítima não tenha sido o pacto selado entre Putin e Trump. E não seja por causa deste acordo que foi retomada a guerra na Ucrânia. Com esta gente nunca se sabe.  

         - Aperta-se o cerco a François Fillon. O homem que pregou a moral, a contenção, a supressão de regalias e o equilíbrio salarial, é o mesmo que, utilizando o seu lugar de deputado, conseguiu somas fabulosas para a mulher e também para os dois filhos postos em cargos para os quais não tinham ainda formação. Bolas, não há ninguém que escape nesta classe de políticos de meia tijela que povoa a Europa! Até a senhora Le Pene está a contas com os dinheiros de Bruxelas utilizados para fortalecer os serviços do seu partido. Para onde fugir?!

         - A dívida portuguesa cresceu 9,5 mil milhões de euros em 2016. Mas não se passa nada. O Mágico continua a hipnotizar-nos com o seu sorriso e o seu discurso redondo, acompanhado pelo sacristão despromovido de arcebispo. Que país tão engraçado!  

         - Hoje, na piscina, encontrei uma vedeta de televisão, anã, que segundo julgo mora aqui na vila. Logo que me viu, abriu a boquinha, acendeu os olhos, e abrolhou num sorriso o queixal bem alinhado, como a dizer: "Olá, jogamos na mesma equipa!” Eu, honrado traqueladanças, não respondi...  

         - Dizem que entre esta noite e amanhã todo o litoral vai ter ondas que podem chegar aos 14 metros. A par disso, chuvas torrenciais. Tudo o que não tivemos até aqui, chega-nos agora em catadupa. Louvado seja Deus!


         - Mandei esta manhã a Maria Estela Guedes o artigo sobre Julien Green e a minha viagem ao seu tombeau, em Klagenfurt, que deverá entrar no próximo número da Revista.

quarta-feira, fevereiro 01, 2017

Quarta, 1 de Fevereiro.
Trump trouxe aos meios de comunicação um quê de assunto de que eles tanto careciam. Portugal é demasiado pequeno e por isso estende os noticiários aos horrores dos crimes de faca e alguidar, à melopeia do futebol, à lengalenga mentirosa da política, à exposição de “figuras públicas” que são quase todas saídas dos bonecos de Bordalo Pinheiro. Se percorrermos as estações de televisão, observamos a unanimidade construída dos senhores importantes, que falam para o mundo, todos servindo-se do mesmo vocábulo, gestos e tiques, convencidos da sua importância além fronteiras, apostados em que o 45 Presidente dos EUA vai ter em conta as suas lúcidas, cultas e independentes máximas. A SIC vai ao ponto de não só dar a palavra ao menino Miguel, como de ter agora uma espécie de rubrica dos crimes cometidos por Ronald Trump contra a humanidade. É a chamada esquerda no seu esplendor. O homem está a cumprir cabalmente aquilo que declarou aos americanos, mas estes amantes da ronceirice acham que um país com mais de um século de democracia, pretende impor o nazismo como já os ouvi dizer. O patriotismo pelo mundo democrático é tal, que ontem o novo educador da classe operária, foi ao ponto de dizer do pedestal da sua vida organizada e abastada de muitos e incógnitos segredos: “Quando a vontade do povo é qualquer coisa que vai contra aquilo que nós (sublinho “nós”) temos como (eu diria por, mas quem sou eu para corrigir tão primoroso escritor!) o bem comum e as melhores ideias, não é preciso ceder à vontade do povo, é preciso (ele impõe) resistir à vontade do povo.” Palavras para quê? É um distinto autor, jornalista, educador e comentador do mais refinado gosto e eloquência. Arnaldo de Matos ao seu lado, não passa de um aprendiz de feiticeiro.

         - No Parlamento discute-se o projecto de lei do BE sobre a eutanásia. Depois do que vi no debate do primeiro canal, não reconheço competência a nenhum dos deputados para legislar sobre o assunto. A dita esquerda quer impor de qualquer maneira uma lei aberrante. Está-se, literalmente, nas tintas para a vida humana.

         - Portugal, segundo os meninos Migueis cá do sítio, é um país com padrões de civilidade altos, a família o berço do equilíbrio social e o padrão de ajuste do marketing de produto que faz progredir o mercado e introduz a riqueza (ainda que alguns fujam) no PIB. Todavia, como eu tenho outras formas de medir o grau de qualidade de um povo, pergunto como situar o português quando, de norte a sul do país, as cenas inqualificáveis de violência doméstica vão ao ponto, como aconteceu esta manhã em Chelas, de no meio de uma discussão entre um amigo dos donos da casa, este pura e simplesmente atirar do segundo andar para a rua o filho de nove anos que quis defender a mãe. Não se conhecem mais pormenores sobre as razões que levaram o homem a entrar em casa e a agredir a mulher. O que se tem por certo é que a criança terá partido um braço e a bacia e encontra-se internada no hospital.


         - Já se conhece a identidade e a motivação do criminoso que entrou numa mesquita no Quebeque e matou seis pessoas. Trata-se do estudante franco-canadiano, de 27 anos, aluno da universidade do Laval, que tem ódio aos muçulmanos e, diz a imprensa, adorava Trump e Marine Le Pen.