sábado, maio 16, 2026

 Sábado, 16.

Num país onde o Presidente da Assembleia da República e o primeiro-ministro são proprietários de uma série de casas e apartamentos, temos o quadro que dispensa apresentações. Será? Chamo a esta página Swift: “Il n´y à qu´à voir la tête de ceux à qui Dieu a accordé de l´argent pour savoir le cas qu´il fait des richesses.” Esta afirmação encaixa perfeitamente no dono do Pingo Doce e nos políticos manhosos que se esquecem de nomear a sua fortuna vinda da especulação imobiliária. Acrescento que não há novo-rico que não vá a Fátima de vela acesa e devoção hipócrita. 

         - Está aí o senhor José Manuel, mais conhecido por espalha brasas. Que homem gentil, dedicado, trabalhador. Só é pena que comece um trabalho aqui para logo o deixar a meio e ir começar outro que acaba por não terminar. O homem anda sempre a saltar deixando pontas inacabadas por todo o lado. 

         - Fui atestar o depósito. Depois dos descontos do ACP e mais não sei o quê, despendi 78,54 euros. Longe vão os 30 euros mensais! 

         - Ando muito sensível. Comovem-me todos os gestos de amigos e desconhecidos que se aproximam para saber como estou. Por escrito ou pessoalmente, volta que não volta, sinto o toque no ombro que me consome de gratidão. Mas também há aqueles que telefonam a saber se estou bem e como se levassem a carta a Garcia, disparam: “Se precisares de alguma coisa, apita.” Apitarei quando chegar ao destino final. 

         - Pobres dos dez milhões de cubanos que Trump condenou à morte. Como é possível que ninguém trave este desmiolado armado em arcanjo do mundo. Presos na ilha, sem electricidade, combustíveis, a morrer à penúria, o povo aguarda pelo pior se as ameaças do ditador se cumprirem. Não lhes bastou a soma de ditadores que governaram a ilha, ainda têm de suportar outro louco em nome não se sabe de quê.