sexta-feira, maio 15, 2026

 Sexta, 15.

Dizem as estatísticas que aumentou em cinco anos os filhos que agridem as mães ou pais. A APAV revela que a maioria das vítimas são mulheres com 65 ou mais anos. Os agressores 70% homens entre os 25 e 54 anos. A querida família e os queridos filhos tão trauteada pela publicidade e pela Santa Igreja são afinal esta miséria.

         - Nesta democracia tão louvada pela classe política que pouco ou nada faz para a defender, antes pelo contrário a enterra diante dos nossos olhos baixos e conformados, somos confrontados cada vez mais com o fosso entre ricos e pobres, entre empregadores e servos. A Jornal de Notícias, na edição de hoje, mostra-nos o estado abismal da riqueza dos presidentes das maiores empresas portuguesas e dos seus escravos trabalhadores. Aqueles ganham em média 53 vezes mais e as remunerações de líderes executivos chegaram a 23,4 milhões de euros o ano passado. Para não falar dos benefícios de toda a ordem. Aquele espécime, feio como os trovões, que dá pelo nome de Pedro Soares dos Santos, dono da Jerónimo Martins que possui o supermercado Pingo Doce, tem uma remuneração total a rondar os 5,25 milhões de euros! Eu já aqui desaconselhei aos meus leitores entrarem numa tal catedral de escravidão, e foi mais de uma vez que lhes enderecei e-mail acusando-os de escravizar os seus empregados. Uma funcionária de aqui, com um balcão que abarca comes e bebes, cafés, padaria, faz maratonas ao longo do balcão, atura os clientes impacientes, por um ordenado pouco mais que o salário mínimo. A nossa querida EDP, que nós mantemos com língua de fora, a excelência que a dirige, usufrui uma bagatela de 2 milhões de euros/ano. A estes ordenados à americana, acrescem carros privados com motoristas, custas para isto e aquilo, subsídios para a luz, combustíveis, e, bem entendido, reformas doiradas de pasmar o pobre português. E lembrar-me eu que há reformados que não chegam a ter 400 euros por mês! É esta a democracia que nos coube na rifa do 25 de Abril do ano 1975. 

         - Falemos agora do engenheiro com diploma tirado ao domingo. A criatura quer cobrar ao Estado português a módica quantia de 205 mil euros por demora do Ministério Público (quatro anos) a deduzir a acusação. De facto, eu também considero excessiva, mas isso por culpa do queixoso que, para escapar à sentença, foi trabalhando recursos de modo a sair ilibado por esgotamento de prazos processais. Esta é a Justiça que temos, ronceira, cheia de teias de aranha, pontos e virgulas que fazem a delícia dos nossos advogados e lhes dão ganhos milionários. 

         - É este o país que temos. Maravilhoso como se vê, onde é rei e senhor quem mais escraviza, explora, rouba, corrompe, falsifica, foge aos impostos, compra defesas, exibe-se de peito feito, contorna os tribunais e aparece como o maior inocente que Deus pôs no mundo. Temos fabulosos advogados que conseguem transformar o maior trafulha numa peça angélica de filigrana imaculada. Bastava os juízes pedirem à SIC uma cópia do documentário da estadia de José Sócrates em Paris, onde o ilustre ex-primeiro-ministro e filósofo de Portugal residiu para estudar francês e aprender a tocar piano, voltando tão culto que nos desconcertou ao chegar: "Fui muito feliz nestes dois anos, entregue ao que os filósofos chamam de vida contemplativa por oposição à vida activa." O homem tem lata para tudo.